como sobreviver submerso.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2015
Destes tempos de simplicidade, quiçá de involução linguística

O léxico mingua. Camilo conglobava uma miríade de vocábulos hoje alóctones. Qual filigrana rococó, Aquilino desembuçava concatenações multifárias e buriladas. Hoje, bulhufas. Mas as sarandalhas palmeiam. Pascácios conjecturando-se paladinos do discernimento coagem a aceleração da declividade, assestando vitupérios na Internet sobre almas ensimesmadas que se afoitam à geração de verbetes prenhes de ímprobas lexias. Pelejar é supervacâneo. Antes arriar.



publicado por José António Abreu às 16:25
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013
O país dos eufemismos

No emprego, enviam-me uma mensagem de correio electrónico com a informação de que algo é "mentira" (assim mesmo, com aspas).



publicado por José António Abreu às 17:54
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
Dúvida linguística para maiores de 18

Por que é que «mariquinhas» e «coninhas» significam mais ou menos o mesmo?



publicado por José António Abreu às 10:11
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012
Vírgulas e parêntesis

Travamos lutas ferozes em que sou sempre derrotado.

 

(A sério, leiam os meus posts e confirmem.)

 

(Oh, m...)



publicado por José António Abreu às 13:39
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Domingo, 30 de Setembro de 2012
Politicamente correcto oblige

Na televisão, um comentador de corridas de automóveis refere-se a uma mulher como «piloto». Fico à espera de que alguém envie para lá uma mensagem de protesto e ele tenha de se retractar mas, talvez porque as mulheres não vêem corridas de automóveis, a coisa passa incólume. Não devia, porém: se um presidente do sexo – perdão, do género – feminino é agora uma presidenta, por maioria de razões uma rapariga que participa em corridas de automóveis tem de ser uma pilota.



publicado por José António Abreu às 23:23
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
De que «português» estarão a falar? E who cares?

É impressionante a quantidade de embalagens de filmes e séries apresentando erros ortográficos (sendo que muitas edições são portuguesas, não vêm de Espanha como o exemplo acima). Parece, aliás, que o número tem vindo a aumentar, tal como, sei lá, o dos erros nos rodapés dos noticiários televisivos. A circunstância incomodou-me durante algum tempo, confesso. Depois percebi que, atendendo à nossa indiferença pela língua, que a fácil implantação do Acordo Ortográfico deixou patente (muito embora, no caso daquela gente ansiosa por se sentir progressista, «indiferença» seja a palavra errada; tratou-se antes de um entusiasmo próprio de novos-ricos) e ao efeito potenciador desse mesmo Acordo na existência de diversas variantes aparentemente aceitáveis (as antigas, as novas, as que parecem novas), depressa muitos destes erros deixarão de o ser. Na verdade, com a regra do primado da fonética a ganhar terreno, «navegasão» já nem sequer constitui erro grave; apenaz um atu de vanguardizmu.



publicado por José António Abreu às 13:43
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2012
OK, vou então esperar mais uns dias...


publicado por José António Abreu às 12:55
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
Dos belos efeitos do Acordo Ortográfico (ou o que sucede quando se abre a caixa de Pandora)

Há portugueses a fornecer «contatos».



publicado por José António Abreu às 17:05
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
Campanha nas paredes do Porto (e juro que não fui eu que pintei)



publicado por José António Abreu às 19:03
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Terça-feira, 3 de Abril de 2012
Pelo inglês como língua oficial de Portugal
Hilariante e certeiro. Aqui.


publicado por José António Abreu às 17:24
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
Achincalhamento

Numa discussão no Delito de Opinião acerca do Acordo Ortográfico, José Navarro de Andrade classificou o assunto como "de somenos" quando comparado com "a indiferente sonolência perante o achincalhamento diário da gramática". Se o assunto é ou não de somenos, cada qual decidirá. Mas há um ponto que me parece óbvio: o Acordo ajudará a aprofundar o achincalhamento. Porquê? Simples. De forma geral, concorde-se ou não com as suas ideias e prioridades, os opositores ao Acordo preocupam-se com a língua portuguesa. Obrigá-los a usá-la numa forma que os agride é convidá-los a desinteressarem-se de tudo o resto.



publicado por José António Abreu às 14:03
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Quarta-feira, 21 de Março de 2012
Exclusões
Muitas coisas me irritaram neste país ao longo dos anos. Muitas coisas me fizeram exasperar, me levaram a pensar que não me encaixava, que estava à parte, desenquadrado, afastado da aparente maioria. Questões políticas, culturais, sociais. Das mais importantes, como ter de suportar os efeitos de resultados eleitorais que sempre me parecera evidente irem conduzir o país à catástrofe financeira, às (aparentemente) mais comezinhas, como viver com a nossa tendência para criticar por trás e bajular pela frente ou com a incapacidade para cumprir horários. Mas em todos estes casos me foi – e é – possível racionalizar: perceber que houvera debate e o meu lado perdera, que ampliamos os defeitos dos que nos estão mais próximos e tendemos a construir uma imagem dourada de quem não contactamos diariamente, que o próprio sentimento de exclusão nasce com frequência de uma experiência particular e passageira, que todas as generalizações são abusivas.

