como sobreviver submerso.
Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Até no ténis sou sportinguista

Ontem, um dia depois de eu ter publicado isto, Elena Dementieva foi afastada do open do Estados Unidos por uma adolescente norte-americana chamada Melanie Oudin. Pelo menos não parecem existir indícios de intervenção do PS no assunto.



publicado por José António Abreu às 12:55
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Ajudando a evitar o silêncio

Não gosto do estilo da Manuela Moura Guedes. É opinativa, agressiva e está pouco disponível para escutar. Gosto do estilo da Manuela Moura Guedes. É enérgica, rebelde e está pouco disponível para compromissos. A questão do jornal nacional de Sexta-Feira da TVI mostra pela enésima vez como, em Portugal, nada pode existir sem o beneplácito do governo, muito menos contra ele. O facto de um programa de televisão ser líder de audiências não é suficientemente relevante para a televisão que o passa. Há elementos mais importantes, que transcendem o funcionamento do mercado. É diferente noutros sítios: enquanto as audiências do The Daily Show forem boas, alguém imagina a Comedy Central a despedir o Jon Stewart? Mas existe coerência em tudo isto. Porque poucos por cá defendem verdadeiramente uma lógica de mercado baseada nas opções individuais de cada um. Poucos políticos, poucos industriais, poucos banqueiros, poucos trabalhadores anónimos. Mesmo garantindo o contrário, quase todos receiam a liberdade – quem tem muito poder receia a falta de controlo que ela gera, quem tem pouco receia a autonomia e o risco que ela exige – e usam todos os meios de que dispõem (todo o poder que conseguiram arrebanhar ou toda a cobardia que foram acumulando) para a limitar.

 

De Gaulle disse que o silêncio é a derradeira arma do poder. É pois altura de proclamar bem alto: o prazo de validade deste governo expirou. Chegou o momento de correr com Sócrates.



publicado por José António Abreu às 19:22
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Um post em que o senhor jaa tenta ingloriamente imitar o estilo do Senhor Palomar para agradecer a inusitada gentileza do Senhor Palomar

Esta gentileza. E o convite para jantar na caixa de comentários. Claro que mesmo um sportinguista pessimista como o senhor jaa acha que, no caso de Sporting e Benfica se encontrarem na final da Taça Europa, como o Senhor Palomar já antes mostrara desejar num post que deixou o senhor jaa com sentimentos contraditórios (os mesmos com que também ficara ao ler este outro post do Senhor Palomar), o Sporting arranjará maneira de desfeitear as sempre inabaláveis ilusões dos benfiquistas. Mas, porque os tempos estão difíceis e o pragmatismo é hoje uma religião perfeitamente aceite pela sociedade, na eventualidade do cenário apresentado pelo Senhor Palomar se confirmar (o senhor jaa admite que não seria de todo impossível o Sporting perder com um auto-golo marcado no último minuto), o senhor jaa aceita o convite para jantar, que é a forma de sempre ganhar alguma coisa. Para finalizar, gostaria ainda o senhor jaa de alertar o Senhor Palomar que, a menos que seja pelo menos tão rico quanto um ex-administrador do BCP (poderia ser Paulo Teixeira Pinto mas suponho que, nesse caso, faria mais publicidade aos livros de Agustina Bessa-Luís que ao de Roberto Bolaño), deve evitar continuar a oferecer-se para pagar jantares a quem o elogia. É que certas pessoas podem aproveitar-se da sua boa vontade. Como, por exemplo, o senhor jaa.

 

(Já agora, talvez uma qualquer faculdade de psicologia e/ou sociologia pudesse fazer um estudo para analisar se um sportinguista, tarimbado no sofrimento, sofre menos com uma derrota que um benfiquista, ainda prenhe de visões de grandeza. Espero que não. Até para evitar o nível de risco a que ficariam expostos os portistas se tal fosse verdade.)



publicado por José António Abreu às 20:07
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De como nasce um fã

Por alguma razão que a minha memória não registou, 2004 foi um ano em que voltei a prestar atenção a uma data de coisas. Já aqui dei conta do renascimento do meu interesse pela fotografia. Mas 2004 foi também o ano em que voltei a acompanhar com regularidade o que se passa no mundo do ténis.

