como sobreviver submerso.

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Perfil rápido: Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite até pode ser a tal professora tradicional que já foi acusada de ser. Mas é uma daquelas professoras que sempre se preocupou verdadeiramente com os alunos, a ponto de, por vezes, ter confundido preocupação com rispidez. E é hoje uma professora reformada. Muito mais solta, e disponível para sorrir de vez em quando.



publicado por José António Abreu às 22:20
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Gato Fedorento, Sócrates e Ferreira Leite: preliminares e pequenos orgasmos

As mini-entrevistas do Gato Fedorente a José Sócrates e Manuela Ferreira Leite foram tão ou mais reveladoras que os debates das últimas semanas. Comecemos por Ferreira Leite. Para surpresa de muitos, ela mostrou ter sentido de humor. Mostrou também que, independentemente do ambiente e do género de questões que lhe são colocadas, age sempre de forma espontânea. Mais importante, percebeu que a forma correcta de encarar o programa não era tentar usá-lo para fazer pequenos discursos eleitoralistas sempre que as perguntas de Ricardo Araújo Pereira lho permitissem. Respondeu a RAP no mesmo tom de ironia que este usava nas perguntas, sem pretender ser pedagógica e quase parecendo não estar preocupada com as consequências eleitorais das respostas. A conversa de Ferreira Leite com RAP aproximou-se daquelas conversas plenas de provocações e duplos sentidos que, no fundo, são jogos de sedução mesmo quando não acabam na cama (há até alturas em que, existindo a possibilidade de isso suceder, se prefere adiar o momento, mesmo arriscando a sua concretização, para continuar a degustar a conversa). E tanto assim foi que ela não se coibiu de reflectir perguntas para RAP, invertendo-lhes a lógica, num puro jogo de – perdoem-me a repetição do termo – provocação. Já Sócrates não está para preliminares. A conversa é um meio, não um fim. Sócrates deseja passar à acção. As entrevistas – os preliminares – são uma chatice tão grande quanto a burocracia europeia ou a resistência dos irlandeses à perfeição do tratado de Lisboa. Na entrevista com RAP usou a táctica do costume: pensou longa e clinicamente na abordagem a usar, aplicou-a numa prestação digna de um razoável actor de épicos teatrais ou de um engatatão de meia tigela (usando frases como “deixe-me dizer-lhe que você está elegantíssimo”, “prometi aos meus filhos que ia ser bonzinho” ou “os meus filhos bem me avisaram”, o que prova que lê – ou talvez Silva Pereira o faça por ele – aquelas revistas onde se informa que homens disponíveis com filhos ou animais são especialmente atraentes), e, sem disposição para conversar pelo puro prazer de conversar, passou tão depressa quanto conseguiu ao que realmente lhe interessava: fazer mini-discursos 'comicieiros' (os seus pequenos orgasmos). Perguntou com frequência “Esta não foi má, pois não?” ou algo do género, revelando o macho demasiado autoconsciente que já sabíamos que vive dentro dele. Não me surpreenderia que Sócrates tivesse saído do programa a pensar, qual Zezé Camarinha nos seus tempos áureos, que não há quem lhe consiga resistir, totalmente alheado do facto de que, na realidade, muita gente o acha insuportável e pouca gente sente verdadeira atracção por ele. Já Manuela Ferreira Leite, sem a mesma prosápia, acabou por mostrar-se uma senhora com quem a gente não se importaria de conversar durante umas horas, trocando piadas sobre os penteados do Pacheco Pereira, as palavrinhas amorosas entre Aníbal e Maria Cavaco Silva, ou as mil e uma declarações aparentemente inócuas capazes de ultrajar a esquerda.



publicado por José António Abreu às 21:18
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
O derby

A SIC publicitou o debate entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates como se fosse um jogo de futebol decisivo para o campeonato. Com repórteres junto aos 'hotéis' onde as equipas se 'concentravam', pormenores sobre as actividades dos jogadores durante a tarde e as características do equipamento a usar (obrigado pela informação, tão útil aos daltónicos, de que a gravata de Sócrates era "azul petróleo"), transmissão em directo da chegada ao 'estádio' (infelizmente não havia claques e também ninguém atirou pedras aos 'autocarros' – onde é que andam os rapazes e raparigas do Jamais e do Simplex quando são precisos?). Tal encenação só pode ter sido para desmentir o Pacheco Pereira que se farta de dizer que neste país se presta mais atenção ao futebol que à política.

 

Quanto ao debate propriamente dito, apetece-me fazer uns comentários mas, ao mesmo tempo, não. Bom, duas notas breves:

Primeira: não me pareceu tanto um debate político quanto uma discussão entre duas pessoas casadas há muitos anos: "És uma velha rezingona"; "E tu és um teimoso e só fazes o que queres"; "Não tens ideias novas, vives no passado e estás sempre a mudar de opinião"; "E tu gostas é de gastar dinheiro que não temos"; "Queres dar cabo do que eu construí"; "Nunca fizeste nada de jeito que não tivesse sido começado por mim"; "Até há pouco tempo dizias que eu era bom em muitas coisas"; "Ó filho, tu nem na cama eras–"; bom, já perceberam a ideia.

