como sobreviver submerso.

Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
Múltipla personalidade
Bruno Vieira Amaral promete dividir-se em dois. Ou em três, levando em conta A Douta Ignorância.


publicado por José António Abreu às 21:31
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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Mexia (não, o outro)
Pedro Mexia em forma é mesmo muito bom.


publicado por José António Abreu às 00:17
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
Plano inclinado
Li, no Dois Dedos de Conversa, este post sobre a melhor forma de controlar grunhos desejosos de mostrar que são tesos, e ri-me. Pensei: uau, que excelente ideia, é a mesma táctica da funcionária da Emel a quem o Lourenço Cordeiro sentiu que devia agradecer a multa! Mas logo a seguir não fui capaz de evitar outro pensamento (o meu cérebro faz o que quer) e a boa disposição desvaneceu-se como bafo em dia de Inverno (estou a tentar melhorar o nível das figuras de estilo dos meus posts). Já sabemos que as mulheres estão em maioria nas universidades Já sabemos que costumam ser melhores alunas do que os homens. Já sabemos que avanços na manipulação genética permitirão dispensar os homens no processo de reprodução. Já sabemos que é uma mulher quem actualmente manda na Europa, por muitas ilusões que um português ex-maoísta e um francês pequenino e hiperactivo mantenham. Já sabemos tudo isso. Era preciso virem agora tirar aos homens o domínio numa das poucas áreas em que nem costumava haver dúvidas de que eles levavam vantagem? Era preciso arranjar forma de demonstrar que as mulheres também são melhores nas actividades ligadas à força bruta? Para onde é que estamos a caminhar? Qualquer dia ainda se chega à conclusão de que as mulheres são melhores a desatarraxar tampas de frascos e a mudar pneus de automóvel e os homens vão fazer companhia ao dodó...

 

(A propósito: há por aí um linguista – ou, o que é mais provável, uma linguista – que me explique se é coincidência «mulheres» e «melhores» serem palavras tão parecidas?)



publicado por José António Abreu às 07:55
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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
Modéstia
Quando Bruno Vieira Amaral escolhe um post d'O Escafandro como «post do ano», ou quando a Margarida coloca um pequeno texto meu junto a um do Pedro Lomba, ou quando o Senhor Palomar elogia outra das minhas divagações, o meu embaraço é absolutamente genuíno. Há uma pitada de prazer? Com certeza. Mais do que uma pitada, até. Seria ridículo (e uma tremenda mentira) negá-lo. Mas há também a noção de que, actualmente, a modéstia é uma demonstração de sensatez. É insegurança e consciência de que antes outros já fizeram o mesmo, e de que provavelmente o fizeram melhor. Aliás, seria estranho que tal não tivesse sucedido, considerando os milhões de páginas de livros, de artigos de jornal, de posts em blogues produzidos desde que sumérios e egípcios aprenderam a rabiscar.
 
Veja-se este post (este mesmo que está a ler): estou absolutamente convencido de que ainda recentemente milhares de pessoas escreveram textos similares, em livros, jornais, revistas e blogues. Textos em que referiram como é difícil ser original (ou apenas fugir ao óbvio) nos dias que correm. Quando clicar no botão Publicar, fá-lo-ei consciente de que, a qualquer instante, alguém pode colocar na caixa de comentários: «O escritor X escreveu muito melhor sobre este assunto no início do século XX» ou, pior, «Você plagiou este post do blogue ‘Parafina Cor-de-Rosa’» (que é melhor procurar saber se existe antes de publicar o post porque, se existir e se o autor alguma vez lá tiver escrito algo parecido com este texto, ninguém acreditará ter sido coincidência).
 