 

No início de Setembro desse ano achei-me por acaso a assistir a uma meia-final do open dos Estados Unidos entre a russa Elena Dementieva e a americana Jennifer Capriati. O estilo de jogo de Dementieva manteve-me fascinado a olhar para o ecrã. Não por ser leve e cirúrgico como o de Roger Federer, ou potente e agressivo como o de Serena Williams, ou equilibrado e imaginativo como (era) o de Martina Hingins. O de Dementieva não tinha nada disso. Deixem-me descrever rapidamente a maioria dos pontos nessa meia-final. Comecemos com Dementieva a servir: primeiro serviço fraco contra a rede ou meio metro fora do quadrado de serviço; segundo serviço fraquíssimo que, quando acertava no quadrado de serviço (Dementieva foi durante anos a «rainha das duplas faltas»), levava a bola a bater (devagar) no court e a saltar (pouco) para o lado, num efeito que deixava Capriati incrédula e desamparada; se respondia em dificuldade (por ter de lançar-se para diante para conseguir responder), Dementieva tomava conta do ponto e massacrava-a; se, apesar de tudo, Capriati conseguia uma resposta forte, Dementieva passava o tempo a correr de um lado ao outro do court, devolvendo todas as bolas até Capriati se irritar e cometer um erro. Agora os pontos em que Dementieva respondia ao serviço: boa resposta (claramente, uma das melhores pancadas da russa); se Capriati ficava desequilibrada, Dementieva massacrava-a; se Capriati, não obstante a qualidade da resposta, conseguia pegar no ponto (o que sucedia na maioria das vezes), Dementieva passava o tempo a correr de um lado ao outro do court, devolvendo todas as bolas até Capriati se irritar e cometer um erro. Dementieva venceu o encontro no tie break do terceiro set e raras vezes vi uma jogadora tão – ia escrever «irritada» mas é mais «descoroçoada» – como Capriati após perder essa meia-final. Dementieva avançou para a final e, como já sucedera na de Roland Garros desse mesmo ano (que não vi), jogou de forma tão nervosa e insegura que foi trucidada pela adversária, uma compatriota a sair da adolescência, tímida e de aparelho nos dentes, chamada Svetlana Kuznetsova (em Roland Garros fora-o por Anastasia Myskina, uma compatriota mais ou menos da mesma idade que ela, esbelta e irascível).

 

Essa meia-final tornou-me um fã de Elena Dementieva. O jogo dela era tão incongruente e tinha tantos pontos fracos que era praticamente um milagre ela conseguir manter-se entre as melhores tenistas do mundo. Mas conseguia. Raramente ganhava às cinco ou seis melhores do ranking mas – e esse é o ponto que mais admiração me provoca ainda hoje – nunca desistia. Lutava sempre até ao fim, gritando (dizem que ocasionalmente expressões russas que não convém traduzir) ou sorrindo de desespero quando as coisas lhe corriam mal, falando com a mãe sentada nas bancadas (tentando mostrar-se impassível mas sempre tão claramente em pânico), pedindo uma bola e batendo-a para o lado oposto do court após uma pancada sem nexo (como se assim pudesse corrigir o erro e fazer com que tudo ficasse bem outra vez), seguindo a bola com o indicador esquerdo espetado no ar na preparação dos smashes (raros, porque ela não subia à rede com frequência), limpando o suor da testa com o indicador direito e correndo quilómetros e quilómetros de um lado ao outro do court em cada encontro. Em Novembro de 2006 fui vê-la a Madrid, aos WTA Championships (campeonato de final de época onde competem as oito melhores do ano e a que ela acedera com dificuldade). Como seria de esperar, perdeu os três encontros da fase de grupos. Em 2007 esteve algum tempo fora do circuito por causa de uma lesão (fractura de esforço em nada menos que três costelas ao mesmo tempo) e em 2008, depois de anos a ser avisada de que devia arranjar um treinador que lhe melhorasse o serviço (de longe, o seu ponto mais fraco), lá se decidiu a fazer alguma coisa a esse respeito. Hoje ainda não tem um grande serviço, ainda treme como varas verdes quando tem que servir para fechar um encontro, mas parece finalmente perto do seu verdadeiro potencial. Há cerca de um ano, para surpresa de muitos, ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Este ano perdeu nas meias finais do open da Austrália num encontro equilibrado com Kuznetsova (outra vez ela) e nas meias finais de Wimbledon num encontro extraordinário em que dispôs de match points frente a Serena Williams (que ganharia o torneio) mas que acabou por perder por oito a seis no terceiro set. Perto. Muito perto. Mas, como dizia a personagem interpretada por Rene Russo (o que é feito dela?) no Arma Mortífera 2 (fica sempre bem citar grandes obras literárias ou cinematográficas), «perto é uma loja de lingerie sem montra».