Segunda: houve, apesar de tudo, um claro vencedor ou, melhor, uma clara vencedora. Sim, ela mesmo: alguém sabe qual é o partido da Clara de Sousa e onde me posso filiar?



publicado por José António Abreu às 00:56
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Expondo os flancos

O grande problema da indefinição ideológica de Manuela Ferreira Leite e do PSD, preocupados que estão em não assustar os votantes mais à direita com propostas de esquerda e os votantes mais à esquerda com propostas de direita, é que abre espaço em ambos os lados do espectro para que outros possam surgir como mais atractivos para quem prefere clareza. Paulo Portas percebeu-o e mostrou, no debate que acabou há pouco, quão grave isso pode ser para o PSD.

 

(Isto partindo do princípio que a ideologia e as propostas concretas ainda significam alguma coisa neste país.)



publicado por José António Abreu às 22:17
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
O passado

Na questão da venda da rede fixa à PT, Manuela Ferreira Leite deveria ter apenas declarado que fez o que entendeu dever fazer, considerando as circunstâncias que já por várias vezes explicou: a necessidade de manter o défice abaixo dos 3% e a inexistência – à época – de folga temporal para o reduzir por outras vias. Poderia ter acrescentado que a decisão política até vinha do governo Guterres – mas depois de assumir o acto.

 
A questão é relativamente pouco importante, uma vez que não há indícios de corrupção e, tudo o indica, o PS teria feito o mesmo, provavelmente (di-lo Ferreira Leite) por um preço inferior. A ingerência dos governos Santana Lopes e Sócrates nos negócios da PT, alegadamente para “corrigir” linhas editoriais, é mais grave.
 

Ainda assim, o caso permite-me lembrar Sócrates e o PS em 2004 e inícios de 2005. Nessa altura eles bramavam que o que se passara durante os governos do engenheiro Guterres era irrelevante. A crise devia ser totalmente atribuída aos governos PSD/CDS. Sócrates afirmou dezenas de vezes, no seu estilo onde apenas Ana Lourenço consegue introduzir a dúvida e a humildade, que a direita culpava Guterres para esconder o seu próprio fracasso. Hoje é o PS que tenta desenterrar o passado; que, no fundo, continua a esforçar-se por demonstrar que os governos PSD/CDS foram maus. Bom, meus caros, isso não é novidade para ninguém. Mas deixem que vos diga duas coisas: o governo de Durão Barroso ocorreu durante um período de quebra económica a nível europeu e teve a oposição da comunicação social e do Presidente da República, enquanto o vosso desfrutou nos primeiros anos de alguma retoma económica e teve durante muito tempo uma comunicação social e um Presidente cooperantes; e, parafraseando-vos, o que se deve discutir em 2009 são as vossas políticas. São elas que falharam. E, por muitas trapalhadas que os governos PSD/CDS tenham feito, nenhum deles atingiu o vosso nível de arrogância e de assalto ao poder.



publicado por José António Abreu às 20:52
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Depois do Sócrates manso, uma Manuela Ferreira Leite solta e irónica

«Eu vi e revi para ver se em algum momento ele tinha sussurrado - porque ele falou em tom muito baixo...»

 

Algumas pessoas foram-no dizendo mas ninguém acreditava. Mesmo agora, muitos continuarão certamente a negar que seja possível. A verdade é que quando as coisas começam a correr bem as pessoas soltam-se. Eu já a imaginava mandando piadas subtis ao Pacheco Pereira (na minha cabeça, ele ria-se quando o alvo eram o Primeiro-Ministro ou Luís Filipe Menezes mas remexia-se na cadeira com um trejeito facial dúbio por baixo da barba quando ela procurava saber se ele costuma ir tomar banho à noite na fonte luminosa ou no monumento ao 25 de Abril) mas agora é oficial: Manuela Ferreira Leite tem sentido de humor e já se sente à vontade para o utilizar. Claro que a actuação de Sócrates na semana passada ajudou: até o sisudo mais empedernido tem vontade de sorrir e mandar piadas ao lembrar-se dela.

 

De resto a entrevista correu-lhe bem. Mesmo sem apresentar grandes propostas conseguiu justificar as críticas que faz. Esteve solta e credível. E com o ataque à compra dos 30% da Media Capital por parte da PT (totalmente justificado - quando é que os negócios em Portugal passam a poder ser analisados apenas pelo seu mérito económico-financeiro?) ganhou um aliado inesperado: Ricardo Costa ficou tão agradecido pela chance de ajudar a desmascarar o arranjinho que, em certos momentos do debate pós-entrevista na SIC Notícias, pareceu disputar com Graça Franco o lugar de comentador mais pró-PSD. Bom, considerando que os outros eram Luís Delgado e Mário Bettencourt Resendes, também não era difícil.



publicado por José António Abreu às 22:39
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