como sobreviver submerso.
Terça-feira, 12 de Junho de 2012
Esta inércia incapacitante...

Sinto-me o garagista do velho anúncio da Dyane. Os acontecimentos passam-me ao lado «e eu a vê-los passar». Para ser franco, quase nem tenho visto os noticiários. Praga fez-me perder a vontade de acompanhar a histeria do quotidiano – e mais ainda de perder tempo a escrever sobre ela. Também, o que raio se tem passado?

 

António Borges – e, como por cá nunca ninguém pode ter (muito menos emitir) opiniões sem autorização do chefe, Passos Coelho – é crucificado por dizer o óbvio: no ponto a que chegámos, sem desvalorização fiscal ou níveis de crescimento económico inatingíveis (mesmo que houvesse algum dinheiro para os famigerados «estímulos»), a única forma de ajustamento é através da redução de salários ou, mais genericamente, do poder de compra. O processo até já começou há vários anos mas, perante realidades desagradáveis, continuamos a preferir o silêncio – ou declarações de circunstância. Nada de novo, portanto.

 

Em Espanha, a propósito de realidades desagradáveis (a iminência do colapso financeiro), a preocupação do governo é passar a imagem de que, ainda que os bancos espanhóis precisem de ajuda, o governo espanhol não precisa de ajuda. Com ligeiríssimas nuances ao nível do enredo, já vimos este filme. Nada de novo, portanto.

 

Em Portugal, num comício de apoio a um partido candidato às eleições na Grécia, Francisco Louçã atribui a culpa de todos os problemas do mundo à Alemanha. À primeira vista, nada de novo. Ainda assim, fico um bocadinho banzado por ele culpar a Alemanha pelas dificuldades da banca espanhola. Terá sido a compra desenfreada de casas de férias em Maiorca e Ibiza por parte de cidadãos alemães a causa da bolha imobiliária? Não fosse esta inércia incapacitante, pesquisaria o assunto.

 

No primeiro jogo do Europeu de futebol, a equipa portuguesa, repleta de craques quase tão à vontade a domar uma Adidas Tango como as centenas de cavalos de um Lamborghini Aventador ou de um Bentley Continental GT, só começa a jogar depois de estar a perder. Nada de novo, portanto. Por muito que me custe, devo até admitir que o futebol representa bem o país.

 

Enfim: vale a pena perder tempo a escrever sobre tais assuntos? Nah. Pelo que me parece que ainda não vai ser hoje.



publicado por José António Abreu às 13:01
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2 comentários:
De José Freitas a 12 de Junho de 2012 às 15:19
Tivemos o azar de não jogar nada até sofrermos o golo.
Na primeira parte estivemos a ver os alemães a jogar, que até jogaram bastante mal, passes errados para a área de Portugal, péssima finalização, caso contrário tínhamos sido goleados. Pepe rematou quase bem e Suíça 5 – Alemanha 3.
Só começamos a jogar quando sofremos o golo, mas já não havia tempo. A pergunta que se coloca é esta. Por quais razões não começamos a jogar logo no início do jogo, como a Suíça, que lhes ganhou por 5-3?
Amanhã temos a Dinamarca.
É interessante o blog.
O excelentíssimo António Borges quer que os salários de fome passem a ser salários de muita fome. Mas ele ganha um salário muito interessante e é mais um «moralista», ontem fartou-se de pregar a sua moral para os outros, mas que não usa para si próprio, na RTP1, depois da 22.30.
O LAZER É ÓPTIMO, O PIOR É QUANDO FALTA O SUBSÍDIO DE FÉRIAS.
Um programa recente da SIC Notícias disse mentiras sobre o caso «Equador», que tem frases inteiras copiadas de «Cette nuit la liberté».
MST é um «moralista» anti-Esquerda.
É sempre bom conhecer melhor um «moralista».
A Censura anda muito activa nos comentários dos blogs. Espero que deixe passar este comentário.
Em www.anticolonial21.blogspot.com está a verdade inconveniente sobre a cópia de partes de «Cette nuit la liberté» por Miguel Sousa Tavares para o livro «Equador».



De José António Abreu a 12 de Junho de 2012 às 17:25
José: desculpe lá mas "não jogar nada" pode ser incapacidade (versão benigna) ou incompetência (versão maldosa) mas dificilmente "azar". Quanto a António Borges, não creio que ele queira. Infelizmente, é o que irá (melhor: é o que está a) acontecer. Sem podermos desvalorizar a moeda (o que nos levaria a ficar mais pobres através da inflação - processo típico do passado), sem termos avançado para medidas de desvalorização fiscal (o corte da Taxa Social Única, por exemplo, como pretendia o FMI), a redução (em termos absolutos ou relativos) dos salários é inevitável.
Quanto ao "Equador", lamento mas não me interessa.

Ah, e nunca rejeitei qualquer comentário. Aliás, este blogue nunca teve comentários moderados.


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