como sobreviver submerso.
1. Não afastando totalmente a ameaça de virmos a ter de renegociar a dívida, até por esta ir continuar a aumentar nos próximos anos e ainda não se conhecer a taxa de juro a pagar pelo empréstimo (mas mesmo que seja relativamente baixa – isto é, até aos 4% – a possibilidade de termos de renegociar permanecerá bem real), o
acordo não é mau. Tem pontos duros, claro, como se sabia que teria, mas parece globalmente sensato. Que Sócrates ande por aí a dizer o mesmo de um acordo que de socialista terá pouco mais do que os aumentos de impostos apenas mostra novamente que Sócrates não é socialista; é o que lhe for conveniente ser em cada instante. Seja como for, tenha os pontos positivos e negativos que tiver, este acordo é apenas uma oportunidade. Uma última oportunidade cujo resultado depende do que acontecer a seguir. Se Sócrates e o PS vencerem as eleições de 5 de Junho e FMI/BCE/Comissão Europeia não tiverem muito, mas mesmo muito (quão muito?
Assim muuuuuuuuuuuuuuuuuuuito!) cuidado em verificar a implementação de todas, mas mesmo todas as medidas, pode não passar de um balão de oxigénio para se fingir que está tudo bem durante mais uns tempos. O que daria origem a um estoiro ainda mais vistoso num futuro próximo.
2. E afinal, se o plano é bom, por que é que Sócrates recusou pedir o auxílio externo mais cedo? E quanto é que isso nos custou em juros, stress (sim, stress), perda de produtividade (contabilizem lá o tempo desperdiçado nas conversas sobre o assunto em pleno horário laboral) e medidas ineficazes ou mal implementadas?
3. Pelos vistos até uma equipa liderada por uma entidade a que Sócrates andou durante meses a colar o rótulo de papão é mais benigna nos objectivos de redução do défice do que o governo liderado por Sócrates. Claro que, desde a revisão do valor do défice de 2010 para 8,6% primeiro e para 9,1% depois, os objectivos do governo também já tinham deixado de fazer sentido para qualquer pessoa com noções elementares de matemática (resultados preliminares do Censos 2011 apontam para trezentas e vinte e oito a residir no Continente e uma – subsistindo neste caso dúvidas quanto ao correcto preenchimento do impresso – nas regiões autónomas).
4. Os encargos com as parcerias público-privadas (aqueles elementos que o chato do Catroga se fartou de pedir) são tão claros e encontram-se tão disponíveis que vai ter de se efectuar uma auditoria para os determinar;
5. António Borges. Tão discreto que nem parece português.
6. € 78 000 000 000,00 (Bah, não são assim tantos zeros...)
7. E, já agora, sete mil e oitocentos euros por refém é um valor perfeitamente razoável para um resgate. Só eu valho pelo menos mais cinquenta euros. Ouviram, finlandeses?