Sem ilusões de que o atraso seja de algum modo fashionable, ando a ver The Wire (vou na quinta e última série de episódios e, sim, trata-se provavavelmente da melhor série televisiva de todos os tempos*). No início da terceira temporada, a polícia não consegue obter resultados das escutas porque, para além de trocarem de telemóvel com regularidade, os traficantes de droga, em especial nos níveis médios e elevados da organização, são extremamente cuidadosos acerca do que dizem ao telefone. Numa tentativa de contornar o problema, a polícia arranja forma de prender uma chefia intermédia, na esperança de ver promovido ao seu posto um familiar de um tipo importante, com tendência para falar demais. Quando o plano é apresentado, um dos polícias pergunta: «Mas porque hão-de eles promover um incompetente?» A resposta é: «Porque não? Nós fazemo-lo todos os dias.»
O plano acaba por não dar certo porque os traficantes são afinal mais espertos do que a hierarquia da policia (ou das muitas outras organizações onde a cunha vence o mérito) e não promovem o idiota. Mas, para mim, este nem é o ponto mais curioso. O ponto mais curioso é eu contar isto à frente de chefias e elas esboçarem trejeitos de compreensão e rirem-se com um prazer que parece genuíno.
* O início do primeiro episódio, para quem nunca tiver visto (ou, tendo visto, quiser relembrar):
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