Por isso, de cada vez que coloco um texto n'O Escafandro, faço-o com o receio que nasce de saber o suficiente para ter consciência dos seus pontos fracos, da sua quase certa trivialidade, e das elevadas probabilidades que existem de que tenha já sido escrito por outra pessoa qualquer, homem ou mulher, em Portugal ou na Patagónia, em 2010 ou em 1810. (E agora não consigo deixar de imaginar um antecessor do Bruce Chatwin, sentado junto a uma fogueira no descampado onde viria a nascer Ushuaia, rabiscando num antecessor dos cadernos Moleskine quão difícil é ser original e ponderando qual a melhor forma de encarar os elogios.) Porque, claro, nem eu nem ninguém leu tudo. (O professor Marcelo já folheou todos os livros do mundo mas ler, verdadeiramente, não os leu.) E assim, quando chegam, os elogios causam-me uma reacção a três tempos. Primeiro sinto-me ufano e digo para mim mesmo que sou melhor do que às vezes me considero: afinal, são seres inteligentes, que eu admiro por escreverem bem e até conseguirem ser originais ou, pelo menos, dar uma forma original aos temas que abordam, quem me elogia. Mas essa primeira fase de satisfação dura poucos segundos. É seguida por outra, em que, combatendo a vontade de espreitar por cima do ombro, pondero como terei conseguido enganar aquelas pessoas. E o fácil que foi, caramba. E então sinto outra vez orgulho, mais pelo logro que perpetrei do que pelo texto que escrevi, ainda que nunca separado do receio – insidioso, corrosivo de poder ser desmascarado a qualquer instante como a fraude que certamente sou. Porque, conhecendo-me (e eu conheço-me razoavelmente), estou consciente de que não mereço os elogios.
 
Resta-me terminar repetindo o que escrevi no primeiro parágrafo: a modéstia (mesmo a que inclui um pouquinho de falsidade) é indispensável nestas coisas. É puro bom senso. Sei-o melhor do que ninguém. Modéstia à parte.

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publicado por José António Abreu às 21:29
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
Acho que só temos de tamanho médio
É compreensível que os autores de blogues procurem saber o que motiva gente a entrar nos seus, digamos, estabelecimentos virtuais. É também compreensível que, com frequência, as descobertas os deixem perplexos. Pedro Norton anda preocupado com os search terms que levam pessoas dos motores de busca até ao É Tudo Gente Morta (que menciono pela segunda vez em poucos dias). Depois de ler com atenção os dois (um, dois) posts do Pedro sobre o assunto, reconheço que alguns dos termos de busca utilizados são curiosos. Mas, honestamente, não creio que qualquer deles seja tão embaraçoso para a equipa do É Tudo Gente Morta como o que mais pessoas traz a'O Escafandro é para mim. Começou tudo com este post. Desde então parece não decorrer um dia sem que uns quantos brasileiros (não me perguntem a razão mas são quase sempre brasileiros) venham disparados do Google à espera de encontrar aqui «pénis pequenos». O que, como perceberão, não é propriamente algo que me deixe eufórico.


