como sobreviver submerso.

Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015
Posições políticas, interesses de curto prazo e a certeza de um futuro pouco agradável

1. Imperdoável. Cavaco tem posições políticas e age em função delas. Em 1987, Soares podia tê-las e fazê-lo. Em 2005, Sampaio podia tê-las e fazê-lo. Em 2015, Cavaco - eleito em sufrágio directo à primeira volta mas não socialista - devia limitar-se a assinar de cruz o que as mentes progressistas, bem pensantes - sempre elas, neste malfadado país - lhe dizem para assinar.

 

2. Na Alemanha, essa nação que odiamos porque recusamos admitir invejá-la, os socialistas entraram para o governo após negociações longas e duras - mas francas. Por cá, os socialistas, com uma sede de poder que caracteriza bem a parte do mundo a que Portugal na realidade pertence, escolhem os seus interesses de curto prazo (que, da sobrevivência política de António Costa à obtenção de sinecuras, passando pelo controlo de processos judiciais sensíveis, são muitos e variados) em detrimento do país. Quem ainda tinha esperanças deve perdê-las: não apenas nunca atingiremos o nível de vida alemão como será uma sorte não cairmos para o nível de vida venezuelano.

 

3. Governo de gestão, governo PS com apoio ilusório do PC e do Bloco ou governo PS com programa definido por PC e Bloco? Para o país, a primeira hipótese. Mas venha o diabo e escolha. O que, do ponto de vista da esquerda, é mais ou menos o que acontecerá.



publicado por José António Abreu às 11:23
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015
Yanis C. (ou talvez Mário Teixeira dos Santos)

Convém deixar claro: Mário Centeno, que tantos consideravam moderado, sensato e, acima de tudo, competente, desliza de reunião em reunião atrás de António Costa, avalizando esta tragicomédia.



publicado por José António Abreu às 10:27
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 13 de Outubro de 2015
Da dieta comunista
"O PS tem condições para formar Governo, apresentar programa e entrar em funções. Quanto aos desenvolvimentos futuros, eles resultarão da identificação da política que for possível fazer. Como sempre, quer esse Governo, quer os trabalhadores e o povo, em particular, poderão contar com a nossa activa participação para assegurar todas as medidas que correspondam aos direitos, interesses, rendimentos, salários dos trabalhadores, reformados. Tudo o que não corresponda, contarão com a oposição do PCP", disse Jorge Cordeiro, da comissão política do comité central comunista.

 

Nem disfarçam o plano. Os comunistas podem já não comer criancinhas ao pequeno-almoço mas preparam-se para cozinhar e engolir socialistas adultos. A mim causar-me-iam problemas de digestão mas a História demonstra que os comunistas têm estômagos resistentes.



publicado por José António Abreu às 22:17
link do post | comentar | favorito

Das consequências não antecipadas
Parece que há quem tenha votado no PS convencido de que este nunca se uniria ao Bloco e ao PC. Algumas destas pessoas - Luís Aguiar-Conraria, por exemplo - têm vindo a mostrar desagrado pelo comportamento de António Costa. É de alguma utilidade que o façam mas não me peçam simpatia. Antes das eleições, Costa nunca terá afirmado taxativamente poder vir a formar governo em coligação com ou apoiado parlamentarmente pela esquerda (ainda por cima, depois de as perder). Mas, da Grécia às obras públicas, Costa disse tudo e o seu contrário sobre todos os assuntos. Costa rasgou um acordo que estabelecera de livre vontade com António José Seguro para correr com ele da liderança do partido. Costa rasgou um acordo (para a reforma do IRC) que o PS estabelecera de livre vontade com o governo. Costa recusou sempre fazer uma avaliação crítica dos governos socialistas chefiados por Sócrates. Costa apresentou-se como líder de confiança mas ameaçou rejeitar um orçamento antes de o conhecer. Costa distribuiu cordialidade e sorrisos quando em ambiente controlado e mostrou os dentes quando apanhado desprevenido. Costa foi - é - o político de carreira que tantos acusaram Passos Coelho de ser (e se podem atribuir-se a Passos ideias liberais - muito mais do que práticas -, a Costa é impossível atribuir uma ideia que seja). Costa foi invariavelmente aquilo que os seus adversários disseram dele e apenas interesses próprios, ingenuidade atroz ou teimosia (nuns casos decorrente de «clubismo», noutros de uma recusa primária em avalizar a política da coligação) terá levado ainda tanta gente a votar num Partido Socialista liderado por ele. Vários dias antes das eleições, escrevi: Talvez a maior façanha de António Costa nesta campanha: ter cingido as opções de voto útil de qualquer pessoa sensata à que poderá evitar a chegada ao poder do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Muita gente optou afinal por não a excluir. Não me venham agora com lamentos.


publicado por José António Abreu às 11:49
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 22 de Setembro de 2015
Diabos, um optimista até poderia começar a ver nisto uma mudança estrutural...
Procura externa vale 85% do crescimento económico português.

