como sobreviver submerso.

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015
Façam figas

Sexta-Feira, 13. Seguida, em Março, por outra sexta-feira, 13. Já não havia um mês com tamanho potencial para o azar desde 2009.


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publicado por José António Abreu às 09:49
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015
Arrogância e bons sinais

É provável que Schäuble repita hoje com Varoufakis a demonstração de falta de respeito que teve há um par de anos com Vítor Gaspar, não se levantando da cadeira de rodas para o cumprimentar. Mas Varoufakis até deverá ler no acto um bom sinal, após deixar abundantemente claro durante a campanha eleitoral grega considerar ter os alemães manietados.



publicado por José António Abreu às 10:05
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015
Dois trocadilhos estúpidos com suporte visual

Blog_happy-dog.jpg

Cãotentamento.

 

Blog_happy-cat_2.jpg

Felinicidade.

(Fotos apanhadas na rede.)


publicado por José António Abreu às 12:18
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Obrigado, Syriza, por trazeres alegria a anciãos

Depois da tristeza que constituiu a perda da liderança do Bloco, estes são os dias felizes de João Semedo.

Depois da tristeza que constituiu a prisão de Sócrates, estes são os dias felizes de Mário Soares.

Depois da tristeza que constituiu o 'assassinato' dos Kouachi e de Coulibaly por parte da polícia francesa, estes são os dias felizes de Boaventura Sousa Santos.



publicado por José António Abreu às 08:05
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015
Desperdício

Diz-se que muitos homens ouvem «sim» quando as mulheres dizem «não». Sem dar azo a violência física (excepto, talvez, autoflagelações), o problema oposto é menos grave mas causa certamente inúmeras mágoas. Às vezes desconfio que sofro dele. Que passei a vida a ler «nãos» onde afinal estavam «sins».

(E depois fico sem saber o que é mais patético: ter desperdiçado as oportunidades ou estar agora a inventá-las.)


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publicado por José António Abreu às 23:27
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014
Aviso

Na sequência da aplicação de um coeficiente de sustentabilidade, a partir de 2015 os anos apenas poderão retirar-se sem penalizações após o cumprimento integral de 366 dias (367 se forem bissextos).


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publicado por José António Abreu às 14:16
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014
Caramba

Quase publiquei isto por engano.


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publicado por José António Abreu às 15:26
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014
Das relações não desejadas

Desconheço que características minhas despoletaram a atracção. No que me diz respeito, nem me apercebi do início do processo. Actos conscientes e deliberados, penso que não tive. Ainda assim, algo terá sido. Química. Uma afinidade cósmica. Sorte ou, mais precisamente, azar. É curioso como relações tão intensas e íntimas podem nascer sem que uma das partes tenha consciência da sua existência até ser tarde demais. Até já não poder escapar às consequências, a uma luta feroz, sem quartel – suja. O corpo humano é uma coisa estranha, simultaneamente fascinante e assustadora. De uma tremenda força, física e mental; de uma absoluta fraqueza. Capaz de resistir aos maiores ataques, cedendo perante o invisível. E é verdade que, a determinada altura, cedi. Fui fraco. A partir desse momento o recuo era impossível - havíamos ido longe demais. (Quando a carne é fraca, corpo e espírito têm sofrimento assegurado.) Também já não era possível uma solução que nos deixasse incólumes. Há consequências, haverá mais. Terei de passar das palavras aos actos. Terei que ser duro, demonstrar que não me encontro disponível para continuar. Julgo poder escapar sem grandes marcas (preciso de optimismo). A longo prazo, serei até a parte menos afectada. Isso não me perturba. Nunca quis esta relação. É doentia.

Desculpem-me só um momento.

Atchim!

Está a dar cabo de mim.


