Sócrates não tem capacidade de auto-ironia e isso diz quase tudo sobre ele. Em parte, talvez seja assim por saber que o trajecto que usou para chegar onde está se encontra pejado de opções criticáveis. A assinatura de projectos alheios, o carreirismo político, a licenciatura facilitada, as falhas culturais. Como a melhor defesa é o ataque (um lugar comum não necessariamente verdadeiro mas quase com força de lei neste país), blinda dúvidas e avança certezas. A certeza de que é perfeito («estou muito satisfeito comigo mesmo») e de que o passado não interessa. Aliás, nem o presente lhe interessa muito. O que lhe interessa verdadeiramente são as visões que tem do futuro. A cultura foi substituída por um deslumbramento com as novas tecnologias (Cavaco, também não exactamente conhecido pelo nível cultural, apostara nas infraestruturas). Sócrates é um Rastignac que fez tudo o que era preciso fazer para chegar ao topo mas evita pensar nisso. Está – pensará ele – onde devia estar. Na intimidade, com as defesas em baixo, é capaz de ser um tipo “porreiro”. Mas líderes assim são perigosos.
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