como sobreviver submerso.

Sábado, 30 de Dezembro de 2017
A alegria de saber que há locais onde a austeridade acabou mesmo
Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

 

Lisboa tem excepção que permite mais 96 assessores e ‘plafond’ de 20 milhões.

O Regime Jurídico das Autarquias Locais (RJAL) permite aos grandes municípios (com mais de 100 mil habitantes) terem 22 membros nos gabinetes dos vereadores e do presidente da câmara. Dada a sua dimensão, Lisboa é objecto de uma excepção que é aprovada, mandato após mandato, pelo executivo municipal. De acordo com a proposta de Fernando Medina aprovada em reunião de câmara no início deste mandato — apenas com a abstenção dos dois vereadores do PCP — os vereadores, os respectivos grupos políticos e o presidente podem contratar 96 pessoas para os gabinetes: 71 assessores e 25 funcionários de apoio administrativo. A estes 96 juntam-se os 22 já garantidos. Contas finais: 118 assessores/adjuntos.

 

Um dado já estabelecido, mas que a notícia confirma - ide lê-la, ide -, é o cuidado tocante, nesta época de insensibilidade e egoísmo, que os socialistas revelam no apoio à famiglia. Perdão, à família.


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publicado por José António Abreu às 16:55
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015
Do admirável mundo novo socialista ou nem por isso o ar está a ficar menos irrespirável
Primeiro, em nome do ambiente, dificulta-se a vida a todos os cidadãos sem posses para ter um automóvel recente e facilita-se a vida a todos os que têm. Depois oferecem-se excepções (e subsídios) a classes profissionais cujos veículos - pela utilização intensiva a que se encontram sujeitos - poluem muito mais do que qualquer veículo particular. Finalmente, estuda-se a implementação de um sistema de leitura automática de matrículas para cair em cima de eventuais prevaricadores (que, malandros que são os portugueses em geral e os dos arredores de Lisboa em particular, podem bem decidir usar a sua velha carripana em dia de greve dos transportes públicos).


publicado por José António Abreu às 10:48
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Domingo, 21 de Março de 2010
Lisboa

 

Pelas ruas.
Não lhe calcorreava as ruas há muitos anos. Passei em Lisboa grande parte da semana e consegui tirar um par de horas para o fazer. A memória é dúctil e sujeita à corrosão do tempo. Mas não me lembro de ver tantos graffiti pelas paredes (alguns são bonitos: na desolação que é o Parque Mayer, as pinturas foram o único elemento que me extraiu um sorriso) e, mais importante, tantas pessoas pedindo na rua ou cambaleando e murmurando pelos passeios. Lisboa dá ideia de ter perdido lisboetas e ganhado uma amálgama de gente desenquadrada, à procura de um lugar que a cidade não tem para oferecer. Muitas destas pessoas são imigrantes; têm diferentes tonalidades de pele mas sempre expressões fechadas, de desilusão, receio e, num ou noutro caso, agressividade. Nos bairros tradicionais, continua-se envelhecido e com olhar triste. Entretanto, há quem passe dentro de Porsches Cayennes com vidros escurecidos, ou saia carregado de sacos das lojas de luxo da Avenida da Liberdade. Alguns destes aspectos são comuns a outras cidades nacionais. Ao Porto, desde logo. Mas – será apenas uma sensação nascida do longo afastamento, do encontro com tantos pedintes, do estaleiro instalado no Terreiro do Paço, do pessimismo trazido pela década de crise? – Lisboa surgiu-me também menos ampla e arejada, como os compartimentos da infância surgem pequenos quando revisitados em adulto. Eram os meus pontos favoritos: a amplitude, a luz, a possibilidade de não sentir a opressão das cidades escuras. Pode dar-se o caso das diferenças estarem em mim e não em Lisboa. De serem os meus olhos que estão mais pessimistas. É possível. Em princípio, regressarei em Maio. Logo verei se as coisas me parecem diferentes.
 
Eléctricos.
Foi nas conversas com algumas pessoas que a alegria e irreverência de Lisboa ainda deu sinal de si. Uma rapariga que conduziu eléctricos durante um ano e meio descreveu-me, por entre risadas onde o sarcasmo se misturava com a ternura, como os eléctricos têm de parar a cada «cinco metros» por causa de carros mal estacionados que os passageiros, turistas incluídos, arrastam para o lado; como em certas zonas (no Martim Moniz, por exemplo) se passa a alta velocidade («para um eléctrico, claro») junto aos veículos estacionados, rezando para que ninguém abra uma porta; como ainda há pessoas que colocam a mão na anca e vociferam contra os atrasos em estilo marialva e sotaque tipicamente lisboeta; como se descarrila um eléctrico ou, por pura distracção ou por se estar a controlar os carteiristas, não se acciona a mudança de linha no momento certo, tendo que se parar o veículo e passar pela vergonha de descer e executá-la manualmente; como os furtos são constantes e encarados com a resignação dos factos incontornáveis; como, acima de tudo, todos estes acontecimentos são catalogados, para usufruto e apaziguamento dos magotes de turistas, como sendo «very typical».
 
