como sobreviver submerso.

Sábado, 19 de Setembro de 2009
As coincidências

Pode arranjar-se uma montanha de justificações aparentemente inatacáveis, enunciadas em voz ressoando a ultraje ou escritas em estilo de homilia, mas as coincidências assustam. Não é preciso dizer mais do que isto. Ou talvez apenas que, a seguir, será o Sol. Porque só resta ele.



publicado por José António Abreu às 09:51
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Explicação: os burros são sempre os mesmos

Segundo consigo perceber do que a maioria dos apoiantes do PS têm escrito:

- Em 2004, o PSD manobrou para tirar Marcelo Rebelo de Sousa do ar porque os comentários dele lhe eram incómodos. Ajudou a sustentar a explicação o facto dos sociais-democratas serem estúpidos e inábeis.
- Em 2009, o PSD manobrou para tirar Manuela Moura Guedes do ar porque o programa dela era incómodo para o PS. Ajuda a sustentar a explicação o facto dos socialistas não serem estúpidos nem inábeis.
Ficamos esclarecidos.
 
Adenda: realço a excepção de Tomás Vasques, com uma série de posts onde o desconforto me parece evidente e natural (por alguma razão tem entendido deixá-los fora do Simplex) e ainda consigo compreender este post de Miguel Vale de Almeida. O resto (com a ressalva de certamente não ter lido tudo o que os apoiantes do PS produziram sobre o assunto) voga entre o absurdo e o enojante. 


publicado por José António Abreu às 13:25
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Ajudando a evitar o silêncio

Não gosto do estilo da Manuela Moura Guedes. É opinativa, agressiva e está pouco disponível para escutar. Gosto do estilo da Manuela Moura Guedes. É enérgica, rebelde e está pouco disponível para compromissos. A questão do jornal nacional de Sexta-Feira da TVI mostra pela enésima vez como, em Portugal, nada pode existir sem o beneplácito do governo, muito menos contra ele. O facto de um programa de televisão ser líder de audiências não é suficientemente relevante para a televisão que o passa. Há elementos mais importantes, que transcendem o funcionamento do mercado. É diferente noutros sítios: enquanto as audiências do The Daily Show forem boas, alguém imagina a Comedy Central a despedir o Jon Stewart? Mas existe coerência em tudo isto. Porque poucos por cá defendem verdadeiramente uma lógica de mercado baseada nas opções individuais de cada um. Poucos políticos, poucos industriais, poucos banqueiros, poucos trabalhadores anónimos. Mesmo garantindo o contrário, quase todos receiam a liberdade – quem tem muito poder receia a falta de controlo que ela gera, quem tem pouco receia a autonomia e o risco que ela exige – e usam todos os meios de que dispõem (todo o poder que conseguiram arrebanhar ou toda a cobardia que foram acumulando) para a limitar.

 

De Gaulle disse que o silêncio é a derradeira arma do poder. É pois altura de proclamar bem alto: o prazo de validade deste governo expirou. Chegou o momento de correr com Sócrates.



publicado por José António Abreu às 19:22
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
A "requalificação" do Palácio de Cristal: 3

Na sequência dos posts anteriores sobre o assunto, chamo a atenção para o blogue Defesa dos Jardins do Palácio, do movimento com o mesmo nome.



publicado por José António Abreu às 19:18
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
A "requalificação" do Palácio de Cristal: 2

Expliquei aqui por que me faz confusão a tendência actual para preferir construções frias e marcadamente artificiais a estéticas e arquitecturas mais orgânicas. Continuo a pensar que o projecto de "requalificação" do Pavilhão Rosa Mota tem o ponto negativo de trocar um lago aprazível (mesmo que com águas frequentemente atulhadas de folhas e lixos vários) por um "espelho de água" frio e desinteressante (presumo que sem patos). Há ainda a questão de saber quantas árvores serão eliminadas para a construção do novo edifício. Por tudo isto, e apesar de não concordar nem com o tom político-partidário expresso no texto nem com o ataque que nele é feito ao previsto modelo de gestão do pavilhão, assinei esta petição. Quem desejar mais informação pode ler no Dias com Árvores estes posts sobre o assunto: um, doistrês.