publicado por José António Abreu às 13:49
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Domingo, 1 de Novembro de 2009
Dos malefícios da poesia
Neste excerto de 2666 que Henrique Bento Fialho (que diz não acreditar no destino mas escreve como se estivesse a afogar-se nele) colocou no Antologia do Esquecimento, Bolaño refere um dos papéis tradicionais da poesia: estimulante sexual. O uso da lírica nas conquistas amorosas é amplamente referido na história da literatura (talvez de forma excessiva e, amiúde, caricatural mas isso não é muito importante agora). Há quem descubra outras utilizações e detecte outras consequências. Em Os Testamentos Traídos,(1) Kundera escreveu: «Depois de 1948, ao longo dos anos da revolução comunista no meu país natal, compreendi o papel eminente que desempenha a cegueira lírica no tempo do Terror que, para mim, era a época em que “o poeta reinava ao lado do carrasco” (A Vida Não É Aqui). Pensei então em Maiakovski; para a Revolução Russa, o seu génio fora tão indispensável como a polícia de Dzerjinski. Lirismo, liricização, discurso lírico, entusiasmo lírico fazem parte integrante daquilo a que se chama o mundo totalitário; esse mundo não é o gulag; é o gulag cujos muros exteriores estão atapetados de versos e diante dos quais se dança.» Depois de, na juventude, também ter escrito poesia alinhada com o regime comunista, Kundera tentou sempre evitar o entusiasmo (e o sentimentalismo) excessivo. A Vida Não é Aqui, mencionado acima, é todo ele um libelo contra os perigos do lirismo: o jovem poeta Jaromil (um alter-ego de Kundera?), inebriado pela revolução Checa de 1948 (em grande medida, por influência de poetas e pintores vanguardistas), tem atitudes (p. ex., forçar a namorada a denunciar o irmão que tenciona fugir do país) para as quais arranja justificações que só fazem sentido à luz desse inebriamento. Para Kundera, não há compromissos no lirismo. Como Jaromil explica à namorada: «O amor quer dizer tudo ou nada. O amor é total ou não é amor. Eu estou deste lado e ele está do outro. Tu tens de estar comigo e não num sítio qualquer a meio caminho entre nós.»(2) Noutro ponto do livro, Kundera escreve: «A poesia é um território onde toda a afirmação se torna verdade. O poeta disse ontem: a vida é inútil como uma lágrima, hoje diz: a vida é alegre como riso, e tem razão nos dois casos. Diz hoje: tudo acaba e se afunda no silêncio, dirá amanhã: nada acaba e tudo ressoa eternamente, ambas as coisas são verdade. O poeta não precisa de provar nada; a única prova reside na intensidade da sua emoção.»
 
Com a sua tendência para a análise e para a racionalidade não é de estranhar que Kundera se tenha afastado progressivamente do romance (e o romance de Kundera foi desde início – o fabuloso A Brincadeira – um romance analítico, que conquista o leitor pelo poder da revelação e da compreensão) em direcção ao ensaio. Nem que, depois de ver A Insustentável Leveza do Ser adaptado ao cinema (com resultados bastante razoáveis, diga-se), tenha feito um esforço consciente para escrever livros impossíveis de filmar.
 
Como Kundera, Bolaño mergulhou na poesia ainda muito jovem. (Será a juventude crucial para que seja possível alguém apaixonar-se cegamente pela poesia, como parece sê-lo para que se abracem entusiasticamente ideiais revolucionários?) Mas, enquanto Kundera viveu uma ditadura de esquerda, Bolaño fugiu de uma ditadura de direita. E, porque o lirismo e a utopia estão muito mais próximos da esquerda do que da direita, a crença na salvação pela poesia (o que procuram os «realistas viscerais» em Os Detectives Selvagens senão uma forma de substituir a realidade existente, mesquinha e prosaica, por uma nova, nascida da arte e da utopia?) pareceu viver nele durante anos. A poesia enquanto literatura mas também a poesia enquanto revolução política (Bolaño foi Trotskista, tendo mantido contactos com organizações como a Frente Farabundo Martí, de El Salvador). Mas talvez também ele tenha percebido que as consequências do lirismo, do entusiasmo excessivo, podem ser nefastas. Afinal, acabou a escrever prosa, assombrado por visões do Mal e do papel que a Arte desempenha nas suas manifestações.

 

(1) Edições Asa, 1993, tradução de Miguel Serras Pereira.

(2) Edições D. Quixote, 1990 (1ª edição), tradução de Miguel Serras Pereira. 



publicado por José António Abreu às 00:58
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Sábado, 31 de Outubro de 2009
Os homens preferem não falar de certas coisas
É sabido mas ainda assim apeteceu-me escrevê-lo, entrando nos territórios do Pedro Lomba, até por discordar parcialmente do que ele escreveu aqui (e que vi primeiro transcrito pela Margarida, aqui). A amizade feminina faz-se de palavras e de troca de informação. As mulheres sabem tudo da vida umas das outras. O que acontece, o que sentem, de quem é a culpa (dos homens, dos filhos, de outras mulheres). A amizade masculina vive tanto de palavras como de silêncios. De cumplicidade que não exige troca de informação. As discussões são sobre futebol, carros e mulheres mas, neste caso, raramente sobre as mulheres com quem são casados. Para os homens, mesmo os bons amigos, as confidências são um embaraço. São algo a enfrentar com um trejeito de compreensão, uma palmada nas costas e frases como «É pá, nem sei o que te diga» ou «Esquece isso, anda experimentar o meu carro novo». Os homens não querem verdadeiramente saber detalhes e não precisam de compreender as razões dos amigos para os apoiarem.
 
