Numa entrevista incluída no i de ontem (não a descobri no site do jornal), António Borges explicou de forma cristalina a razão por que certas empresas apoiam a estratégia de investimentos do governo e os resultados que daí advirão. Uma grande fatia (Borges disse metade) da economia nacional (energia, telecomunicações, banca, seguros, distribuição) tem um mercado protegido, sem concorrência externa (nestes sectores, é irrelevante que os chineses ou quaisquer outros tenham custos de produção mais baixos). A estas empresas agrada que o Estado invista tanto quanto possível. Para as restantes (as exportadoras), que o Estado gaste em estradas, num novo aeroporto ou no TGV é quase irrelevante. Os produtos que fabricam não ficam mais competitivos no exterior por causa disso. Para estas empresas seria muito mais importante uma intervenção ao nível dos factores com impacto no preço dos produtos (custo do crédito, da energia, dos combustíveis, das responsabilidades fiscais, etc.). Ainda por cima, o crescimento das empresas protegidas está limitado pelo mercado interno. Resultado? A economia estagna e precisa cada vez mais da intervenção do Estado. Que se endivida cada vez mais e cobra cada vez mais impostos, hipotecando a margem de manobra futura e (no que é uma outra espécie de 'asfixia democrática') asfixiando a economia.
Nota: este post nasceu das respostas de António Borges mas permiti-me elaborar um pouco sobre elas (até porque já não tenho comigo o jornal para o poder citar). Quaisquer erros ou imprecisões são da minha responsabilidade.
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