Então não tinha sido o consumo interno, estimulado pelas decisões do Tribunal Constitucional, o único responsável pela subida do PIB?

Enfim, para ser honesto, até estou surpreendido com um valor tão elevado. Mas resta-me um consolo: se chegarem ao poder, Costa, Centeno e Galamba depressa tratarão de o «corrigir».



publicado por José António Abreu às 19:52
link do post | comentar | favorito

Sábado, 25 de Julho de 2015
Outras lições nórdicas

Alexander Stubb, o ministro das Finanças finlandês, esteve em destaque durante a sequência de reuniões do Eurogrupo sobre a questão grega. Interventivo, adepto do Twitter, sem papas na língua a reflectir as reservas dos seus concidadãos (diz-se, ainda assim, ter sido bastante mais comedido nas declarações em inglês do que nas que emitiu em finlandês), merece-me esta nota por algo que pouca atenção despertou em Portugal.

Cai-Göran Alexander Stubb foi deputado ao Parlamento Europeu entre 2004 e 2008, ministro dos negócios estrangeiros entre 2008 e 2011 e ministro dos assuntos europeus e do comércio externo entre 2011 e 2014. Em Junho desse ano, Jyrki Katainen, líder do partido de Stubb e primeiro-ministro, demitiu-se. Stubb assumiu ambos os cargos. Nas eleições de Maio último, o seu partido obteve apenas o segundo lugar no número de votos e o terceiro no número de assentos no Parlamento. Na sequência das negociações que se seguiram para a formação do governo, Stubb transitou do lugar de primeiro-ministro para o de ministro das finanças.

Não estou a ver um político português fazer algo similar. Aceitar este tipo de «despromoção» num país em que até se tornou regra a demissão do líder do principal partido derrotado. Sinais de falta de maturidade democrática, dirão alguns. Certo. Mas não apenas dos políticos e não apenas «democrática»; também «social». O líder derrotado demite-se e nunca faria o que Stubb fez por muito mais do que vaidade pessoal ou crença genuína de ser essa a melhor solução para o país. Fá-lo também porque, de outro modo, perderia o respeito dos portugueses. E isto permite extrapolar para áreas que não a da política. Permite compreender como Passos está certo ao salientar o estigma que, em Portugal, tende a cair sobre os desempregados (sobre quem perde o emprego). Os portugueses gostam de discursos empolgados acerca de respeito e de solidariedade, oferecem empenhadamente um quilo de arroz ou de massa nas campanhas do Banco Alimentar contra a Fome mas, raspada a camada superficial de verniz, estão longe de constituir uma sociedade respeitadora do esforço, do risco pessoal e da consequência mais negativa destes: o ocasional insucesso.



publicado por José António Abreu às 11:02
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 28 de Abril de 2015
A região mais perigosa do país?

Blogue_Matança_Forcas_1.jpg

 

Blogue_Matancinha.jpg

 

Estrada Nacional 2, perto de Lamego.



publicado por José António Abreu às 21:27
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quarta-feira, 22 de Abril de 2015
Caramba, ainda acabo a votar num socialista...

Sublinhando que ainda não analisou ao pormenor o documento dos economistas escolhidos por António Costa, o ex-empresário e ex-deputado socialista Henrique Neto notou ainda que a preferência do PS pelo aumento do consumo privado, através da reposição mais rápida dos cortes salariais, da diminuição da sobretaxa de IRS e da TSU para os trabalhadores, tem um revés: “conduz quase sempre a um aumento das importações”.

E por isso o candidato independente a Belém tem reticências. “Obviamente não tenho nada contra o aumento das medidas a favor do consumo, mas antes disso é preciso medidas de substituição em certos sectores para não corrermos o risco de desequilibrar a balança comercial”, disse.

Henrique Neto, no Observador.

 

(Desta vez não resisti; passei «setores» a «sectores». Até por estar convencido - sinceramente - de que, ao sair da mente de Henrique Neto e ser atirada - indefesa - para a atmosfera, a palavra vinha com a consoante muda no lugarzinho dela.)



publicado por José António Abreu às 17:21
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 21 de Abril de 2015
As medidas do PS
Há quem considere este governo incompetente e, em mais aspectos do que seria desejável, talvez seja - mas de vez em quando mostra notável capacidade política. Duas propostas apresentadas pela ministra das Finanças na semana passada (redução da TSU e devolução dos cortes em 4 anos) podiam parecer extemporâneas e prejudiciais para as eleições. Hoje, o PS validou-lhes a lógica.

