Paulo Portas podia salvar sozinho de um incêndio num lar de idosos todos os residentes, o cão, o gato, o peixinho de aquário e a carne de vaca guardada na arca frigorífica que ainda assim teria pessoas a criticá-lo e a acusá-lo de demagogia. A mente frenética e o entusiasmo com que tenta passar as ideias são totalmente inadequados a um país de gente que não gosta de processar muita informação de cada vez. É demasiado autoconsciente, não por sentir que as coisas lhe estão a sair mal como sucede, por exemplo, a muitos formadores inexperientes, mas porque o seu cérebro não consegue relaxar e se encontra sempre dois segundos adiantado em relação ao que está a dizer. Quando fala ouve-se a falar, quando está na televisão procura ver que câmara está a gravar, quando diz uma piada sorri antes de todos os restantes, quando tem o que considera uma boa ideia entusiasma-se antes do tempo. O resultado é um discurso e uma pose que parecem encenados (e são, mas quase sempre no momento). A tragédia de Portas é que a suas qualidades são também os seus defeitos.
Claro que salvar a carne de vaca poderia mesmo ser considerado demagogia.
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