 

   

(Fotos do "charco" - terminologia do arquitecto responsável pelo projecto de requalificação - tiradas hoje.)



publicado por José António Abreu às 21:43
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
O presidente mudo

Cavaco Silva passou a estar sob fogo. As declarações acerca do acto do ex-Ministro Manuel Pinho geraram todo um manancial de críticas (p. ex., aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) a que Tiago Moreira Ramalho responde (bem) aqui. Mas este foi pouco mais que um fait-divers. Na realidade, as críticas ao presidente, vindas por vezes (como abordei aqui), do topo da intelligentsia do Partido Socialista, têm aumentado em número e em tom. Parte delas nascerá do desespero dos socialistas, sentindo-se prestes a perder as eleições legislativas e tendo já quase garantidamente deixado esfumar a hipótese de nova maioria absoluta. Ainda assim, quem critica Cavaco devia lembrar-se que, mesmo com uma Constituição altamente limitadora dos seus poderes, o presidente não é um espectador mas um actor político com opiniões. Que, como se verá, todos os presidentes anteriores fizeram questão de expressar com frequência.

 
Cavaco Silva foi eleito em Janeiro de 2006, estava o governo do PS em funções há cerca de nove meses. Durante a campanha foi notório que Cavaco não discordava de muitas medidas já anunciadas pelo governo: reformas da função pública, da educação, da saúde ou da segurança social, esforços para controlo do défice, política europeia, até mesmo uma certa ideia de estilo governativo (em 2005 e 2006 Sócrates era admirado por quase todos por conseguir manter os membros do governo calados e por gerir os anúncios de forma brilhante). Por ter opinião positiva do governo, Cavaco entendeu-se bem com ele durante os primeiros anos. Relembre-se quão frequentemente foi dito e escrito que Cavaco via com bons olhos a acção da ministra da Educação ou do ministro da Saúde. Aliás, muitos socialistas que, durante a campanha eleitoral, haviam prognosticado um estado de conflito permanente, reconheciam nesta fase que PS e governo não tinham razões de queixa do Presidente (p. ex., Jorge Coelho na Quadratura do Círculo desses tempos). Entretanto a situação alterou-se. O PS assaltou o Estado. Colocou os famosos boys que Guterres, em 1995, pedira que fossem mantidos afastados, por todo o lado, com as consequências conhecidas: perseguições a professores, a sindicatos, à comunicação social. Ao mesmo tempo, a concretização das medidas anunciadas (uma, mais outra, e ainda mais outra vez) ia-se arrastando (excepção para a reforma da segurança social que, concorde-se ou não com os princípios que a nortearam, foi levada a cabo rapidamente). E quando os protestos surgiram em força (como surgiriam, atendendo à estratégia de diabolizar e atacar indiscriminadamente toda a gente dentro das várias corporações) entrou-se primeiro numa fase de autismo e depois na mais pura confusão. Resultado? Falhanço na reforma educativa, com ponto alto no Kafkiano sistema de avaliação dos professores. Resultados mitigados na reforma do sistema de saúde que, no auge da contestação, obrigou à imolação do ministro. Paralisação do sistema judicial. Confusão total nas obras públicas, resultado da insistência em projectos megalómanos e em escolhas que rapidamente se revelaram erradas (“margem sul jamais”). Uso da máquina fiscal (cujo aumento da eficiência é positivo mas, em grande medida, não foi fruto de trabalho deste governo) para perseguir contribuintes, mantendo o Estado o hábito de não pagar a quem deve. Estou certamente a esquecer-me de inúmeros pontos mas estes bastam como exemplo. Até porque ainda é preciso realçar outro factor: o estado de graça, que durou mais de dois anos, extinguiu-se (como seria de esperar mas, aparentemente, para grande surpresa e ultraje do PS e de Sócrates) com a revelação de que o Primeiro-Ministro acabara a licenciatura ao domingo e fizera exames de “inglês técnico” por fax, que assinara horríveis projectos que não projectara, e que poderia estar ligado a um caso grave de corrupção (licenciamento do Freeport). Os histéricos ataques aos órgãos de comunicação social que noticiavam estes assuntos, com processos judiciais quase burlescos a comentadores que faziam comparações irónicas envolvendo Cicciolina e acusações desembestadas a noticiários televisivos, não ajudaram.
 
