como sobreviver submerso.
Catroga
tem toda a razão: os jornalistas andam a discutir pentelhos. Mais: os jornalistas adoram discutir pentelhos, em grande medida porque discutir áreas não pentelhudas é mais complicado. Discutir áreas não pentelhudas obriga a encarar certas coisas de frente. Coisas que, diz-se, parecem maiores sem os pentelhos. Coisas incómodas e até assustadoras para algumas pessoas (admito, porém, que não para a maioria dos jornalistas). É verdade que, com o
frenesi depilatório que por aí vai, talvez dentro de poucos anos os pentelhos dos jornalistas sejam os únicos pentelhos sobreviventes e, de um ponto de vista histórico e sociológico, isso não pode ser negligenciado. Mas convém realçar que os pentelhos dos jornalistas podem não ser verdadeiramente dos jornalistas. É muito possível (é até a explicação anatomicamente mais lógica) que os jornalistas tragam na boca pentelhos que outros lá deixaram. E nós – o povo comum, mais ou menos depilado, sempre influenciável – vamos atrás dos jornalistas e, para variar um pouco (só um pouco) do sabor dos pentelhos dos dirigentes, jogadores e treinadores de futebol, começamos também a discutir estes. Até que, inevitavelmente, com ou sem expressão de nojo, de acordo com os pruridos de cada um, acabamos a cuspir porque não apenas é desagradável mas também algo difícil engolir pentelhos. Pelo (pêlo?) que comecemos lá então a discutir outras coisas, está bem?