- Tendo obviamente que prometer devolver os cortes num período mais curto, os socialistas dispunham dos números '0', '1', '2' e '3'. Escolheram o '2'. Como há uns tempos advogavam o '0', não é de excluir que, se chegarem ao governo, apliquem o '4'.

- Mais hilariante, após clamar contra a descida da TSU, alegando que afectaria a sustentabilidade da Segurança Social, o PS também se propõe baixar baixá-la (em 4%). De onde viria o financiamento? De cortes nas pensões dos otários à espera de as receber a partir de 2021 (se votarem no PS, é bem feito) ou de qualquer outra solução que o governo da altura encontrar. É forçoso elogiar-se a coerência: seguindo a forma catita como Sócrates empurrou para o futuro os encargos com as PPP, o objectivo primordial dos socialistas continua a ser proteger votos e interesses instalados (perdão: adquiridos); quem vier depois que se desenrasque. (Eles cá estarão para prometer outras coisas e lixar ainda mais os seguintes.) Há pior, contudo: o PS dispõe-se a fazer incidir o corte na TSU sobre os 11% descontados pelos trabalhadores em vez de sobre sobre os 23,75% suportados pelas empresas. Este ponto autoriza maniqueísmos do género «o PSD alinha com o capital enquanto o PS está ao lado dos trabalhadores», que não deixarão de ser usados em campanha eleitoral, mas mostra também a diferença fundamental entre PS e PSD (não tenho a certeza quanto ao CDS) no que respeita ao modelo de desenvolvimento pretendido para o país. Enquanto o PSD anuncia a intenção de continuar a apostar na captação de investimento e no aumento da competitividade das empresas, de modo a que actividade destas compense um aumento paulatino do consumo, os socialistas, inamovíveis pelo menos desde Guterres, continuam a acreditar que o simples estímulo ao consumo interno trará crescimento sustentável. Infelizmente, isso revelar-se-á falso (outra vez) e os estímulos apenas farão a balança de transacções pender para o lado errado (outra vez). O anúncio da eliminação da descida gradual do IRC (nascida de um acordo entre o governo e o PS, que os socialistas atiram agora para o lixo) segue exactamente a mesma lógica.

Das restantes medidas anunciadas, várias contêm o inevitável aumento da despesa pública, a compensar com receitas provenientes de um crescimento económico que, após meses a acusar o governo de optimismo descabido, o PS prevê ainda mais forte, e por aumento nos valores previstos para o défice (em comparação com os cenários do governo), mas há duas que me chamaram especialmente a atenção:

- Enquanto o PS de Sócrates garantia ir admitir apenas um funcionário público por cada dois que saíssem, o PS de António Costa promete adoptar a relação de uma entrada para uma saída. Com Costa, portanto, não haverá reduções adicionais de pessoal na função pública. (Se os socialistas governassem tão bem como sabem captar votos, estávamos todos ricos.)

- A intenção de limitar os contratos a prazo é piedosa mas havia de fazer um bem espectacular à taxa de desemprego.

 

Globalmente, as propostas socialistas são menos radicais do que muitos esperariam, podendo até desiludir alguns apaniguados da linha Galamba - Varoufakis. Ainda assim, revelam a incapacidade de sempre: perceber que o país necessita de ir alterando o seu modelo de desenvolvimento económico, sem o que todas as medidas de estímulo serão efémeras e, a prazo, contraproducentes. Mas que o PS não entenda isto dificilmente pode surpreender: afinal, trata-se do partido que, em 2011, levou o país à falência e, em 2015, está ele próprio quase falido.

 

 

Leitura complementar: Os gatos e os ratos, por Paulo Ferreira, no Observador.


publicado por José António Abreu às 20:43
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 17 de Abril de 2015
Encargos e competitividade

O principal problema do país é a economia. Abebe Selassie, representante do FMI na «troika» (por cá ainda lhe chamamos assim?) durante a maior parte do período de resgate, disse-o em pelo menos um par de entrevistas: Portugal até pode ter um modelo de sociedade ao estilo nórdico desde que crie uma economia capaz de o sustentar. Note-se a ordem dos factores: primeiro a economia, depois o modelo social. A esquerda sempre achou que o inverso daria o mesmo resultado. Não dá. Não dá em Portugal, nem na Grécia, nem na Venezuela, nem sequer nos países nórdicos - que, perante quedas da economia, fazem o que nós recusamos fazer: ajustam o modelo social para a estimular (por isso a Suécia tem um sistema de pensões que a esquerda portuguesa recusa, por isso a «flexissegurança» nasceu na Dinamarca, por isso a Finlândia vendeu a maioria dos bancos a estrangeiros há cerca de 20 anos, por isso todos os países nórdicos têm um modelo de sistema de Justiça que a Constituição portuguesa impossibilita).