É por isso que considero a frase «desta vez mete-te na vida dele; faz perguntas; as pessoas gostam que lhes façam perguntas» só parcialmente verdadeira. Perguntas sobre os interesses comuns, sim. Toda a gente gosta de falar acerca do que aprecia e gosta de saber que outras pessoas estão interessadas nos mesmos assuntos (e, mais ainda, em ouvi-las). Assuntos íntimos, dolorosos, embaraçosos: os homens preferem não os discutir (ou fazem-no apenas com amigos muito, muito especiais, que a maioria nem sequer tem). Mas uma das vantagens da amizade sobre as relações amorosas é poder fazer-se essa opção
.


publicado por José António Abreu às 21:50
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Consequências negativas de ter um blogue ou ainda o Pedro Mexia

Em livrarias, já por várias vezes peguei no livro Estado Civil, a recolha de textos do anterior blogue de Pedro Mexia. Antes de ter O Escafandro tê-lo-ia comprado sem hesitação. Agora leio meia dúzia de textos e coloco-o novamente no lugar. Afasto-me a pensar: «É demasiado bom.»



publicado por José António Abreu às 17:32
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Um post em que o senhor jaa tenta ingloriamente imitar o estilo do Senhor Palomar para agradecer a inusitada gentileza do Senhor Palomar

Esta gentileza. E o convite para jantar na caixa de comentários. Claro que mesmo um sportinguista pessimista como o senhor jaa acha que, no caso de Sporting e Benfica se encontrarem na final da Taça Europa, como o Senhor Palomar já antes mostrara desejar num post que deixou o senhor jaa com sentimentos contraditórios (os mesmos com que também ficara ao ler este outro post do Senhor Palomar), o Sporting arranjará maneira de desfeitear as sempre inabaláveis ilusões dos benfiquistas. Mas, porque os tempos estão difíceis e o pragmatismo é hoje uma religião perfeitamente aceite pela sociedade, na eventualidade do cenário apresentado pelo Senhor Palomar se confirmar (o senhor jaa admite que não seria de todo impossível o Sporting perder com um auto-golo marcado no último minuto), o senhor jaa aceita o convite para jantar, que é a forma de sempre ganhar alguma coisa. Para finalizar, gostaria ainda o senhor jaa de alertar o Senhor Palomar que, a menos que seja pelo menos tão rico quanto um ex-administrador do BCP (poderia ser Paulo Teixeira Pinto mas suponho que, nesse caso, faria mais publicidade aos livros de Agustina Bessa-Luís que ao de Roberto Bolaño), deve evitar continuar a oferecer-se para pagar jantares a quem o elogia. É que certas pessoas podem aproveitar-se da sua boa vontade. Como, por exemplo, o senhor jaa.

 

(Já agora, talvez uma qualquer faculdade de psicologia e/ou sociologia pudesse fazer um estudo para analisar se um sportinguista, tarimbado no sofrimento, sofre menos com uma derrota que um benfiquista, ainda prenhe de visões de grandeza. Espero que não. Até para evitar o nível de risco a que ficariam expostos os portistas se tal fosse verdade.)



publicado por José António Abreu às 20:07
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
Esvaimento