Toda a gente precisa de se agarrar a algo nos momentos em que as coisas andam difíceis. Para os que não acreditam num qualquer deus, a ironia talvez seja a melhor religião.

(Todas as fotos foram tiradas em Lisboa entre Terça e Quinta-Feira passadas.) 


publicado por José António Abreu às 19:45
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Movimento "Cidadãos por uma Lisboa Socialista"

Helena Roseta cedeu. O movimento "Cidadãos por Lisboa", que lidera, concorre às eleições para a Câmara de Lisboa integrado nas listas do PS. Esta coisa dos movimentos de cidadãos tem alguma lógica. Mas não quando as suas convicções são tão firmes (ou tão distintas) que rapidamente aceitam a integração num dos principais partidos em troca do proverbial prato de lentilhas. A ideia que ficou é que nas últimas horas Roseta e Costa andaram a discutir assuntos tão fundamentais como o lugar em que ela concorreria (segundo), se substituiria ou não Costa em caso de impedimento deste (a resposta é não), quantos elementos do movimento estariam em lugares elegíveis (dois, num total de quatro que integrarão as listas). Políticas para a cidade? Não ouvi nada. Aliás, não sei mesmo quais as diferenças fundamentais entre Costa e Roseta, pelo que esta coligação é capaz de fazer sentido. O movimento "Cidadãos por Lisboa" é que talvez não. Ah, esperem, vão concorrer autonomamente a algumas freguesias porque, segundo Roseta, é aí, no nível mais próximo dos cidadãos, que o movimento mais tem razão de ser. Suponho que ela ainda não leu a opinião da Maria Filomena Mónica sobre as Juntas de Freguesia (just for the record, eu também não sei quem é o presidente da minha). Assim como assim, Costa está de parabéns. Depois do "Zé", a Helena. Paulatinamente, está a aglutinar à sua volta todos os valorosos espíritos "independentes" que a cidade de Lisboa tem para oferecer. Com jeitinho, ainda vai buscar a Maria José Nogueira Pinto só para entalar o Santana e o Portas...



publicado por José António Abreu às 17:52
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Domingo, 12 de Julho de 2009
A carga pronta metida nos contentores

Segundo o i, há suspeitas de que o ministério das Obras Públicas pode ter descurado o interesse público na cedência dos direitos de exploração do Terminal de Contentores de Alcântara à Liscont. Mário Lino já negou, Jorge Coelho deve fazê-lo de seguida. Afinal, ele até afirmou esta semana que a Mota-Engil anda a ser prejudicada pelas decisões governamentais...



publicado por José António Abreu às 16:31
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Sábado, 11 de Julho de 2009
O navio

Pode ser uma injustiça colocar as coisas nos termos em que o vou fazer no final deste post. António Costa sempre me pareceu um homem razoavelmente ponderado, longe do estilo histérico-acéfalo de outros socialistas durante estes quatro anos e meio de poder absoluto do PS. Ainda assim, as críticas recentes ao governo, reiteradas (por palavras e silêncios) na entrevista de hoje ao jornal i, surgem como tardias e oportunísticas. Enquanto Sócrates pareceu imbatível, tudo era perfeito ou, pelo menos, todas as queixas eram caladas. Só me ocorre dizer que  o navio socialista dá sinais de meter água e que os primeiros tripulantes começam a tentar abandoná-lo.



publicado por José António Abreu às 12:55
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Lobo Antunes na New Yorker e Portugal hoje.

Extenso artigo sobre António Lobo Antunes na New Yorker. Interessante mas deprimente para qualquer português (mesmo os que, como eu, têm poucas ilusões acerca do país). A amargura de Lobo Antunes (que respeito, apesar de não ser um dos meus autores favoritos), é escalpelizada pelo autor do artigo, originando o retrato de um povo triste, sem rumo, órfão de grandezas desaparecidas há quatro séculos, mergulhado num consumismo inane. Duro – mas provavelmente não longe da realidade.

 
É interessante ver que também a New Yorker não evita a comparação Lobo Antunes – Saramago, e que este, ao contrário de Lobo Antunes, é considerado optimista. Que povo estranho devemos efectivamente ser, quando Saramago surge como optimista.
 
Para terminar, uma frase acerca de Lisboa e dos vestígios das grandezas passadas, com um final assassino: Lobo Antunes’s implosion of Portuguese history works so well because revenants from the country’s grandiose past can be seen all over Lisbon, stiff with rigor mortis.
 

Se calhar é por estas coisas que, nas campanhas publicitárias, usam antes pessoal do futebol.



publicado por José António Abreu às 19:34
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