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publicado por José António Abreu às 12:03
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014
Raios de luz
A prisão de José Sócrates, do amigo e do motorista está felizmente a destruir várias ideias-feitas. Por exemplo: que um político de topo nunca seria preso; que valores como a amizade estão hoje mais fracos do que no passado; que empregadores e funcionários já não se protegem mutuamente; que a única opção para uma pessoa com rendimentos moderados usufruir de motorista é apanhar um táxi; que enviar dinheiro entre países é uma operação impessoal, implicando não mais do que um par de minutos diante de um computador; que residir no interior significa estar-se mais longe dos acontecimentos importantes; que, no plano turístico, apenas algo de verdadeiramente espectacular poderia fazer concorrência às ruínas de um templo romano ou a uma capela forrada a ossos; que um animal feroz definha em cativeiro; que já não se escrevem cartas (hoje saiu mais uma); que a televisão permite chegar a audiências muito superiores à palavra escrita. Honestamente: obrigado, pá.


publicado por José António Abreu às 10:10
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014
Supremo Tribunal de Justiça mantém Sócrates em prisão preventiva

Decididamente, já não há Noronha. Perdão, já não há vergonha.



publicado por José António Abreu às 18:32
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Domingo, 30 de Novembro de 2014
Um congresso que se manteve consistentemente muito acima das minhas expectativas

Ontem não o acompanhei e hoje apenas assisti ao momento em que António Costa aproveitava o início do discurso final para desmentir todos os que o acusam de não ter boas ideias, sem custos excessivos para o erário público, saudando os presentes. Depois fui almoçar.



publicado por José António Abreu às 19:23
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014
Pequeno espinho

Ainda assim, não sei se gosto da ideia de estar a contribuir para pagar o alojamento do homem. Mas suponho que já o fiz durante anos.



publicado por José António Abreu às 16:02
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014
Calma, não nos precipitemos, indícios são apenas indícios e a nossa visão é parcial

Um cientista, especialista em lógica, vai passear no campo com a mulher. A certa altura ela diz:

«Olha aquelas ovelhas. Foram tosquiadas.»

«Sim», replica ele. «Deste lado.»



publicado por José António Abreu às 16:12
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Sábado, 22 de Novembro de 2014
SIC, TVI e Marcelo Rebelo de Sousa preocupados com detenção de Sócrates

Audiência da RTP nas noites de domingo deve aumentar.



publicado por José António Abreu às 14:26
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2014
Pit bull

Blogue_BullTerrier_p.jpg

 