Perante tudo isto, devia Cavaco Silva permanecer em silêncio? Mesmo considerando ele, como todos estamos conscientes que considera, que a política anunciada, em particular ao nível das obras públicas, é negativa para o futuro do país? Devia abster-se de intervir, em nome de uma cooperação à qual Governo e PS testaram os limites várias vezes ao longo do último ano (estatuto político dos Açores, lei do divórcio, lei da concentração dos meios de comunicação social)?
Recordem-se os anteriores presidentes do Portugal "normalizado". Eanes teve uma intervenção tão directa na política governamental que chegou a nomear governos sem apoio parlamentar e acabou a criar um partido político. Sei que os tempos eram outros e também penso que, em particular neste último ponto, Eanes não foi exemplo que alguém deseje de volta, mas aconteceu. Soares criticou abundantemente Cavaco, com frequência de forma maquiavélica (mas, reconheça-se, com panache irresistível): basta lembrarem-se as “presidências abertas” e os jantares quase conspirativos. (Ainda assim, talvez hoje Cavaco lamente não ter considerado seriamente uma ou outra crítica.) Sampaio teve a famosa frase “há vida para além do orçamento” num momento em que o governo de Durão Barroso tentava desesperadamente controlar o défice. (Não o ouvi dizer o mesmo quando o governo Sócrates implementou medidas parecidas um par de anos mais tarde.) E foi também o presidente que deu posse a um governo avisando-o de que o ia manter sob vigilância especial e que, meses depois, o fez cair dissolvendo uma Assembleia da República onde continuava a existir uma maioria que o suportava: uma decisão bombástica mas, diga-se, perfeitamente legítima, tomada em nome do que ele entendia ser o interesse nacional (teorias conspirativas à parte).
 
A análise do passado pode mesmo providenciar alguma validação da tese de que é positivo existir um certo nível de discordância entre Belém e S. Bento, vulgarmente expressa na frase “os portugueses não gostam de colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Os anos de concordância ideológica (governos Guterres) foram anos de “preguiça” institucional que nos empurraram para a crise estrutural em que estamos mergulhados. Evidentemente que a personalidade e o fraco grau de conhecimento da realidade económica dos intervenientes (Guterres e Sampaio) ajudou. Fosse Cavaco presidente nessa altura, Guterres teria sido mais pressionado a tomar as medidas que se impunham. Da mesma forma, quem entende que o governo de Santana Lopes não tinha condições para continuar a gerir o país (reconhecidamente, a maioria dos portugueses) tem que ver como positivo estar a presidência ocupada por alguém que sempre manifestara reservas quanto ao referido governo. Apenas na época de Durão Barroso a concordância ideológica poderia ter-se revelado benéfica, facilitando a aplicação das medidas indispensáveis para enfrentar a crise, numa época em que o país, saído de um período de abundância, ainda não estava disponível para “sacrifícios”.
 
Seja como for, depois de presidentes assim, e excluindo-se o pânico pré-eleitoral, são as declarações de Cavaco Silva razão para irritações de um governo maioritário ou do partido que o sustenta? Penso estar claro que a) os presidentes sempre opinaram quando acharam dever fazê-lo, e b) é perfeitamente lícito que o façam. O conceito de “presidente de todos os portugueses” é, pelo menos na forma como habitualmente surge, um logro. Nenhum presidente representa “todos os portugueses” no sentido de ter que agir como cada um deles pretende. Seria, aliás, impossível. Não pode também pretender-se que represente os portugueses que elegeram o governo acima dos que o elegeram a ele. (Seria o que aconteceria se permanecesse sempre em silêncio perante todas e quaisquer medidas do governo.) Também não é, como muitas vezes se defende, um “árbitro”. Se o papel do presidente fosse apenas arbitral, bastar-lhe-ia conhecer as regras “do jogo” (definidas na Constituição) e a ideologia seria irrelevante, pois não iria decidir em função dela. Elegê-lo seria um contra-senso. Poderia ser nomeado ou até sorteado. Um presidente é eleito depois de apresentar um conjunto de posições e de convicções e deve presidir em função delas. Obviamente, não tendo poder executivo, deverá procurar consensos com o governo e só o afrontar quando achar indispensável fazê-lo. Mas tem o direito de o fazer. Mais: tem o dever. Em função das suas próprias convicções, cada cidadão decidirá então se ele tem ou não razão. Mas não o pode criticar por falar.