 

Nenhuma situação, porém, me fez sentir tão excluído como o Acordo Ortográfico. De cada vez que, na televisão, vejo legendas usando aquilo a que agora chamam português, de cada vez que, numa livraria, pego num livro e o folheio em busca de palavras que me confirmem o que já é quase regra (após o que o pouso novamente e me afasto, cabisbaixo), de cada vez que, junto a um expositor de filmes e séries, verifico que – abrir a caixa de Pandora tem sempre consequências imprevistas – começam a surgir edições em que as legendas não apenas seguem a ortografia prevista no acordo mas estão cem por cento em brasileiro, com tudo o que isso significa a nível lexical e de construção frásica (entrem numa Fnac e leiam a indicação de legendas da edição em Blu-ray do Casablanca), de cada vez que qualquer destas coisas acontece eu sinto-me um estranho no meu próprio país; pior, um estranho na minha própria Língua.

 

Claro que este tipo de reacção – de lamento, se quiserem – será encarado com o desdém habitual nos defensores do acordo quando confrontados com «velhos do Restelo» como eu. Com o desdém dos que têm a força (nem sequer a lei) do seu lado e não sentem necessidade de justificações técnicas (estas ficam quase sempre para os opositores ao acordo e acabam ignoradas por um público que prefere os chavões da «evolução» e das «vantagens da mudança» a analisar os assuntos em profundidade). Mas a questão principal nem é saber se os opositores são velhos do Restelo ou os apoiantes gente que, na sua pequenez, gosta de sentir-se a moldar a História (sim, é isso que penso). A questão é que, antes, aqui ou em qualquer outro país de língua oficial portuguesa, independentemente das diversas ortografias, todos usavam o português e ninguém se sentia violentado. Pelo contrário: as diferenças – não só ortográficas mas também lexicais – eram parte integrante do prazer que se obtinha ao contactar com obras (e pessoas) de outras zonas geográficas. Certamente nenhum português se sentiu alguma vez excluído ao ler Rubem Fonseca ou Mia Couto como nenhum brasileiro ou moçambicano se terá sentido excluído ao abrir um livro de Saramago ou de Lobo Antunes. É a imposição de uma normalização artificial que incomoda. A tentativa de forçar a História por decreto (algo que, em tantos e tantos domínios, insistimos em fazer). A Língua é um bem comum, não pertence à meia dúzia de políticos e outros tantos académicos que, imbuídos das melhores intenções ou da mais míope presunção, decidiram avançar para esta reforma. E não existe sequer racionalização que se possa fazer: não houve consulta popular nem verdadeiro debate, não é algo inevitável nem geral nem passageiro. Repito: antes ninguém se sentia violentado. Agora é diferente. Eu, por exemplo, sinto-me violentado. E, mais do que em alguma ocasião no passado, sinto que não encaixo neste país.



publicado por José António Abreu às 08:43
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Consoantes mudas ou ainda o acordo ortográfico

É uma cobardia atacar os que são demasiado fracos para se conseguirem fazer ouvir.



publicado por José António Abreu às 18:02
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
Grão a grão...

No último editorial que escreveu enquanto director da Ler, Francisco José Viegas anuncia para Setembro a implementação do acordo ortográfico na revista. É pena. Mas estamos em crise. E se, por falta de opção, pode vir a existir um momento em que eu comece a comprar livros, jornais e revistas escritos segundo o acordo, esse momento não será em Setembro de 2011. Para mim e por enquanto, a decisão da Ler representa uma poupança de cinco euros por mês.



publicado por José António Abreu às 20:37
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Domingo, 13 de Março de 2011
«Charmosa professora» com «vida cristiã ejemplar»
Chama-se Quando a Noite Cai e foi lançado por uma editora sediada em Pontevedra, com sucursal em Vila Nova de Cerveira. Está na Fnac, na secção de drama, e presumo que em muitas outras lojas. Eu desconhecia-o. Os utilizadores do IMDb que se dão ao trabalho de classificar os filmes que vêem gostaram dele, o Roger Ebert não. A capa do DVD tenta fazê-lo passar por um filme erótico mas essa é uma estratégia habitual (Ebert classifica as cenas de sexo como «sweet» mas não demasiado ousadas). Seja como for, tudo isso é secundário perante este texto. Acordo ortográfico? Qualquer dia não existirá é português.


publicado por José António Abreu às 00:07
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Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011
Pedido às editoras nacionais

Adoptem lá o malfadado acordo ortográfico. Preciso de parar de comprar livros. Possuo demasiados e o Kindle tem estado tão inactivo...