Oito e meia da manhã. Na Praça da Galiza, no Porto, uma senhora de setenta e muitos ou, mais provavelmente, oitenta e poucos anos de idade passeia um bull terrier pela trela. O cão (ou cadela, que não pude descer a esses pormenores e hoje em dia, quando em dúvida, um tipo tem de ser politicamente correcto e mencionar ambos os sexos... perdão, géneros) não usa açaime e parece tão feliz da vida quanto os cães desta raça costumam parecer, pelo menos a quem não lida com eles de perto (digamos Vasco Pulido Valente num dia bom). A senhora, pelo contrário, parece aborrecida ou talvez apenas com sono (pensando bem, o «pelo contrário» não se aplica porque não existe grande diferença - o que até tem lógica quando é sabido que os donos de animais tendem a começar a parecer-se com eles, circunstância especialmente chata para possuidores de serpentes, tartarugas ou peixinhos de aquário). Talvez por gostar de cães, por, como já referi noutro texto qualquer, o único que alguma vez me mordeu ter tamanho e aspecto geral de pulga alimentada a esteróides anabolizantes, e por encarar com cepticismo todas as histerias geradas pela televisão, o cão não me inspira receio. Ainda assim, pergunto-me o que aconteceria se, repentinamente, ele se passasse. Não a mim - neste tipo de coisas, um tipo começa por imaginar-se espectador. É mais o que aconteceria à senhora, idosa e pequenina. Imagino-a a ser arrastada pelo pavimento ou a largar a trela e ficar imóvel, em pânico. Depois digo-me que há outras possibilidades. Que ela escolheu aquela raça e traz o cão sem açaime porque gosta do risco; porque, pequenina e idosa que seja, frágil e cansada que pareça, teve uma vida preenchida por aventuras e actos de desafio, por um desfile de prazeres que eu nem consigo imaginar e que, agora, passear um pit bull pela trela é dos poucos que lhe restam: uma última provocação a quem com ela se cruza e uma forma de manter algum suspense na vida. Depois penso que ainda há outra hipótese, uma versão-limite da anterior: que ela traz o cão não apenas pela emoção de passear pela trela um animal que os noticiários televisivos garantem poder passar-se a qualquer instante e que ela nunca conseguiria segurar se tal acontecesse mas porque deseja realmente que ele ataque alguém. Ou seja, por desejar o acto e não a emoção de o antecipar. Por querer surgir na televisão, declarar que o animal lá teria as suas razões, que a maioria das pessoas merece ser estraçalhada, que o cão nunca se enganava nos seus instintos. Sempre com ar sereno e - passe o paradoxo, nada incomum em pessoas baixas - ligeiramente altivo. Isto faz-me olhar para ela com outros olhos, com - deve haver algo de doentio em mim - um respeito renovado. Depois percebo que, em qualquer das hipóteses, de momento sou a pessoa mais próxima e que, tanto quanto o meu ponto de vista limitado e parcial me permite avaliar, não mereço ser estraçalhado. Começo por isso a caminhar mais depressa e durante cinquenta metros resisto à tentação de olhar para trás. Mantenho-me contudo atento à possibilidade de ouvir passos de cão em corrida.

 

(Moral da história que, adaptada às suas próprias circunstâncias, várias pessoas tão dignas quanto eu de não serem estraçalhadas certamente subscreverão: nem cães nem notícias televisivas em registo histérico conseguem assustar-me tanto como outros humanos, ainda que pertençam à subcategoria das velhinhas pequeninas, ou como, acima de todas as hipóteses anteriores, consegue assustar-me o raio deste cérebro com tendência para elucubrações despropositadas.)


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publicado por José António Abreu às 16:47
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014
Mea culpa

Por motivos que não vêm ao caso, tenho seguido pouco a campanha interna do Partido Socialista. Indesculpável, eu sei, quaisquer que sejam os tais motivos, decorrendo ela desde tempos quase pré-pós-troika e, considerando a qualidade dos intervenientes principais (ou pelo menos de um deles, génio indiscutível, messias sem túnica), estando ela certamente repleta de ideias inovadoras que farão Portugal crescer a seis ou sete por cento ao ano, de modo a, talvez logo no orçamento de 2016, poderem reverter-se as políticas do governo actual e evitarem-se mudanças tão tenebrosas quanto a privatização de empresas públicas e a reforma da Segurança Social.

 

Transbordando de complexo de culpa, decidi que tinha de ver o primeiro debate televisivo entre Seguro e Costa, ocorrido anteontem. Infelizmente, um facto inesperado impôs-se de novo: esqueci-me. Só ontem de manhã, ao ler os textos do Luís Menezes Leitão e do Pedro Correia, no Delito de Opinião, me apercebi da falha cometida (sim, sim, sem dúvida: é indesculpável). Desesperado, resolvi que nada me faria deixar de assistir ao da noite passada. De modo a não falhar novamente, coloquei um alerta no telemóvel e optei mesmo por não ir à Feira do Livro do Porto ver Pedro Mexia e Salvato Telles de Menezes discorrerem sobre as obras de David Foster Wallace e Pier Paolo Pasolini (andava há vários dias desejoso de perceber as ligações entre ambas mas aquilo começava às sete da tarde e sabe-se lá se demoraria tanto tempo quanto leva a ler Infinite Jest ou parecem demorar os filmes de Pasolini). Infelizmente, quando cheguei a casa pousei o telefone no quarto, onde deve ter retinido até, misericordiosamente, lhe acabar a bateria, e depois pus-me a rever um filme de 1932 com Marlene Dietrich (O Expresso de Shangai, de Joseph Von Sternberg), acabando por me esquecer outra vez. Evidentemente, estou mortificado, não tenho feito outra coisa que não criticar-me e garanto que tentarei corrigir a minha ignorância sobre a campanha interna do PS tão depressa quanto possível. Creio que há um terceiro debate e procurarei não o falhar, nem que para isso tenha de usar métodos ainda mais radicais, como, para começar, ir ao Google pesquisar a data da sua realização. E, se por uma conjugação aziaga do destino, também esse não vir, procurarei informação nos noticiários televisivos, ainda que tal me pareça um oxímoro, e nos jornais e na internet e na rádio e noutros meios de que entretanto me lembre. Talvez até siga os candidatos e assista aos seus discursos. Afinal, em Outubro já devo ter menos razões para andar tão alheado da actualidade política.
 