 

(Fotos retiradas do site da Presidência da República.)



publicado por José António Abreu às 13:11
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
O estado do governo

Pela primeira vez um debate sobre o Estado da Nação serviu verdadeiramente para a nação perceber alguma coisa sobre o seu estado ou, pelo menos, sobre o estado dos seus representantes. O acto de Manuel Pinho é apenas o corolário dos repetidos actos de autismo e de arrogância deste governo, cheio de pessoas medíocres que se multiplicam pelos diversos níveis do Estado, chefiado por um político inculto e mais que medíocre, apenas preocupado com a forma como as coisas parecem e não como elas são (as histórias da sua licenciatura e dos seus projectos, para além das repetidas encenações do governo, mostram-no à saciedade) e incapaz de aceitar a crítica. Os consultores de Obama devem estar a perguntar onde diabo vieram parar. 



publicado por José António Abreu às 21:47
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Sábado, 30 de Maio de 2009
Vital e as declarações (escolher adjectivo no texto).

As repetidas declarações de Vital Moreira sobre a necessidade de Manuela Ferreira Leite tomar uma posição sobre o caso BPN são – inspirar fundo – demagógicas, populistas, ridículas, impróprias, patetas, vergonhosas, descaradas, estrambólicas, irritantes, indecorosas, trogloditas, presunçosas, canalhas, soezes, escandalosas, vis, torpes e descabidas. Eu sei que alguns dos termos são sinónimos mas espero que a apresentação sequencial reforce a ideia que pretendo passar. Incluí indignas?

 
O caso BPN é uma vergonha para os directamente implicados e para o Banco de Portugal (apesar de fortíssima concorrência, grande candidato ao prémio de instituição nacional mais incompetente nos últimos anos). O tempo que Dias Loureiro demorou a sair do Conselho de Estado é lamentável, em especial pela posição em que deixou Cavaco. A promiscuidade entre a política e os grandes grupos económicos, especialmente mas não apenas os do sector financeiro, é um dado adquirido. Mas PSD e PS não são diferentes nesta área. Até prova em contrário, o PSD é alheio ao facto de alguns seus militantes (e ex-governantes) estarem envolvidos no escândalo BPN (uma instituição privada até à recente nacionalização). Pretender o contrário é assumir que quaisquer eventuais problemas que ex-governantes do PS venham a ter nas empresas onde se encontram (e são tantos…) devem reflectir-se no PS. E que, nos tempos do processo Casa Pia, o partido devia explicações pelas suspeitas que recaíam sobre alguns dos seus membros. Ou, como lembrou ontem Tiago Moreira Ramalho no Corta-Fitas, o partido tem que explicar a participação de Jorge Coelho no caso da Valor Alternativo, onde, aliás, era sócio de Dias Loureiro. Ficamos a aguardar que Vital exija esclarecimentos a Sócrates.
 
Contudo, o ponto mais grave não é o desvario de Vital: é ele já não estar em desvario. O facto de ter insistido no assunto, mesmo após a demarcação de Maria de Belém (honra lhe seja feita) e do desconforto de outros socialistas, indica aprovação superior. O PS – e o PS é Sócrates – entende que esta é uma linha de conduta adequada. Para um homem com cadeiras de uma licenciatura feitas por fax, envolvido num caso grave de eventual corrupção enquanto no exercício de um cargo governativo (e não estou a dizer que ele é culpado; de momento, é-o tanto quanto Dias Loureiro), conhecido por reagir mal a críticas e por tentar controlar a comunicação social (através de leis da Assembleia da República, ataques directos a noticiários, acção do inefável Santos Silva ou da inenarrável ERC, etc.), queixando-se constantemente de ser alvo de campanhas negras, convenhamos que é uma linha de conduta que no mínimo revela alguém que não se enxerga.
 