 

(Com a Blitz, resultou. E já mal sinto vontade de pegar nela quando passo por um quiosque.)



publicado por José António Abreu às 21:57
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Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
Facilidade e evolução
 
 
Tentando recolher algumas assinaturas para a Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico (já participaram?), fui confrontado com dois argumentos a favor do acordo: facilita a vida, ao permitir escrever tal como se diz, e faz evoluir a língua. Ainda comecei a tentar explicar os argumentos contra o acordo (que não traz verdadeira uniformização e que até gera novas diferenças; que não tem uma lógica global porque em muitas palavras permanecem letras que se escrevem mas não se lêem, como o ‘h’ de ‘humanidade’ e o ‘u’ de ‘quero’; que não resolve questões de diferenças lexicais, como ‘autocarro’, ‘ônibus’ e ‘machimbombo’; que não foi ratificado por todos os países de língua oficial portuguesa e portanto não é realmente abrangente) mas depressa desisti, percebendo a inutilidade do esforço. Lutar contra dois argumentos que definem tão bem a época em que vivemos é uma batalha inglória. A facilidade, por um lado. Tudo aquilo que pareça mais fácil, que pareça exigir menor esforço, é bem-vindo. E pouco interessa que, na verdade, até possa não o ser – analisar a questão dá trabalho e por conseguinte não se faz. Por outro lado, a evolução. É um dos termos-chave da actualidade. Basta anexá-lo a qualquer mudança para que ela se torne automaticamente positiva. A evolução é boa. Gostamos da evolução. Desejamos a evolução. Excepto, claro, se exigir esforço ou comportar riscos. Nestes casos, preferimos – e defendemos – o statu quo. Nunca procuramos saber se a «evolução» gera pelo menos tantos problemas como os que cria porque, lá vamos nós outra vez, isso dá trabalho e nós defendemos a facilidade.

 

E assim limitamo-nos a ler os títulos dos jornais e os rodapés dos noticiários televisivos, a acreditar nos adjectivos com que somos bombardeados e a defender posições sobre as quais, verdadeiramente, nunca pensámos.

 

Adenda

Com a nossa apetência pela facilidade, encaramos frequentemente evolução e facilidade como sinónimos. Evoluir passaria então por tornar as coisas mais fáceis. É uma visão simplista. Considerem-se as seguintes posições: «Há os bons e os maus. Eu estou do lado dos bons.»; «Apesar de algumas notícias me fazerem por vezes duvidar, ninguém é apenas bom ou mau. Eu não o sou certamente.» Uma destas posições é mais simples, mais fácil de gerir. Mas não é certamente mais evoluída.



publicado por José António Abreu às 23:54
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011
Três países

A revolução democrática no Norte de África avança a um ritmo inesperado. A julgar pela imprensa e blogues nacionais, já são três países em convulsão: a Tunísia, o Egipto e o Egito.

 

(Como o Egipto, o Egito encontra-se pejado de egípcios mas não tem um único egício. O mundo da língua portuguesa é fantasticamente ridículo.)



publicado por José António Abreu às 21:19
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Eu sei que já ninguém liga a pormenores – mas ainda por cima no título?

 

«Não atires pedras a estranhos porque pode ser o teu pai»? Hmmm, tentemos de novo: «Não atires pedras a estranhos porque pode ser o teu pai». Diabos. Talvez à terceira: «Não - atires - pedras - a - estranhos - porque - pode - ser - o - teu - pai». Desisto. Ou há uma regra de concordância que desconheço (é possível; também não sei lá muito bem o que significa «eufemismo») ou o português deste adolescente trintão parece que muito conhecido é ligeiramente peculiar. 



publicado por José António Abreu às 13:08
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Domingo, 2 de Janeiro de 2011
Através de uma lenta politicamente correcta
O Brasil já tem uma presidenta. É pena que o nosso presidento não tenha ido à tomada de possa.


publicado por José António Abreu às 00:07
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Vai ser preciso mais
Deambulando por uma livraria à hora de almoço vi numa estante, lado a lado, duas lombadas com cores diferentes: uma escarlate, a outra azul. Em ambas, as palavras “Blonde” e “Joyce Carol Oates”. Pensei: olha, alguém decidiu reeditar o livro, dividindo-o em dois volumes. A ideia não me pareceu má. Por um lado, a edição da Notícias já tem uns anos; por outro, se ficam mais caras, obras volumosas lêem-se muito mais confortavelmente divididas em volumes (Montanha Mágica, estou a olhar para ti). Como nunca cheguei a comprar Blonde (uma ficção sobre os acontecimentos reais da vida de Marilyn Monroe), peguei no primeiro volume. Folheei-o. Li algumas frases avulsas. “Aprendizado difícil”? “Vestido em estilo coquetel”? “Suéteres justas e maiôs”? “Precisou comprar um carro de segunda mão para se locomover por LA”? Chequei a edição. Globo Livros. Av. Jaguaré, S. Paulo, Brasil. Recoloquei o livro na estante. Afastei-me. Vai ser preciso mais do que um acordo ortográfico.


publicado por José António Abreu às 16:52
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