Se não o conseguir, resta-me o consolo de saber que, felizmente, qualquer dos candidatos tem capacidades e ideias mais do que suficientes para salvar o país sem a minha atenção.



publicado por José António Abreu às 13:38
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014
Sofrimento por antecipação

Pois, pois... É óptimo o dia 25 de Abril este ano calhar a uma sexta-feira mas isso só quer dizer que, no próximo, calhará a um sábado.



publicado por José António Abreu às 14:31
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013
Défice de leitura
É um dos pontos negativos desta altura do ano. O frio não me incomoda por aí além. Até gosto. Mas o meu nível de leitura diminui. Culpo a roupa de Inverno, especialmente a feminina. E não apenas devido aos casacos grossos. Mesmo por baixo deles, as camisolas de Inverno, quase sempre de malha, não têm que ler. É verdade que a literatura, hmmmm, digamos peitoral, tende a ser light. Ainda assim, encontro-lhe frequentemente uma relevância significativa. Duas dúzias de t-shirts equivalem praticamente a dois meses de Twitter. Ou a um livro pequeno do Gonçalo M. Tavares. E depois há o outro sentido de «relevância» que, como se diria numa canção a puxar para o pimba, também tem a sua importância. Epigramas, aforismos ou frases enigmáticas flutuando delicadamente sobre determinadas partes do corpo são uma provocação irresistível. Um estímulo à capacidade de ler depressa e de esguelha. Uma forma de manter os neurónios ocupados e um nível mínimo de adrenalina no sangue. No Inverno, como seria de esperar, sinto-lhe a falta. Ando pelas ruas sem saber onde pousar o olhar. Já tentei ler painéis publicitários mas não gosto. Falta-lhes calor humano. Restam-me as pontas de nariz enregeladas que, mesmo não possuindo texto, são como pequenas short stories visuais. Haverá consequências positivas desta redução de material de leitura: o risco de atravessar inadvertidamente uma rua com o semáforo vermelho deve ficar mais baixo. Ler menos terá no mínimo esse efeito positivo. E, enfim, suponho que posso tentar compensar a falta de leitura de peito reforçando a leitura daquelas coisas antiquadas – e, tanto nas formas tradicionais como nas novas e cibernéticas encarnações, desesperadamente lisas – chamadas livros. Mas não será a mesma coisa. Ler blusas é como uma dose de vitaminas que só existe num determinado alimento. É como a vitamina D, que apenas se obtém com abundância no Verão, ao sol. Deve até ser por isto que tantas pessoas olham para mim e comentam que ando anémico. Têm razão: ando com tão pouca energia que nem no blogue tenho escrito. Tudo bate certo, agora que penso no assunto. Mas preciso de reagir. Hei-de ir a uma farmácia ver se há suplementos para suprir esta deficiência. Ou talvez experimente ler outro livro do Gonçalo M. Tavares.