 

O primeiro encontro de Dementieva no open dos Estados Unidos deste ano aconteceu ontem. Ganhou facilmente. Continuo a ver nela uma determinação nova. Como se tivesse decidido ocupar finalmente o lugar que lhe estava reservado há muito entre as favoritas. Não sei se essa determinação vai resistir aos momentos em que tiver de servir para fechar encontros contra uma das irmãs Williams, contra Safina, contra Jankovic ou contra várias outras. Para ser franco, não estou à espera de que vença o torneio. Mas seria bonito. Acima de tudo, seria uma lição de força de vontade e perseverança. E as histórias baseadas em força de vontade e perseverança são tão mais luminosas quando têm um final feliz.

 

(A foto foi tirada em 2006, nos WTA Championships.)



publicado por José António Abreu às 18:32
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Com o Douro por cenário: 3



publicado por José António Abreu às 08:24
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Avaria tipo A

O meu carro avariou. Antes de o içar para o reboque, o homem da assistência em viagem pulverizou-o com um produto cheirando a álcool. Na oficina, os mecânicos colocaram máscaras antes de se aproximarem dele. Estão todos com medo que seja o motor gripado.

 

(Exoneração de responsabilidade: o que se encontra acima é uma piada e, para mais, completamente estúpida. Na realidade, o meu carro não tem gripe. Só espirra de vez em quando e dá sinais de febre se fica muito tempo ao sol.)



publicado por José António Abreu às 20:23
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Dose diária de humildade

Pelo Senhor Palomar (que, apesar das propaladas dificuldades de acesso ao crédito, mudou de casa), fiquei a saber que Pedro Mexia está de regresso à blogosfera. Nada tenho a acrescentar ao título deste post.



publicado por José António Abreu às 12:56
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«O sonho é uma constante da vida»

«

A publicação de “Buracos Negros”, de Lázaro Covadlo, pela Livros de Areia (cujo site aconselho, por ser bonito e por permitir a leitura de excertos das obras que publicam, como, por exemplo, este conto) levou-me a ler “Criaturas da Noite”, livro do mesmo Covadlo, comprado há cerca de dois anos (em estimativa rápida, ainda abaixo do meu atraso médio no que toca a leituras). Conta a história de um homem de quarenta anos, cheio de sonhos frustrados, especialista em dizer a coisa mais errada possível no momento mais inconveniente possível que, com a ajuda de uma pulga milenária que se lhe aloja no ouvido direito, vai subir na vida. Tudo o que a pulga, que já passou por ouvidos de morcegos e ratos mas também pelo de gente como a condessa Erzsébet Báthory (tenho tanta pena que o filme da Julie Delpy pareça ser fraquinho) exige em troca dos seus conselhos e dissertações filosóficas é o consumo regular de sangue do hospedeiro (quase nada, que ela é minúscula) e o consumo um pouco mais esporádico de diversos fluidos de outras pessoas (sendo que não aceita recusas com bonomia). Enquanto lia, eu preparava mentalmente uma pequena crítica para colocar aqui. Iria referir o humor, a imaginação, a crítica social, o nonsense. Mas depois cheguei à frase abaixo e decidi que nem vale a pena mencionar o livro, quanto mais esmiuçar o seu conteúdo.
 
No íntimo de todo o inabalável sonhador existe um atleta da masturbação, mesmo quando possa não a praticar durante algum tempo.


publicado por José António Abreu às 08:39
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