como sobreviver submerso.
A circunstância do pedido de auxílio financeiro ter sido feito (e estar a ser negociado) por um governo de gestão em período pré-eleitoral traz muitos inconvenientes. Mas tem pelo menos um ponto positivo. É que, apesar da intervenção não nos ser imposta, ocorrendo a pedido do governo português (eleito democraticamente embora, é um facto, em grande medida através do poder da mentira), há quem acuse a acção do Fundo de Resgate de falta de respeito pela democracia, ao preparar-se para exigir medidas «ideológicas» não validadas pelo voto. Daniel Oliveira fala mesmo de «
golpe de estado dos assaltantes», o que não deixa de ter uma certa piada, ao introduzir no conceito de assaltantes quem é convidado e traz dinheiro. Ora bem, sendo certo que uma discrepância entre as políticas anunciadas e as implementadas nunca seria motivo para grandes comoções neste país (não estamos já habituados?), a verdade é que, ao irem conhecer as condições para a ajuda
antes das eleições, os portugueses terão no dia 5 de Junho todos os dados para validar ou invalidar
democraticamente a intervenção externa. Quem considerar que ela não é necessária ou que, sendo necessária, há melhores soluções disponíveis votará no Bloco de Esquerda ou no Partido Comunista. Quem achar que, mesmo não afastando a possibilidade de reestruturação da dívida no futuro, ela é infelizmente necessária, votará PS, PSD ou CDS. Sendo que também aqui há uma distinção importante a fazer: quem entender que, para cumprir o programa traçado e relançar o crescimento económico, as políticas e os métodos dos últimos anos dão as melhores garantias, votará PS; quem pensar o contrário, votará PSD ou CDS.
O que há de pouco democrático em tudo isto?