como sobreviver submerso.
Estamos horrorizados com a ausência de solidariedade dos europeus do norte. Muitos alemães, holandeses e finlandeses recusam emprestar-nos dinheiro. Os finlandeses, por exemplo, acabam de
aumentar estrondosamente a representação parlamentar do partido que mais se opõe à ajuda. Por cá, existe quem se entretenha a escrever
editoriais com comparações esdrúxulas entre auxílio por motivos humanitários (na sequência de
uma guerra em que a Finlândia se defendia do colosso soviético) e auxílio por dificuldades financeiras maioritariamente auto-inflingidas. Estamos numa fase em que vale tudo: o sorriso submisso, a voz embargada, o esgar de dor, o ocasional assomo de orgulho, a acusação de ingratidão. Todos os truques possíveis e imaginários para conseguirmos uns cêntimos. Bom, na verdade para conseguirmos umas dezenas de milhar de milhões de euros, que nós não somos de pensar pequeno e as auto-estradas saem caras (os cinco milhões de finlandeses, coitados, espalhados pelo seu gélido país com mais do triplo da área de Portugal, têm de se contentar com pouco mais de uma quarta parte dos quilómetros que nós temos à disposição –
739 contra
2613 – e isto provavelmente antes da inauguração, ocorrida ontem,
por entre bombos e gaitas de foles, do troço final da CRIL).
Não gosto de muitas das ideias defendidas pelos True Finns. Não gosto sequer do nome do partido. E talvez um dia partidos como este cruzem a linha que separa as opiniões desagradáveis dos actos inadmissíveis. Mas, por enquanto, a Finlândia é uma democracia e as decisões dos finlandeses (globalmente, bem melhor informados do que os portugueses) são legítimas. Eles olham para Portugal como Portugal permitiu que olhassem. Idem para alemães, holandeses e austríacos. Fizemos tudo para sermos mal vistos. Aceitámos dinheiro, algum em troca de cedências que nunca devíamos ter feito, e gastámo-lo mal. Pedimos emprestado ainda mais dinheiro e também o gastámos mal. Através do voto, premiámos quem nos estava a enterrar e punimos quem nos alertou para os riscos que corríamos. Queremos o quê, agora? Quando, em vez de admitirmos os erros e procurarmos vias alternativas, nos limitamos a soltar lamentos e acusações? Quando os maiores responsáveis pela situação fingem que, com mais um PEC, tudo se teria resolvido e a possibilidade de escaparem novamente ilesos ainda surge em todas as sondagens?
calma, muita calma, escafandro.:-)
Eu sou tão calmo que é quase zen.
E também sou um bocadinho mentiroso, pronto.
De Brandos costumes a 21 de Abril de 2011 às 12:50
Ontem fui a um serviço público antes da hora de abertura. Havia uma fila da porta para o lado esquerdo. Algum tempo depois, como a fila para a esquerda estivesse já um pouco comprida, começou a formar-se uma fila alternativa, da porta para a direita. Das 8h e 45 às 9 encontraram-se logo ali uns 5 ou 6 caras de pau. Isto também é verdade.
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