como sobreviver submerso.

Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Em defesa do blogger-eremita

A divertida e bastante falhada “BlogConf” (o nome lembra-me um modelo de edredão) de ontem, em que vinte bloggers puderam questionar o nosso Primeiro-Ministro sobre o que bem entenderam, mostrou que há grandes vantagens em que nerds permaneçam nerds, afastados de contacto humano directo. Repare-se que mesmo bloggers insuspeitos de nutrirem simpatias pelo nosso querido PM (ou mesmo pelo querido Querido, que serviu de moderador e ajudou a preparar o flop) saíram da “BlogConf” (ou talvez um sistema de suspensão pneumática) pelo menos um bocadinho enamorados do mais famoso licenciado português e cheios de remorsos por não terem conseguido fazê-lo espalhar-se ao comprido (os simpatizantes saíram irritados pelo flop se sobrepor ao brilhantismo intelectual do esbelto líder). Sejamos honestos: a proximidade faz mal. Embota a agressividade. Não por acaso, três dos melhores e mais agressivos escritores americanos ainda vivos (Salinger, Pynchon, McCarthy) raramente colocam o nariz de fora (eu sei que McCarthy foi à Oprah e aos Óscares mas, como não publicou depois disso, ainda é impossível avaliar se estar sob os holofotes lhe fez mal). Para um blogger político, é fatal. Ele não está preparado para enfrentar as pessoas sobre quem escreve. Na verdade, ele não está preparado para enfrentar quaisquer pessoas. Obrigá-lo a sair de casa dá nisto. Ainda por cima é inútil: ninguém muda de posição nestes debates. Quando muito pensa-se “filho da mãe, entalaste-me” e entra-se em rodopio mental na busca de um argumento capaz de estilhaçar o que foi usado no ataque. Para que servem estas "BlogConfs" (um sapo com tosse?), então? Para três coisas: aumentam a auto-estima dos bloggers participantes que se vêem subitamente no que parecem ser as altas esferas (alguns são mesmo convidados a entrar), permitem que o governo avalie os adversários cara-a-cara e entretêm quem, como eu, se encontra sozinho em casa em frente de um computador, com a agressividade intacta. Onde e como eles todos também deviam estar.

 

(Se calhar isto podia descrever-se de outra forma, bem mais sintética: foi uma espécie de jogo da selecção nacional de futebol. Montanhas de potencial mas chega a hora e o árbitro está comprado, os jogadores sem garra e a assistência é composta por treinadores de bancada.)



publicado por José António Abreu às 20:39
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