Como uma recuperação sustentada da economia portuguesa só pode basear-se nas empresas (de modo a - toda a gente o sabe hoje em dia - aumentar as exportações e diminuir as importações de bens e serviços), tudo o que puder fazer-se para lhes aumentar a competitividade é crucial. Daí as declarações de Manuela Ferreira Leite não fazerem qualquer sentido: é evidente que os encargos com o pessoal - e, especificamente, os encargos fiscais e contributivos - são importantes para muitas empresas. Porque, se menores, lhes permitiriam ser mais concorrenciais, ganhando encomendas e quota de mercado, ou até porque lhes possibilitariam aproveitar uma eventual folga para diminuir o nível de endividamento (uma ameaça para o futuro), investir em inovação e design, contratar novos funcionários (para os departamentos de inovação e design, por exemplo) e/ou motivar os existentes através de bónus ou aumentos de salário.
No Delito de Opinião, num texto intitulado O problema é outro, o Sérgio de Almeida Correia menciona a PT e o BES para defender que existem outros factores com implicação na saúde das empresas. Com certeza que sim. Porém, na actividade, na dimensão, nas margens decorrentes de negócios pouco expostos a concorrência global (ninguém por cá pode usar a rede AT&T e a maioria dificilmente obterá crédito num banco chinês), a PT e o BES não representam a empresa típica portuguesa. E, por importantes que os sectores financeiro e de telecomunicações sejam, também não representam o tipo de empresas em que Portugal necessita de apoiar-se para construir uma economia competitiva. Quanto ao facto de uns conseguirem e outros não, depende - como quase tudo na vida - de capacidades próprias e da conjuntura. Um governo não pode criar melhores empresários por decreto - mas pode e deve tentar melhorar a conjuntura (fiscal, burocrática, judicial) em que os que existem se movimentam.


publicado por José António Abreu às 11:27
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 16 de Abril de 2015
Pausa no modo campanha
PSD e CDS podem estar em modo eleitoral mas o governo, ainda que forçado pelas regras europeias, parece não ter perdido completamente o sentido da realidade. A oposição aproveitará para cavalgar a onda de desagrado e no início do Outono ver-se-á se a maioria dos portugueses aprendeu a principal lição que pode ser retirada dos últimos anos: quão doloroso é o custo das ilusões. Provavelmente, não. Pelo menos até um governo do PS ser obrigado a estilhaçá-las de novo, implementando medidas similares - ou piores, quiçá após pedir ajuda a um qualquer sucedâneo do «Grupo de Bruxelas».


publicado por José António Abreu às 19:37
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 13 de Abril de 2015
Olhando à volta, só posso estar doente

Estou-me razoavelmente nas tintas para as presidenciais.



publicado por José António Abreu às 20:39
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 10 de Abril de 2015
Por uma vez, concordo com o PS
Marcos Perestrello contesta a reorganização do sector das águas porque «com este sistema, o governo esbulha as câmaras municipais que geriram bem os seus sistemas, integrando o seu património na nova empresa, onde são também integrados os sistemas deficitários em milhões de euros». Passando por cima do excesso de «sistemas», tenho de reconhecer que Perestrello tem razão; é assim como os países que geriram bem as suas economias terem de assumir os prejuízos dos que não souberam ou quiseram fazê-lo.


publicado por José António Abreu às 16:15
link do post | comentar | favorito (1)

Sábado, 28 de Março de 2015
Quem é (ou, vá, era) amiguinho do BES?
Câmara Municipal de Lisboa permite que empresa ligada ao BES construa quase o dobro do que o dono anterior.


publicado por José António Abreu às 09:33
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quinta-feira, 26 de Março de 2015
Justamente indignados, os cidadãos começam a agir
Cão do juíz Carlos Alexandre foi envenenado.

 

(Afinal, era o canídeo que tinha de se cuidar.)


publicado por José António Abreu às 20:04
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 25 de Março de 2015
Listas VIP dos tempos de Sócrates e Pinto Monteiro

«No tempo do Dr. Pinto Monteiro, quem tinha processos mediáticos, como regra, acabava com um processo disciplinar», afirma. «Com este tipo de atitude não havia grande incentivo para investigar pessoas poderosas.»