Permitam-me uma curta e previsível digressão. Não sou fã de Santana Lopes (entendi perfeitamente a decisão de Jorge Sampaio de dissolver a Assembleia da República em 2004) mas imagine-se o alvoroço em que este país estaria se ele fosse primeiro-ministro e estivesse envolvido em tantos casos dúbios como está Sócrates. Imagine-se o alvoroço se um governo dele fizesse tantos ataques à comunicação social e tentasse aprovar leis para a manietar. (Quando no poder, o PSD também gosta de a controlar – que partido não gosta? – mas, e isto é uma espécie de elogio, é muito mais trapalhão nas tentativas que faz.) Alguém acredita que tanta gente se apressaria a enunciar riscos de colapso político e financeiro em caso de queda do governo? Às vezes parece que querem fazer-nos acreditar que Sócrates é insubstituível. Não é. Pretendê-lo só pode ser táctica política. Acreditar, um atavismo Sebastiânico. Igualmente preocupante é a hipótese em que o PS parece crer de que as tiradas de Vital podem transferir intenções de voto do PSD para o PS. Pelo que revelam do PS e, a ser verdade, dos eleitores.
 

Enfim. Aguardemos a próxima tirada do emérito, insigne e distinto professor de Direito. Felizmente já não temos que o aturar durante muito mais tempo.



publicado por José António Abreu às 10:59
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Tabelinha reveladora.

No Blasfémias. Ou como Sócrates é perseguido e Dias Loureiro o vilão do século. (Para que não fiquem dúvidas, acho muito bem que este saia finalmente do Conselho de Estado. Mas e então Sócrates? Ou, vá lá, Lopes da Mota?)



publicado por José António Abreu às 18:14
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2009
Os velhotes da ERC, a TVI e o governo.

Ponto um: não gosto do estilo da TVI e muito menos do de Manuela Moura Guedes.

 

Ponto dois: já não acredito em Sócrates. Isto não quer dizer que o ache culpado ou inocente no processo Freeport: depois de tantos casos dúbios e de tantas tentativas de manipulação (para quando a renúncia de Lopes da Mota?), a culpa que me interessa é política e não judicial. Em qualquer país decente, ele já teria sido forçado à demissão.

 

Ponto três: esta condenação do jornal da noite de Sexta-Feira da TVI por parte da ERC é uma aberração. Talvez não o fosse tanto se a ERC também já tivesse condenado a informação da RTP, claramente pró-governamental (e não é preciso ser tão papista como Pacheco Pereira é para o constatar). Assim, parece mais um frete feito ao governo. Já agora, as queixas vieram de quem? Talvez de proeminentes figuras locais ou regionais do PS?

 

Ponto quatro: imagine-se o que seria se o PS conseguisse passar a sua leizinha sobre a comunicação social.

 

Conclusão: qual gripe suína! Ataquem-se antes os germes do autoritarismo e da exigência de respeitinho pelo poder, que se dão às mil maravilhas com os ares de Portugal e fazem estragos na saúde pública há séculos.



publicado por José António Abreu às 16:58
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Cavaco Silva: deve ouvir-se o que diz ou imaginar-se o que pensa?

José Miguel Júdice faz hoje no Público uma análise da relação entre Cavaco Silva e José Sócrates e, como muitos outros, especula sobre as razões para o recente “recado” do presidente. (Aqui, mas reservado a assinantes.) Ao longo de todo o artigo, Júdice pondera intenções, jogos políticos, manobras calculistas. Acaba com uma crítica forte ao presidente. Nem por um momento analisa a hipótese de Cavaco ter dito o que disse por – oh, surpresa nestes tempos de declarações cifradas – recear pelo futuro do país. Não duvido, como escrevi aqui, que ele possa ter outros motivos para andar irritado com Sócrates e com o PS. Não sou sequer fã dele (não gosto do estilo hirto e detestei muito do que fez e/ou permitiu fazer durante a segunda maioria absoluta do PSD), mas penso que merece o benefício da dúvida. Se há tantas pessoas preocupadas com o estado do país e com as medidas hipotecárias em que o governo tem insistido, por que não pode o presidente está-lo também? Deveria calar a preocupação? Em termos eleitorais, provavelmente ganharia em fazê-lo. Como Júdice reconhece, ser-lhe-á mais fácil conquistar um segundo mandato se Sócrates e o PS obtiverem uma nova maioria absoluta. Mas, nesse caso, por que fala? Será possível? Estará o homem apenas genuinamente preocupado?



publicado por José António Abreu às 21:59
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
Cooperação estratégica? Onde?

