como sobreviver submerso.
Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
O desmancha-prazeres

Não contem comigo para correntes. Aquelas que vêm por correio electrónico e se percebe o que são logo no título: apago-as antes de ler. Aquelas que ameaçam com doenças terminais ou acidentes sanguinolentos se nos atrevermos a interrompê-las: rio-me na face do perigo. Aquelas, em esquema de Ponzi, que vinham antigamente por carta e pediam que se enviasse uma nota de vinte escudos para o primeiro endereço na lista e se acrescentasse nome e morada no fundo desta: as notas de vinte escudos davam-me jeito para comprar livros da colecção Vampiro que, na altura, custavam quarenta ou cinquenta.

 
Pelo que esta simpática menção da Cristina Mendes Ribeiro, no Estado Sentido, me coloca um problema. Ela incluiu O Escafandro na lista de blogues merecedores do prémio “Seu Blogue é Viciante”. Agradeço, sensibilizado. Mas a distinção comporta exigências. Três, para ser preciso: colocar uma simpática, se bem que ligeiramente tétrica, imagem no blogue; mencionar três coisas a fazer no futuro; indicar dez blogues viciantes e alertar os seus autores. Ora eu não me importaria de colocar aqui a imagem (parece-me adequada a um escafandro, especialmente uns tempos depois de alguém cortar o tubo do ar) e posso perfeitamente enunciar três coisas que pretendo fazer, mas o último ponto coloca-me dois problemas:
1. Vai contra a minha filosofia de não prolongar correntes, a não ser que sejam humanitárias;
2. Cria-me uma obrigação e obriga-me a criar uma obrigação a dez bloggers.
Eu poderia passar por cima do ponto 1 (a minha flexibilidade já teve melhores dias mas ainda consigo tocar com as extremidades dos dedos das mãos nas pontas dos pés) mas não consigo fazer o mesmo em relação ao ponto 2. Quando, há quase trezentos posts, comecei O Escafandro, fi-lo na crença de que não teria obrigações (horários, prazos, pessoas a quem tentar agradar) nem iria exigir o que quer que fosse às magnânimas almas que por aqui passassem (excepto que não se esquecessem de ser magnânimas) ou que, mesmo não passando, partilhassem esta realidade paralela chamada blogosfera. Assim sendo, cara Cristina, agradeço a distinção mas vou abster-me de indicar os tais dez blogues viciantes (de qualquer modo, na coluna da esquerda estão alguns, entre os quais o Estado Sentido e o Novo Rumo, por onde passo todos os dias e que se enquadram certamente nessa categoria). Esta recusa custa-me pontos (três, se bem me lembro das transmissões televisivas de hipismo) e impede-me de colocar o pequeno esqueleto dentro d’O Escafandro. Posso, no entanto, enunciar as tais três coisas que tenciono fazer em breve:
- Acabar um post sobre Joyce Carol Oates, prometido há semanas, e que já vai com quase duas mil e quinhentas palavras (parece-me bem que vou ter de quebrar outro princípio e cortá-lo em nacos mais digeríveis);
- Ler a Border Trilogy, de Cormac McCarthy;
- Retomar as minhas deambulações turístico-fotográficas pelas ruas do Porto, que a manutenção deste blogue tem prejudicado (aproveito para alertar que trocar passeios a pé por escrita em blogues pode engordar).
 

E pronto. Agora vou ali para o canto apelidar-me de desmancha-prazeres.



publicado por José António Abreu às 13:36
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10 comentários:
De Margarida a 29 de Agosto de 2009 às 01:22
Sintonizadísimo!
Mas V.Exa. está na minha não-lista... Image
(of course...)
Aliás, já antes desta coisa começar se percebia:

http://criativemo-nos.blogspot.com/2009/08/dependencias-iii.html (http://criativemo-nos.blogspot.com/2009/08/dependencias-iii.html)
(passe a treta da pseudo 'publicidade')


De José António Abreu a 29 de Agosto de 2009 às 12:46
Eu já tinha reparado, Margarida. Muitíssimo obrigado. E também li a sua resposta à mesma (merecida) distinção. Temos que começar uma corrente "Este blogue não participa em correntes"...
Image


De Margarida a 29 de Agosto de 2009 às 12:50
Image
... parece que lhe puxei a banda do casaco...; e é que puxei mesmo, ai!
...
Mas, no seu caso, o relevo é por demais justo.
Já as coisinhas da 'petinga' são irrelevantíssimas.
Essa é qu eé essa.
Mai'nada!


De José António Abreu a 29 de Agosto de 2009 às 14:51
Ao fim-de-semana nem uso casaco...

E ia responder com uma longa epístola sobre a relevância e irrelevância das coisas mas não o farei (talvez noutro dia). Vou só dizer-lhe para aproveitar o bom tempo que presumo que esteja no Porto (estou a quase duzentos quilómetros), deixar de roer chocolate e ir dar um passeio no parque da cidade com a Ingrid e a Teckel Kaya.


De Margarida a 29 de Agosto de 2009 às 19:09
Estivemos a jardinar; um calor de ananazes!
Agora dormem e há um arrozinho de ervilhas para fazer.
Nada de chocolate hoje!
(até ver...)
Boas férias!
Image  


De José António Abreu a 29 de Agosto de 2009 às 19:50
Não são férias. Eu sou um imigrante no Porto. Como todos os imigrantes, venho com regularidade à 'terrinha'.
Arroz de ervilhas, é? Bom apetite.
(Ia para acrescentar um sapinho mas agora todos me parecem ervilhas com olhos. Err... que isto não lhe estrague o apetite.)


De Margarida a 29 de Agosto de 2009 às 22:54
Image
estava boooooommmmmm..., com peixe de caril, miam, miam...
'imigrante'? Ohhhhh...
Já passei por tal, custa sempre um bocadinho.
Então, boa viagem de regresso Image


De Cristina Ribeiro a 31 de Agosto de 2009 às 18:32
Como é que esta " desprazenteira "nega me passou despercebida? Es que  no lo seyi, pero esta  usted perdonado (será assim que se escreve?)


( Além de que cumpriu parte do pedido- só por isso já merece menção honrosa - azul, pronto :) -Image


De Cristina Ribeiro a 31 de Agosto de 2009 às 18:59
Ja lo sei ( sem aquele irritante y ): o postezinho que escrevi na Sexta-feira foi o canto do cisne do meu velhinho portátil; está claro que no Sábado já cá estava um novinho em folha :)


De José António Abreu a 31 de Agosto de 2009 às 21:51
E a mim já me estavam a passar despercebidos estes comentários. Lamento a "nega" mas "correntes" é mesmo um dos meus ódios de estimação (talvez ainda escreva um post sobre eles mas receio que fique demasiado comprido).  Quanto à "morte" do portátil, não se esqueça de ir fazendo backups que a lei de Murphy, por não depender do sistema judicial, é das poucas que se aplicam tão bem em Portugal como em qualquer outro país.


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