António Ventinhas, presidente do sindicato do Ministério Público. Noutros tempos - desculpem-me o trocadilho primário -, iam-lhe às ventinhas.


publicado por José António Abreu às 20:44
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 24 de Março de 2015
Notas rápidas
Estamos em tempo de invenção de polémicas. Qualquer dia, basta um ministro espirrar mais intempestivamente (o que me recorda algo). Agora foi a expressão «cofres cheios», de Maria Luís Albuquerque. Felizmente Tsipras e Varoufakis continuam por aí, chamando-nos a atenção para o quão preferível é tê-los vazios.

 

O socialista Henrique Neto avança para uma candidatura à presidência. Costa diz que lhe é indiferente, o que já significa muito. Vários apoiantes de Costa (e de Sócrates) são menos subtis. Augusto Santos Silva, sempre elegante, apelida Neto de «bobo». José Lello prefere chamar-lhe «Beppe Grillo» (nas entrelinhas, «palhaço», mostrando existir um elevado grau de coordenação no PS oficial, pelo menos em relação a certos temas). As reacções entendem-se: concorde-se ou não com todas as suas ideias (eu não aprecio uma certa visão dirigista que ele tem do Estado), Henrique Neto nunca se coibiu de criticar as políticas dos governos Sócrates. Para este PS, é bom que o presidente seja socialista – mas não que tenha ideias próprias e, pior, topete suficiente para as exprimir (algo que Guterres, lá do seu cargo dourado, nunca fez, e Vitorino - bom, fiquemos pelo «habituem-se» de 2005).

 

António Costa está claramente em modo de campanha, aparecendo um pouco por todo o país. Suponho que, para além de se gerir sozinha, a Câmara de Lisboa continua a pagar-lhe o salário. Fosse Costa líder do PSD ou do CDS e estaria a ser crucificado pelas mentes bem-pensantes que infestam as televisões.

 

Entretanto, Carlos César garante que um governo do PS compensará os lesados do BES. Enternece ver socialistas prometerem pagar prejuízos privados com dinheiros públicos. Mas não surpreende: já o fizeram no caso do BPN. Quaisquer esperanças de que tivessem aprendido a lição acabam de se esfumar. Uma das maiores mágoas de Ricardo Salgado só pode ser não ter encontrado António Costa como primeiro-ministro quando precisou de dinheiro público para salvar o grupo.


publicado por José António Abreu às 10:19
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 17 de Março de 2015
Uma diferença

Há muitas, nem todas confinadas ao plano político. Várias são importantes. Uma é fundamental. José Sócrates conduziu o país exactamente para onde os seus críticos afirmavam que ia conduzir: o limiar da bancarrota. Por muitos erros que lhe possam - e devam - ser imputados, Passos Coelho desmentiu os críticos: não houve espiral recessiva, nem segundo resgate, nem saída do euro. Evidentemente, isto também diz algo sobre a qualidade dos críticos - e as lições que, por incapacidade, conveniência ou má vontade, não se aprendem.



publicado por José António Abreu às 09:11
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 12 de Março de 2015
O plural majestático

Hesito sempre que escrevo um texto sobre Portugal e os portugueses. Estando ciente de que Portugal e os portugueses são muitas coisas, há momentos (aqueles em que se mencionam estatísticas, por exemplo) em que ou se escreve como se perante uma entidade homogénea (e não, vá lá, com tendências aparentemente homogéneas) ou não se escreve. E é nesses momentos que surge o problema do plural majestático. «Não podemos fazer isto», «devíamos fazer aquilo», «somos assim ou assado» transmite a ideia de que me arrogo o direito de falar por todos. Mas escrever «Portugal é isto» ou «os portugueses fazem aquilo» causa-me outro problema. Por muito que frequentemente me sinta deslocado, sou português. E se o plural majestático pode indiciar presunção, as outras formas parecem-me ainda piores. É como se procurasse saltar fora do barco. Evitar dizer «nós» equivale a dizer «vocês».


tags:

publicado por José António Abreu às 09:52
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015
O objectivo

Acontece que para os gregos, o euro não é apenas uma moeda a que a sua economia esteja mais ou menos adaptada. É um projecto político, um ideal: é a possibilidade de, um dia, viverem num país onde o Estado, dominado por interesses de todo o tipo (sindicais, empresariais, corporativos, clientelares, etc.), não abuse da moeda para servir esses interesses à custa de todos os outros cidadãos. É isso que os exercícios de análise económica não apanham, nem o discurso corrente da integração europeia, que reduz tudo a uma questão técnica: como conter, numa união monetária, economias divergentes e políticas contraditórias.

Rui Ramos, no Observador.

