como sobreviver submerso.
Domingo, 12 de Julho de 2009
A independência de Elisa e a inteligência do PS

À partida, a escolha de Elisa Ferreira para candidata à Câmara Municipal do Porto nem era má. Portuense, com imagem de seriedade, de independência de espírito (que os portuenses apreciam), e de alguma competência executória (vá-se lá saber porquê, e com excepção do actual que ninguém conhece, os Ministros do Ambiente tendem a ficar com boa imagem), Elisa também não é vista como demasiado intelectual, o que, para os prosaicos portuenses, só podia ser positivo.

 
Estas características eram adequadas para combater um Rui Rio aparentemente impoluto (nem o PS nem outras “forças” da cidade alguma vez conseguiram descobrir uma brecha na sua imagem de honestidade) mas que continua a manter fortes opositores nos sectores culturais e futebolísticos da cidade, que tem tiques de autoritarismo (que os portuenses, como os portugueses, parecem apreciar) e cujo segundo mandato foi parco em resultados visíveis.
 
O lançamento da candidatura foi feito com pompa e circunstância e incluiu um José Sócrates laudatório (ele que abomina Elisa desde os tempos em que foi secretário de Estado dela) e um Carlos Magno (essa reserva da moral jornalística nacional) armado a estratega. Foi quase o único momento em que tudo pareceu correr bem. A famosa declaração “o dinheiro é do PS” acabou cedo com a imagem de seriedade. Elisa, que reclama agora insistentemente o seu estatuto de “independente”, mostrou aí quão independente – pelo menos de espírito – é.
 
Depois chegou a questão da acumulação das candidaturas ao parlamento europeu e à Câmara. Vou escrevê-lo a bold para memória futura, uma vez que, mesmo após tantas provas de que os resultados são maus, o erro continua a ser cometido: os portuenses não suportam sentir-se a segunda escolha. Não gostam que quem lhes pede o voto o faça tão convictamente que tenha tratado de proteger a retaguarda com um cargo principescamente remunerado. Nem que quem lhes pede o voto os abandone à primeira oferta de um cargo melhor. Fernando Gomes aprendeu-o há anos, o PS parece que ainda não.
 
Elisa Ferreira nunca se livraria deste estigma mas a recente decisão socialista (correcta mas tardia e oportunista) de impedir a acumulação de candidaturas à Assembleia da República e a órgãos autárquicos veio tornar as coisas ainda mais difíceis para ela, ao chamar de novo a atenção para a sua duplicidade (e para a de Ana Gomes). Saíram também as primeiras sondagens, catastróficas. A concelhia do Porto do PS apressou-se a instá-la a desistir, numa demonstração de falta de unidade interna que – nunca aprendem – só piora as coisas. Admitamos que Elisa abandonava. A três meses das eleições, quem iria o PS buscar para contrapor a Rio? Segundo o JN (jornal que ataca Rio há anos e onde Elisa escreve uma coluna propagandística aos domingos), dois nomes encontravam-se em cima da mesa da concelhia: Manuel Pizarro, actual Secretário de Estado da Saúde, e Nuno Cardoso. O primeiro é quase desconhecido e, sensatamente, terá recusado de imediato. O segundo é um desastre ambulante, ligado à polémica autorização de construção nos terrenos do parque da cidade e à confusão (evitemos termos demasiado fortes) em torno das permutas de terrenos com o FCP antes da construção do novo estádio, recentemente condenado por favorecer o Boavista enquanto era Presidente da Câmara. Revelador da capacidade de renovação e de preocupação com a comunidade que floresce nas estruturas partidárias locais, não?
 
O melhor que o PS tem a fazer – e parece que Sócrates o entendeu – é aguentar estoicamente. As eleições estão perdidas. Aprendam com os erros, se tiverem capacidade para o fazer, e tentem fazer melhor da próxima vez. Se calhar não era má ideia correr com as pessoas que mandam na concelhia. Mas isto é só uma sugestão e provavelmente nada fácil de pôr em prática.
 
Adenda (segunda-feira, 13 de Julho): Sócrates dá raspanete à concelhia. Aleluia!


publicado por José António Abreu às 15:59
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