E depois, claro, quando os números recolhidos formam uma tendência, a Netflix sabe o que fazer:
For almost a year, Netflix executives have told us that their detailed knowledge of Netflix subscriber viewing preferences clinched their decision to license a remake of the popular and critically well regarded 1990 BBC miniseries. Netflix’s data indicated that the same subscribers who loved the original BBC production also gobbled down movies starring Kevin Spacey or directed by David Fincher. Therefore, concluded Netflix executives, a remake of the BBC drama with Spacey and Fincher attached was a no-brainer, to the point that the company committed $100 million for two 13-episode seasons.
Bem-vindos pois à versão moderna de House of Cards. Mas qual o problema, se de tudo isto resultou uma excelente série? O problema é a tendência para se formar um círculo vicioso, em que cada vez mais é fornecido às pessoas aquilo de que elas já gostam, sendo escritores, realizadores, actores, editores, etc, obrigados a trabalhar de acordo com guias bem estabelecidos. Onde fica a criatividade de quem faz e os prazeres inesperados de quem vê? Onde fica o risco de quem produz e o alargar de horizontes de quem assiste? Não sei. De qualquer modo, sejamos francos: há uma parte da população que há muito (talvez desde sempre) recusa qualquer esforço no consumo de televisão, alimentando-se de novelas, todas iguais, todas recheadas de clichés, de concursos e de talk shows básicos. Nesse sentido, que as estatísticas da Netflix a tenham conduzido a House of Cards, a Spacey e a Fincher até pode ser considerado um sinal positivo do nível de exigência médio dos espectadores dos serviços de TV por subscrição. E em muitas séries da HBO também existem, de forma nada inocente, temas recorrentes: a nudez, a violência. Mas nada disto elimina completamente o risco de uniformização excessiva, de formatação. E depois há outros riscos: desde logo, o de manipulação – e não somente por parte de canais televisivos:
The Obama campaign used the same kind of number crunching to target voters with more accuracy than any political campaign had ever accomplished before. Online advertisers are also gathering vast amounts of detailed information about us from our smartphones, our Facebook likes and our Google searches.
[…]
The companies that figure out how to generate intelligence from that data will know more about us than we know ourselves, and will be able to craft techniques that push us toward where they want us to go, rather than where we would go by ourselves if left to our own devices. I’m guessing this will be good for Netflix’s bottom line, but at what point do we go from being happy subscribers, to mindless puppets?
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