 

Não somente para os gregos. Para os portugueses também. De resto, não será apenas coincidência que, em Portugal, não obstante as incapacidades próprias do governo, as mil e uma obstruções que enfrentou e os interesses corporativos dos partidos que o formam, os últimos anos tenham revelado uma progressiva «limpeza» na relação entre o Estado e outras entidades. A forma como não se salvou o grupo Espírito Santo, a profusão de casos judiciais contra políticos e empresários, a limitação do (ou, pelo menos, a pressão pública contra o) poder discricionário de conceder favores (veja-se a polémica actual sobre o planeado perdão da autarquia de Lisboa a uma entidade com tantos fãs como o Benfica) são também efeitos de uma moeda que deixou de ser um fantoche nas mãos dos políticos.



publicado por José António Abreu às 12:19
link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015
Dr. Jekyll & Mr. Hyde
“Em Portugal, os amigos são para as ocasiões, e numa ocasião difícil em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os investidores chineses disseram ‘presente’, vieram, e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar na situação em que está hoje, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos”, disse António Costa.


publicado por José António Abreu às 16:50
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015
Não desperdiçar capital em negociações

Por isso, é defensável que Portugal tenha uma posição clara e inflexível sobre o assunto: queremos exatamente as mesmas condições que forem oferecidas aos gregos. Se quiserem usar esquemas que só se apliquem a eles, estamos contra, em nome da igualdade na Europa. Se as negociações não forem a lado nenhum, não temos problema com isso. Não defendemos as propostas gregas, não temos de concordar com elas, nem podemos ser contados como aliados de ninguém nas negociações ou gastar qualquer capital em nenhuma negociação. Entramos nas reuniões mudos e saímos calados.

Ricardo Reis, no Dinheiro Vivo. Vale a pena ler o resto do artigo, no qual se abordam as questões da conversão da dívida grega em perpetuidades e do pagamento indexado à taxa de crescimento da economia.


publicado por José António Abreu às 15:34
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015
O maior apoio que Passos Coelho já recebeu?
Alberto João Jardim admite candidatura à Presidência da República mas sem apoio do PSD porque «a minha relação com Passos é inconciliável.»


publicado por José António Abreu às 16:53
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015
Portugal, passado e futuro próximos
A grande diferença entre Portugal e a Grécia foi que, aqui, houve uma coligação de governo que, sob escrutínio do Presidente, durou e sustentou o ajustamento durante quatro anos. A actual maioria de direita teve ainda este efeito fundamental: dispensou o PS de se comprometer e deu-lhe uma razão para se impor, à esquerda e entre os descontentes, como o líder necessário de uma maioria alternativa. Deste modo, os partidos tradicionais do regime retiveram os seus eleitorados, sem deixar muito espaço até agora para novos populismos e extremismos.
[…]
Convém não esquecer como isto começou. O projecto do Euro pressupunha uma nova fase de modernização das sociedades inflacionistas do sul da Europa. Em vez disso, o crédito barato do euro serviu para alimentar o endividamento e adiar o confronto com os parasitismos (sindicais, empresariais e corporativos). O resultado foram economias ainda menos competitivas e sobrecarregadas com a incerteza das dívidas.
A questão continua a ser política: é preciso que o regime, se quer preservar o quadro da moeda única, adquira o poder necessário para resistir ao facilitismo e contrariar os interesses instalados. Ora, neste momento aproximamo-nos do prazo de validade das condições de estabilidade dos últimos quatro anos. Em 2015, a actual maioria pode não ser renovada. Em 2016 o Presidente será necessariamente substituído. Como será encontrada uma “solução governativa estável, sólida e consistente” numa assembleia em que, por hipótese, nem a aliança do PSD e do CDS, nem o PS sozinho possam garantir uma maioria absoluta?

Rui Ramos, no Observador.

 

E depois há a questão do PS, garantindo uma maioria absoluta, ter de esquecer o futuro cor-de-rosa com que anda a acenar (enfim, Costa pode sempre torcer para que a Grécia conquiste para os países do Sul o direito ao laxismo orçamental, à custa de transferências massivas de fundos a partir dos do Norte) e continuar (ou, em alguns casos, iniciar) reformas que actualmente contesta. A mudança (implícita no texto de Rui Ramos) apenas surpreenderia os ingénuos do costume mas são eles que lhe podem dar a vitória nas legislativas.



publicado por José António Abreu às 10:54
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015
PPP à grande vitesse

25 O modelo para a implementação da rede ferroviária de alta velocidade em Portugal, sem paralelo em termos internacionais, assentava em seis contratos PPP cujos encargos para os parceiros públicos ascenderiam a 11,6 mil milhões de euros. 
26 Os riscos de procura relevantes recairiam sobre a CP e a REFER, empresas públicas economicamente deficitárias. Em contrapartida, os pagamentos pela disponibilidade da infraestrutura às concessionárias gozariam de estabilidade, característica típica das rendas. 