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publicado por José António Abreu às 08:44
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013
Violação do espaço aéreo

É claro que hoje em dia a assunção de Nossa Senhora seria imediatamente travada por um míssil Patriot.



publicado por José António Abreu às 10:34
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013
Exclusivo: medidas secretas da ministra das Finanças (aviso: pode conter vestígios de machismo)

- As empresas fabricantes de calçado são isentadas do pagamento de IRC.

- É criada nova taxa de IVA de 50%, a aplicar a bilhetes de futebol, de touradas, de combates de boxe e de bilhetes de cinema para filmes com mais de três explosões ou duas perseguições de automóvel. Em contrapartida, os bilhetes de cinema para comédias românticas baixam para a taxa reduzida.

- Com excepção dos de culinária, dos de auto-ajuda e dos escritos por Nicholas Sparks ou Nora Roberts, os livros transitam para a taxa normal de IVA.

- A percentagem do valor do IVA respeitante a refeições dedutível no IRS quadruplica se as refeições forem constituídas apenas por saladas e águas sem gás (ou sumos naturais). No caso de cabeleireiros, o valor da dedução pode atingir seis vezes o actual mas introduz-se uma avaliação de necessidade e mérito, a qual exige o envio de prova fotográfica das operações realizadas para a Autoridade Tributária e Aduaneira (de modo a evitar problemas com a comissão de protecção de dados, ficam de fora da necessidade de prova fotográfica as depilações a partes íntimas).

-  Gastos com cosméticos, perfumes, shampoos, amaciadores, produtos de higiene feminina e produtos de decoração de interiores passam a poder ser deduzidos no IRS.

- Os escalões do imposto automóvel passam a ser definidos pela cor do veículo.

A ministra propõe ainda que as negociações com a Troika sejam marcadas para dias com conjugação astral favorável e que seja criada legislação obrigando os fornecedores do serviço de correio electrónico a bloquear cópias das mensagens para fora dos seus servidores e a apagá-las automaticamente noventa dias após a data do seu envio.

 

 

 

(Adeus. Volto quando toda a gente tiver dado várias voltas ao aquário.)



publicado por José António Abreu às 13:40
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2013
Um tipo (que escreve em blogues)
Um tipo coloca no blogue colectivo onde escreve um post que, directamente ou por derivações inesperadas, gera debate aceso na caixa de comentários. Um tipo afadiga-se a tentar responder aos comentários: recolhe e compila dados para suportar as afirmações que fez, alinhava respostas longas que, ainda assim, parecem ficar sempre aquém do objectivo. Um tipo fica cansado e, para piorar as coisas, a azáfama impede-o de congeminar novos posts, quanto mais de os elaborar. Afinal, o dia é composto por um número limitado de horas, algumas têm que ser dedicadas à actividade denominada emprego, menos entusiasmante do que espicaçar concidadãos num blogue mas mais importante para a prosaica questão da sobrevivência diária, um par de outras a deslocações e refeições (e um tipo gosta de comer) e ainda há que responder à necessidade fisiológica de dormir (e um tipo também gosta de dormir sendo que, ao contrário do professor Marcelo, precisa de sete ou – de preferência – oito horas diárias para carburar razoavelmente). Para mais, um tipo gostaria igualmente de reservar algum tempo para ler, ouvir música e ver coisas na televisão (filmes, episódios de séries, óperas, o Federer a tentar vencer os efeitos da idade e a Julia Goerges a tentar dominar a inércia das mamas). Um tipo pergunta-se: e agora? Será melhor fazer uma pausa? É que um tipo até podia entrar nos sites dos jornais, onde sem dificuldade encontraria assunto para mais um post curto, no estilo alfinetada ou desabafo. Podia analisar a entrada no governo do homem da Super Bock, que deixou dry o homem do Canadá, renegado desde o início por empresários do regime e respectivas associações, habituados uns e outras a possuírem controlo quase total sobre o ministério da Economia. Podia ir ver que privilégio absurdo reivindicam hoje os funcionários das empresas públicas de transportes. Podia gozar com a dupla Semedo & Martins, Olhares e Sorrisos Tristes, SA. Podia tentar perceber (e certamente falhar, como Pedro Lino fez anteontem no Económico) o sentido de algumas propostas de António José Seguro. Podia questionar se a expressão mais usada actualmente pelo Partido Comunista, «pacto de agressão», não deveria ser ‘acordificada’ à força (como anda a acontecer aos ‘contatos’ e aos ‘fatos’) e tornar-se «pato de agressão» (caso em que seria conveniente alterá-la para «patos agredidos», com os portugueses – ou, de forma a excluir banqueiros e administradores de várias empresas ex-públicas, o «povo português» – no lugar dos patos). Mas e se, publicado o texto, volta a gerar-se uma polémica na caixa de comentários, obrigando um tipo a afadigar-se novamente em pesquisas e alinhavamento de respostas, do que resultaria, para além de nova subida do nível de stress, pouco tempo para pensar e alinhavar posts sobre assuntos mais interessantes, tais como a Nova Vaga do cinema checo na década de sessenta do século passado, as três mil e quinhentas páginas que o escritor norueguês Karl Ove Knausgaard publicou em pouco mais de dois anos versando os acontecimentos dos seus (dele, Knausgaard) quarenta anos de vida, ou as diferenças (expressas através de fotografias) entre parapeitos de janelas de vários países europeus? Dilemas, dilemas. Um tipo acaba por decidir tirar pelo menos umas horas de pausa e decidir mais tarde. O blogue passará bem sem ele. Um tipo só é importante na própria cabeça.


