como sobreviver submerso.
O secretário de Estado devia ter dito: «Sim, estive no Citigroup e, entre outras propostas, apresentámos ao governo um produto destinado a melhorar os números oficiais do défice. Retrospectivamente, admito que, a longo prazo, aquilo talvez não fosse conveniente para o governo mas na altura não se sabia o que se sabe hoje e, acima de tudo, fazia parte das minhas funções procurar vender os produtos do banco.» Em vez disso, tentou disfarçar. Em vez disso, o governo tentou assobiar para o lado e Pedro Lomba – que, até começar com esta coisa dos briefings diários, eu sempre considerara um tipo inteligente – meteu os pés pelas mãos.
Porém, mais preocupante para o futuro é o facto da combinação entre a lavagem de roupa suja em que PSD e PS andam mergulhados e a existência de órgãos de informação que se limitam a transmitir acriticamente 'notícias' fornecidas pelos partidos gerar um sistema mediático esquizofrénico no qual o nível de gravidade dos acontecimentos não obedece a qualquer escala de razoabilidade. Podem arranjar-se inúmeros exemplos mas nem é preciso mudar de caso: tentar vender os produtos da empresa para que se trabalha é aparentemente inaceitável e motivo de demissão; já renegociar as PPP em nome do Estado com prejuízo para este – algo que, na minha opinião (e a ser provado), constituiria um motivo de demissão bastante mais forte – passou razoavelmente sem debate, uma vez que nem PS (que governava durante a renegociação) nem PSD (que procurava evitar a demissão, quaisquer que fossem as causas) tinham interesse em que o assunto fosse debatido. Ficámos, assim, pelos
swaps e por uma comunicação social cada vez mais especialista no papel de caixa de ressonância e geração de histeria. Pior: por entre urros escandalizados, iniciou-se uma pequena
caça às bruxas, de momento centrada em ex-funcionários do Citigroup mas que poderá – mantenhamos o optimismo – estender-se a outros grupos financeiros. Enquanto isto, até o corte nas pensões dos funcionários públicos foi relegado para segundo plano no alinhamento dos noticiários. Mas esta parte o governo agradece.