A gente sabe que não concorda politicamente com as pessoas. É um dado assente, já não passível de grande discussão. Não se tem a mesma visão dos problemas e, especialmente, das formas de os resolver. Tudo bem. É democracia. Lêem-se ainda assim as suas opiniões (nos jornais, nos blogues, onde quer que seja) porque deve ter-se consciência de que o mundo não se cinge à nossa lógica e porque, de vez em quando, surgem questões em que nunca pensáramos e que nos fazem reavaliar alguns pontos que dávamos por garantidos. Convém saber que as nossas soluções não são perfeitas (nenhuma o é). Por si só, a discordância não implica menos respeito. Mas quando o que se lê revela apenas facciosismo e cegueira, o respeito esvai-se. Confesso que pensara ser possível alguém fazer a comparação. Pegar num acto assumido e sem danos pessoais ou patrimoniais e equipará-lo a uma acção destruidora e violenta. Mas ainda tive esperança de que, a acontecer, tal comparação não subisse da fossa em que tão frequentemente se transformam as caixas de comentários dos blogues. Enganei-me duplamente. O post é nauseabundo, a caixa de comentários bastante arejada.



publicado por José António Abreu às 13:01
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Alexandra

O31 da Armadaresolveuhastear a bandeira monárquica na Câmara Municipal de Lisboa. Não vou comentar o acto (e daí até vou: pelo menos não destruíram nenhuma plantação) nem a finalidade do acto (ok, só uma observação, curtinha: é indubitável que D. Duarte teria sobre Cavaco a vantagem de possuir uma voz forte e bela) mas isto demonstra claramente a cada vez maior capacidade interventiva da blogosfera no mundo a (pelo menos) três dimensões. Claro que constatá-lo gera um problema para quem, como eu, começou um blogue na esperança de que tudo pudesse ser feito sem colocar o nariz fora da porta de casa.

 

Antes de publicar este post (e garanto que só o faço porque desejo sinceramente ter a fotografia abaixo no blogue), gostaria de deixar uma pergunta aos monárquicos: se reimplantássemos a Monarquia, podíamos ter uma princesa assim?

 



publicado por José António Abreu às 19:45
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
Trio de ataque

Creio que já se pode fazer um balanço. De entre os três recém-nascidos blogues de apoio a partidos políticos (da esquerda para a direita: Simplex, de apoio ao PS; Jamais, de apoio ao PSD; e Rua Direita, de apoio ao CDS), o mais interessante tem sido o Rua Direita. Enquanto os participantes do Simplex e do Jamais fazem marcação cerrada uns ao outros, esquecendo com frequência o debate de ideias em favor de questiúnculas menores, os participantes do Rua Direita têm (com inevitáveis excepções) discutido temas concretos, com um grau de profundidade e de rigor muito apreciáveis (ver, por exemplo, este debate sobre as políticas de impostos). E têm ainda outro ponto a favor: Inês Teotónio Pereira demonstra que, como afirma no perfil, não faz bem apenas filhos e arrasa a concorrência em bocas de humor subtil. É verdade que Rodrigo Moita de Deus parece continuar a preferir colocá-las no 31 da Armada mas quem não comparece, toda a gente o sabe, perde o jogo. Quanto ao Simplex, salvam-no as laranjas de João Coisas.

 

Adenda: ainda a respeito da Inês, o blogue pessoal dela (ou talvez seja mais dos filhos), A Um Metro do Chão, vale a pena para quem gostar daquelas pérolas da ingenuidade e do engenho infantis subtilmente comentadas por uma mamã inteligente com capacidade de auto-irrisão.



publicado por José António Abreu às 18:11
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Visitas inesperadas

Yay! (O senhor Palomar não vai gostar deste ponto de exclamação.) O Escafandro está outra vez em destaque no Sapo. Obrigado, rapazes e raparigas da plataforma de blogues do Sapo. Podiam era ter avisado que tinha pelo menos limpado o pó, aspirado o chão e arrumado os livros.

 

Quanto às novas visitas, entrem e fiquem à vontade. Tentem só não pisar o gato.

