Falo ao telefone com uma lisboeta que não conheço de lado nenhum sobre assuntos de trabalho. Saliento um ponto qualquer. Ela replica: «Ó querido, mas isso queria eu!» Fico um tudo-nada perturbado, não apenas pelo «ó querido» mas pela frase completa e, acima de tudo, pelo tom em que é pronunciada. Sinto-me como se tivesse acabado de descobrir estar metido num casamento semi-gasto, no qual subsiste alguma ternura mas já não se esconde a impaciência. Ainda por cima, casado com uma mulher que, repito, nem conheço pessoalmente e que usa expressões como «ó querido». Mas depois, durante o resto da conversa, que dura mais do que o necessário porque ela tem que dizer tudo pelo menos três vezes (um defeito mais português do que feminino), o meu problema é mesmo conter a vontade de a tratar do mesmo modo. É que «ó querida, eu percebi à primeira» vem tão a propósito... Mas resisto. Ainda era acusado de assédio sexual. Ou, no mínimo, de machismo.
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