 

64 Os estudos preliminares demonstraram que o investimento na rede ferroviária de alta velocidade não apresentava viabilidade financeira.

65 Os mesmos estudos demonstraram que o eixo Lisboa-Madrid, o primeiro que se previa vir a ser implementado, também seria financeiramente inviável. 

 

77 Não há evidências de um plano de negócios, no âmbito do setor público, que tivesse contextualizado a viabilidade financeira do projeto, tendo em especial consideração a concreta situação económica e financeira das entidades do setor público direta e indiretamente envolvida.

 

83 No contrato da concessão Poceirão-Caia os fundos acionistas representavam menos de 4% do financiamento do projeto e previa-se uma TIR acionista de 11,9%.  
84 Tendo em conta que as receitas comerciais não financeiras corresponderiam a cerca de 0,073%, a rentabilidade acionista referida decorreria, quase totalmente, dos pagamentos dos parceiros públicos. 
85 Mais de 71% do total dos fundos aplicados no projeto corresponderiam a pagamentos dos parceiros públicos.

 

86 A comportabilidade dos encargos, para o Estado e para a REFER, com a concessão Poceirão-Caia foi analisada no respetivo estudo estratégico.  
87 Esta avaliação teve caráter preliminar, não teve em conta o efeito do investimento na situação financeira da REFER e baseou-se em premissas que deixaram de se verificar, tais como as relativas às taxas de crescimento reais do PIB e aos limites admissíveis para o défice público. 
88 As estimativas não foram atualizadas durante o processo de contratação e em sede de visto não foi demonstrado o cabimento dos encargos do Estado, nem dos encargos a satisfazer pela REFER
 

Do relatório do Tribunal de Contas. Tem de se reconhecer, porém, que os juízes não tiveram em consideração o aumento de tráfego que uma oportuna paragem em Évora poderia trazer, agora que tantos residentes em Lisboa a elegeram como destino de peregrinação.


publicado por José António Abreu às 21:30
link do post | comentar | favorito

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014
TAP

Blogue_TAP.jpg

 

A posição de António Costa apenas demonstra como são dúcteis as suas convicções (vai-se a ver e, nele, é qualidade). O debate em torno da interpretação do texto do memorando seria anedótico se não fosse ridículo. Qualquer discussão tem de começar num ponto assente: a TAP não sobreviverá sem uma injecção de capital (500 milhões de euros, segundo leio). Ainda que as regras europeias o permitissem (e fazem bem em não permitir), estão os portugueses (e não me refiro apenas a uma mão-cheia de situacionistas bem instalados na vida) disponíveis para pagar o custo da manutenção da empresa na esfera pública? Eu não estou. Como portuense, há anos que a TAP não representa para mim qualquer vantagem em relação a outras companhias, obrigando-me invariavelmente a fazer escala em Lisboa. Mas isto é um pormenor (ninguém me obriga a viver no segundo mundo). Podiam existir razões de fundo para manter a TAP na posse do Estado. Não há. Quase todas as companhias aéreas europeias são maioritária ou totalmente privadas. Nada obsta a que o serviço seja prestado por uma empresa privada (a privada Lufthansa até vai pegar em parte dele nos dias da greve). Pode ser (e é) uma exigência do processo de privatização que a base de operações e alguns serviços sejam mantidos em Lisboa. O que resta são interesses individuais e corporativos. Compreensíveis. Quem, na prática, controla uma empresa com recursos aparentemente ilimitados (os bolsos dos contribuintes) não deseja mudanças. É assim na TAP como o é nas restantes empresas públicas de transportes ou na RTP. E que trabalhadores e sindicatos pareçam recear tanto as decisões de um proprietário que, obviamente, desejará obter lucro mostra apenas que entendem bem quão contrárias a esse objectivo foram inúmeras decisões do passado, nascidas de braços de ferro que se habituaram a vencer. A quilométrica (atendendo à empresa, talvez devesse usar milhas) e absurda lista de exigências que apresentam constitui, aliás, um perfeito exemplo disso mesmo.


publicado por José António Abreu às 09:56
link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014
Duas hipóteses

Depois do corte de quatro feriados anuais a todos os trabalhadores, só existem duas hipóteses lógicas (e, diga-se, não mutuamente exclusivas) para explicar a concessão aos funcionários públicos de dois dias de tolerância de ponto no curto período de tempo que já inclui o dia de Natal e o primeiro de Janeiro: eleitoralismo (caso em que ou o governo é extraordinariamente ingénuo ou os funcionários públicos de uma volubilidade assustadora); a assumpção de que dois dias de trabalho são muito mais importantes no sector privado do que no público.