 

 

(Antes que perguntem, na realidade o gato é dos meus pais e já está maiorzinho.)



publicado por José António Abreu às 13:57
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Em defesa do blogger-eremita

A divertida e bastante falhada “BlogConf” (o nome lembra-me um modelo de edredão) de ontem, em que vinte bloggers puderam questionar o nosso Primeiro-Ministro sobre o que bem entenderam, mostrou que há grandes vantagens em que nerds permaneçam nerds, afastados de contacto humano directo. Repare-se que mesmo bloggers insuspeitos de nutrirem simpatias pelo nosso querido PM (ou mesmo pelo querido Querido, que serviu de moderador e ajudou a preparar o flop) saíram da “BlogConf” (ou talvez um sistema de suspensão pneumática) pelo menos um bocadinho enamorados do mais famoso licenciado português e cheios de remorsos por não terem conseguido fazê-lo espalhar-se ao comprido (os simpatizantes saíram irritados pelo flop se sobrepor ao brilhantismo intelectual do esbelto líder). Sejamos honestos: a proximidade faz mal. Embota a agressividade. Não por acaso, três dos melhores e mais agressivos escritores americanos ainda vivos (Salinger, Pynchon, McCarthy) raramente colocam o nariz de fora (eu sei que McCarthy foi à Oprah e aos Óscares mas, como não publicou depois disso, ainda é impossível avaliar se estar sob os holofotes lhe fez mal). Para um blogger político, é fatal. Ele não está preparado para enfrentar as pessoas sobre quem escreve. Na verdade, ele não está preparado para enfrentar quaisquer pessoas. Obrigá-lo a sair de casa dá nisto. Ainda por cima é inútil: ninguém muda de posição nestes debates. Quando muito pensa-se “filho da mãe, entalaste-me” e entra-se em rodopio mental na busca de um argumento capaz de estilhaçar o que foi usado no ataque. Para que servem estas "BlogConfs" (um sapo com tosse?), então? Para três coisas: aumentam a auto-estima dos bloggers participantes que se vêem subitamente no que parecem ser as altas esferas (alguns são mesmo convidados a entrar), permitem que o governo avalie os adversários cara-a-cara e entretêm quem, como eu, se encontra sozinho em casa em frente de um computador, com a agressividade intacta. Onde e como eles todos também deviam estar.

 

(Se calhar isto podia descrever-se de outra forma, bem mais sintética: foi uma espécie de jogo da selecção nacional de futebol. Montanhas de potencial mas chega a hora e o árbitro está comprado, os jogadores sem garra e a assistência é composta por treinadores de bancada.)



publicado por José António Abreu às 20:39
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Síndrome de Estocolmo

Pensei primeiro num clube. Uma espécie de clube do Bolinha com o lema “direitista não entra” em vez de “menina não entra”. Um clube para socratistas convictos. Depois percebi que, mesmo sendo “simplex”, não é assim tão simples. Que essa seria uma visão superficial. Há um receio de orfandade na coisa. Quatro anos e meio sob o jugo mais ou menos autocrático, mais ou menos visionário, quase sempre simplista (cá anda o termo outra vez) e sempre, sempre estridente do mais-ou-menos licenciado em engenharia José Sócrates deixam sequelas. Alguns combatem, rejeitando a incultura, a arrogância, a manipulação do senhor (por enquanto, ainda com minúscula) e dos seus acólitos, dispersos por Estado e arredores. Outros apaixonam-se e, como sucede em todas as paixões, tudo o resto empalidece. O mundo começa e acaba no amado porque só ele é perfeito e infalível. Se calhar também podia ter dado a este post o título “o harém de Sócrates”. Mas não quero ser indelicado. Respeito (e até admiro) alguns dos presentes e há ausências que o impedem.



publicado por José António Abreu às 13:39
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Dois parágrafos e uma linha