publicado por José António Abreu às 12:48
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
A grande dúvida linguística da actualidade

Em cavaquês, «mediar» significa «liderar»?



publicado por José António Abreu às 08:43
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Reacções de quem conta, imediatamente após o discurso de Cavaco Silva

Merkel: «Hã?»

 

Dijsselbloem: «Hã? Não, a sério: o quê?»

 

Barroso: «Hã? Oh, merda. Raios partam os presidentes!»

 

Draghi: «Hã? Mamma mia! Onde é que pus o livro de cheques?»

 

Lagarde: «Nicolas? Estás aí, Nicolas?... Carla? Desculpa, enganei-me no número.»



publicado por José António Abreu às 08:26
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Segunda-feira, 8 de Julho de 2013
Explicação para a minha reduzida actividade bloguística

Os posts derretem antes de eu os publicar.


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publicado por José António Abreu às 17:18
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Terça-feira, 2 de Julho de 2013
Desabafo

Dizer que Paulo Portas «bateu com a porta» é tããão básico...



publicado por José António Abreu às 17:27
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Notícias paralelas

Casas de fotocópias de Lisboa sobrecarregadas de trabalho.



publicado por José António Abreu às 17:13
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
Newsflash: Bloco de Esquerda suaviza posição
Depois de muitos meses a exigir a demissão do governo, exigiu hoje apenas a demissão do Ministro da Educação.


publicado por José António Abreu às 18:19
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013
Novo estudo sobre tendências de consumo revela dado surpreendente

Seis milhões de portugueses reagem mal a descontos.



publicado por José António Abreu às 08:23
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Sábado, 11 de Maio de 2013
Check-list

OK, acho que estou preparado para o Porto - Benfica.


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publicado por José António Abreu às 16:06
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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
O chulo e o traficante de droga

Ela diz que que um chulo vai lá almoçar, e também um traficante de droga, ambos em plena luz do dia. Apontou-mos, com muitos sussurros excitados. O chulo vestia um fato de três peças e parecia um corretor da bolsa. O traficante de droga tinha um bigode cinzento e roupa de ganga, como um sindicalista dos velhos tempos.

Margaret Atwood, O Assassino Cego. Tradução minha.



publicado por José António Abreu às 22:37
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