publicado por José António Abreu às 17:19
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014
Terrenos legítimos

É verdade que a detenção de José Sócrates causa problemas a António Costa, um homem que o acompanhou desde o início e que nunca se demarcou das suas políticas. Mas abre também caminho para que qualquer menção ao seu legado político seja enfrentado com acusações escandalizadas de mistura entre os planos político e judicial. Que fique então claro: seja Sócrates formalmente acusado ou não, a sua acção política - e o papel de Costa nela - será sempre terreno legítimo de combate político. Mais ainda: será sempre legítimo discutir se um Estado metido em tudo o que mexe, como o que - dos Magalhães e da PT à construção civil - ele implementou e Costa parece defender, gera ou não riscos acrescidos de corrupção.



publicado por José António Abreu às 11:05
link do post | comentar | favorito

Domingo, 23 de Novembro de 2014
Aguardemos com calma, pois então

Não deixa de ser curioso reparar na prudência com que a esquerda à esquerda do PS comenta a detenção de Sócrates. Seria certamente diferente se estivéssemos perante um ex-ministro do PSD ou do CDS. E nem mencionemos aqueles humanos para quem o ónus da prova parece inverter-se: empresários de forma geral, banqueiros em particular.



publicado por José António Abreu às 13:58
link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 18 de Novembro de 2014
Números

Blog_PIB_v1.jpg

Aproveito o facto de ter mencionado a Finlândia no texto anterior para voltar a esta tabela. Publiquei-a há quase dois anos, acompanhada da frase «se em 2013 o PIB português cair menos de 3% e em 2014 já crescer qualquer coisinha poderemos dar-nos por muito satisfeitos». Pois bem, apesar de tudo, podemos dar-nos por satisfeitos: entre 2011 e 2013 o PIB português caiu cerca de 60% do que caiu o finlandês entre 1991 e 1993 (dados actuais do FMI: -1,3/-3,2/-1,4 contra -6,0/-3,5/-0,8) e caiu igualmente menos do que qualquer dos restantes casos apresentados na tabela. Se é verdade que, no primeiro ano de recuperação, o PIB finlandês cresceu 3,6% e o português deverá crescer aproximadamente 1%, nessa altura a taxa de desemprego na Finlândia ainda andava pelos 16,6% e apenas desceu dos 14% no terceiro ano de crescimento do PIB. Pertencer à União Europeia (esse monstro incapaz de solidariedade a que a Finlândia aderiu logo a seguir) e ao euro (que diminui o ritmo da recuperação mas aumenta as probabilidades de que ela seja sustentável) é de facto trágico.


publicado por José António Abreu às 11:45
link do post | comentar | favorito

dentro do escafandro.
pesquisar
 
Janeiro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


à tona

2017 e o futuro radioso

É isto

O «fim» da austeridade, o...

De Sócrates ao futuro

2016

Gestão de um falhanço

Simplexidade

Perdão?

É provável que já saísse ...

A esquerda dos direitos

A festa do caminho para a...

Optimistas

A estratégia de aumento d...

Ponto de divergência

O maior cego

Bafio

Chavões

A terceira categoria

Falhanço

Detenha-se a vítima

Olá, Mariana; não, podes ...

Ora, o que é um salário m...

Virgem (apesar da «gering...

Eternos cultores do curto...

Balanço provisório, antes...

Sinais

Treze gráficos

Estímulos

A garantia de sobrevivênc...

Rewind

reservas de oxigénio
Clique na imagem, leia, assine e divulgue
Iniciativa Legislativa de Cidadãos contra o Acordo Ortográfico. Leia, assine e divulgue!
tags

actualidade

antónio costa

blogues

cães e gatos

cinema

crise

das formas e cores

desporto

diário semifictício

divagações

douro

economia

eleições

empresas

europa

ficção

fotografia

fotos

governo

grécia

homens

humor

imagens pelas ruas

literatura

livros

metafísica do ciberespaço

mulheres

música

música recente

notícias

paisagens bucólicas

política

porto

portugal

ps

sócrates

televisão

viagens

vida

vídeos

todas as tags

favoritos

(2) Personagens de Romanc...

O avençado mental

Uma cripta em Praga

Escada rolante, elevador,...

Bisontes

Furgoneta

Trovoadas

A minha paixão por uma se...

Amor e malas de senhora

O orgasmo lírico

condutas submersas
Fazer olhinhos
subscrever feeds