Avisaram-me que escrevo demasiados posts demasiado longos. Explicaram-me que não devo ultrapassar os dois parágrafos – e não muito compridos. Acima disso, as pessoas assustam-se com a quantidade de letras e nem sequer começam a ler, o que, obviamente, elimina qualquer possibilidade de se interessarem pelo brilhantismo do conteúdo (não estou certo de que a pessoa que me alertou tenha usado o termo “brilhantismo” mas julgo que o sentido era mais ou menos esse). Disseram-me até que, se tiver mesmo que escrever posts longos, os divida em dois ou três e publique de seguida, com um numerozito a seguir ao título indicando a ordem de leitura. Repliquei que escrevo o que me apetece, da forma que me apetece, e que se ninguém mais quiser ler, paciência. Que partir os posts aos bocados me parecia uma cedência à vacuidade actual; uma solução própria do nosso governo, especialista em fatiar projectos numa infinidade de anúncios. Enfim – aqueles argumentos típicos do pseudo-artista defendendo a sua integridade. Ninguém disse ao Tolstoi para condensar o “Guerra e Paz” em apenas duzentas páginas de texto em tamanho 12 e tretas do género.

 
Mas fiquei a pensar no assunto. É possível que haja alguma verdade no que me disseram. Se assim for, o defeito será meu ou de quem lê blogues? E será que isso interessa? A verdade é que só posso mudar o que escrevo, não as preferências dos leitores. Provavelmente o editor do Tolstoi também se assustou com o tamanho da obra e muito mais gente a teria lido se pudesse segurá-la mais de cinco minutos sem sentir dores musculares. E, durante um par de anos, a estratégia de comunicação do governo até funcionou. Estou indeciso. Na realidade, o que me parece é que ninguém lê o que escrevo, independentemente do tamanho dos posts. Mas não custa fazer uma experiência.
 

Parágrafo três: alguém aqui chegou?


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publicado por José António Abreu às 13:41
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
PPM vs. Sexo

Descobri hoje que, em termos de visitantes, ser recomendado pelo PPM é quase tão bom como escrever posts com a tag "sexo".


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publicado por José António Abreu às 18:03
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A "requalificação" do Palácio de Cristal

Genericamente tenho opinião positiva da gestão de Rui Rio à frente da Câmara do Porto. Mas a "requalificação" (termo detestável pelo que presume e pelo que esconde) do Pavilhão Rosa Mota preocupa-me. Parece haver uma tendência, de que o expoente máximo no Porto (ou pelo menos o mais discutido) é a Avenida dos Aliados cimentada por Siza Vieira já durante as presidências de Rio, para desprezar tudo o que pareça natural (árvores, lagos, pisos de gravilha, ordenação não evidente), substituindo-o por construções onde a intervenção humana se torne flagrante: edifícios, "espelhos de água", vastas extensões de pedra lisa e nua. Tudo indica que o projecto apresentado há uma semana, da autoria do arquitecto José Carlos Loureiro (também responsável pelo pavilhão actual, que em 1956 substituiu o verdadeiro Palácio de Cristal, no que foi provavelmente o crime arquitectónico mais grave cometido na cidade durante o século XX) vai nesse sentido. Para uma análise mais detalhada é favor ler Antes o Charco que tal Espelho, de Paulo Araújo, no Dias com Árvores. 



publicado por José António Abreu às 11:09
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Blographo.

Excelente, o novo blogue do Público com imagens dos fotógrafos do jornal. Muitas estão comentadas pelos autores, o que, para quem gosta do processo de construção da imagem (onde sorte, técnica e capacidade de antevisão se misturam), é um motivo extra para visitar o blogue.



publicado por José António Abreu às 22:12
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
E agora?

Uma simpática mensagem acaba de me alertar para o facto deste blog estar em destaque na página de blogs do Sapo. Fiquei entre a euforia e o horror. Então depois de escrever isto, resmungando contra a tendência actual para se ter sucesso demasiado cedo e depois desaparecer de cena, destacam-me menos de um mês após começar isto? Por amor de Deus, sinto-me um cantor pop de dezoito anos! E o que diabo faço agora?



publicado por José António Abreu às 11:02
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