como sobreviver submerso.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Madoff: em breve, a lenda

Bernard Madoff foi hoje condenado a 150 anos de prisão. Não gosto dele pela maldade que fez a tanta gente, incluindo à adorável Kyra Sedwick, que eu vejo sempre com um telecomando de um portão de garagem na mão explicando como o objecto significa a sua liberdade (Singles, de Cameron Crowe, circa 1991). Ainda assim, vou abster-me de dizer “bem feito” e de comparar a celeridade e a efectividade da justiça americana com o que pelas nossas bandas passa por justiça. Estou certo de que outros o farão abundante e merecidamente. Este texto é para outra coisa. Atendendo aos 71 anos de idade, Madoff falecerá na prisão e dentro de não muitos anos. Mas, a médio prazo, conseguirá algo que apenas os maiores burlões atingem: uma fama onde a admiração se mescla com e, na verdade, se sobrepõe a qualquer consideração ética. É necessário admiti-lo: adoramos burlões. Ficamos pasmados perante a sua audácia e os valores atingidos pelas falcatruas que executam. Basta pensar nos mais conhecidos burlões portugueses do século XX (políticos excluídos): Alves dos Reis e Dona Branca. São famosos. Já se fizeram séries televisivas sobre ambos. Pensamos neles com um esgar de admiração, não de raiva. À distância de alguns anos, até os entendemos. Dona Branca era uma senhora bondosa e bem intencionada, não era? E, na verdade, não nos importaríamos de imprimir dinheiro, desde que pudéssemos não ser apanhados. Normalmente um burlão é um gajo esperto e metê-lo na cadeia, se satisfaz o nosso desejo de vingança, é uma maldade quase tão grande quanto as burlas que ele cometeu. Pode ser necessário que passem alguns anos mas é assim que acabamos por vê-los. Madoff acabou de assegurar um lugar especial no panteão dos burlões. É responsável pela maior fraude financeira da história. Cinquenta mil milhões de euros. Impressionante. Dentro de meia dúzia de anos será reverenciado. Escrever-se-ão livros sobre a sua vida. Hollywood fará filmes sobre o que aconteceu. (Provavelmente nem será preciso tanto tempo.) Quantos financeiros honestos conseguem algo similar?



publicado por José António Abreu às 19:36
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