Sócrates e o PS já não disfarçam. A resposta (ver Público e SIC) do primeiro-ministro ao discurso de Cavaco Silva prova-o.

 

Ponto um: Cavaco tem razão e deve falar (se não conseguir fazer inverter o rumo das coisas, pelo menos que, daqui a uns anos, quando a factura vier, não existam dúvidas sobre quem foi responsável por ela). Suspeito que lhe é difícil assumir este papel (a recordação de Soares não o deve largar). Mas tem que falar. Tem que chamar a atenção para as evidências. O caminho que o governo pretende seguir, de mais e mais endividamento, quando já nesta altura não temos folga, é suicidário. Não para os boys, resguardados nos seus cargos públicos ou encaixados nos conselhos de administração das empresas privadas que dependem do estado (quase todas as importantes), ou mesmo razoavelmente seguros numa carreira de professor ou de militar ou de profissional da saúde. Para esses, a baixa de rendimento será uma realidade mas não notarão nada de catastrófico (são os mesmos que, verdadeiramente, ainda não sentiram a crise). Os restantes pagarão a maior parte da factura. (E os alemães, e os franceses, e todos os outros cidadãos de países do euro, que alimentam o nosso desperdício há mais de vinte anos e que, mesmo contra vontade, terão que nos continuar a dar dinheiro para salvaguardar a cotação da moeda; há ainda alguém que conteste a nossa adesão ao euro?)

 

Ponto dois: desde o caso do estatuto dos Açores, em que sentiram o pulso ao presidente, Sócrates e o PS têm tratado Cavaco como irrelevante. Talvez estejam certos: Cavaco não geriu bem a questão dos Açores. Inicialmente, talvez tenha até sido ele a tentar ver se Sócrates podia ser levado a ceder. Falhou em toda a linha. Aparentemente, Sócrates deixou de o respeitar. Permite-se agora tratá-lo da mesma forma que trata Ferreira Leite e apenas ligeiramente melhor do que trata Louçã. De certa forma, é bem feito para Cavaco (nos anos 90, Soares exagerava mas Cavaco também nunca reconheceu que, por vezes, ele tinha razão). Mas, para o país, a indiferença com que o governo trata o presidente (veja-se o caso da lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, vetada por Cavaco com a indicação de que não é urgente, levada pelo PS a nova votação tão depressa quanto conseguiu, sem efectuar alterações significativas) e todas as vozes críticas é, no mínimo, assustadora. Sejamos francos: o espírito democrático nunca desceu verdadeiramente sobre portugueses com poder.

 

Ponto três: há quem absolva Sócrates com o argumento de que Cavaco seguiu as mesmas receitas. Precisamente. Por isso sabe do que fala. Por isso estava farto do PSD no final da segunda maioria absoluta. Cavaco aprovou o estatuto da função pública, que levou ao "monstro". Cavaco não conseguiu evitar que, então como agora, uma súcia de parasitas infestasse o estado. Cavaco apostou no investimento público. Mas, ainda assim, há algumas diferenças. Os funcionários públicos ganhavam mal. Permitir-lhes um melhor nível de vida teria sido justo se depois se tivesse controlado o seu número. Bastava isso. Mas o próprio estatuto, as subidas automáticas de escalão, os aumentos salariais, tudo deveria ter sido revisto quando as nuvens começaram a escurecer. Guterres não teve coragem. Ficou a ver a chuva transformar o país no famoso "pântano" (a imagem é fraquinha mas o assunto não me inspira melhor). Para finalizar, e no que respeita ao investimento público, quando Cavaco chegou ao poder não havia auto-estrada para o Algarve. Da auto-estrada Lisboa - Porto existia metade. Agora temos duas e parece que vai ser construída uma terceira.



publicado por José António Abreu às 20:36
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