como sobreviver submerso.
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Os gregos e os pénis pequenos

Uma voltinha pelo Museu do Louvre permite rapidamente constatar três coisas: a Vénus de Milo, que tem cara de rapaz, parece cansada e só não afasta as pessoas que se acumulam à sua frente por falta de braços; a instalação/performance na sala da Mona Lisa, em que uma multidão tira fotos ao (e em frente ao) enigmático (e cansado e resignado) sorriso, fazendo questão de ignorar ostensivamente todos os restantes quadros na sala (um apontamento de arte contemporânea pelo qual Serralves trocaria de bom grado todas as obras envolvendo garrafas ou pedaços de madeira que já teve em exibição), funciona bem; as estátuas clássicas gregas têm pénis pequenos. Os dois primeiros pontos são específicos do Louvre, o terceiro não, e, por incrível que possa parecer, muita gente já reparou nele. Procurei explicações na net. Como seria de esperar, encontrei para todos os gostos. Há quem diga que era para não chocar o espectador; há quem assegure que era para os homens não se sentirem como hoje em dia alguns se sentem ao verem as monumentais obras de arte exibidas em certos canais codificados de televisão; há quem avente a possibilidade dos modelos estarem com frio enquanto posavam, uma vez que não existiam sistemas eficazes de aquecimento; há quem sugira que, sendo os gregos à época um bocado gays, pénis pequenos eram menos assustadores para neófitos (parece-me bem que é não conhecer os gays...). A explicação que me pareceu mais fundamentada defende que os gregos tinham um ideal de beleza masculina em que pénis demasiado grandes (tal como pénis circuncidados) não se enquadravam. Gostavam de corpos atléticos, com torsos e pernas musculados, não perturbados por excrescências volumosas. Não tinham qualquer problema em relação à nudez e o facto de aceitarem ser reproduzidos com pequenas partes pendentes pode até ser visto como um sinal de maturidade intelectual: no fim de contas, a Grécia ou, mais precisamente, a Atenas Clássica é a primeira sociedade onde a cultura não só é apreciada como estimulada. Tanto que, depois de espreitar os tais canais codificados ou de ver algumas páginas de publicidade a boxers, sou forçado a pensar que regredimos. A tendência actual, na representação ou sugestão do órgão sexual masculino como noutras áreas, é para privilegiar o tamanho, ainda que em detrimento da qualidade: já me queixei antes da popularidade das gigantescas mamas de silicone mas também estão na moda estaturas elevadas, olhos gigantes e lábios grossos. Mas há mais: as mulheres preferem homens com mãos grandes e, desde a eleição de Obama, até orelhas-de-abano parecem estar in (circulam rumores de que José Rodrigues dos Santos não tem já qualquer dúvida de que é um símbolo sexual). Mesmo os automóveis (a tradicional extensão do pénis) têm vindo a ficar maiores: comparem um Clio da primeira geração com um actual ou, mais flagrante ainda, um Mini clássico com um dos que a BMW agora produz. Regredimos também noutra área: enquanto a nudez era vista de modo natural na Grécia de há dois mil e quinhentos anos, é encarada com reservas por muita gente hoje em dia, um pouco por todo o mundo. Independentemente do tamanho dos pénis.

 
Claro que os gregos também inventaram o mito de Príapo e as estátuas deste deus sempre-em-pé (filho de Dionísio e de Afrodite) eram comuns na Grécia clássica. Pode ter sido para disfarçar  – como aqueles sujeitos que ameaçam descer as calças e berram “queres que to mostre?” quando sentem a sua virilidade posta em causa – mas provavelmente não foi. Príapo era visto como um rústico, a sua sexualidade encarada como demasiado agressiva, e aparece mencionado essencialmente em obras de arte satírica. Definitivamente, pénis grandes eram coisas feias. Rocco Siffredi e John Holmes nunca fariam carreira nas artes gregas dessa época.
 

Desconheço o que pensam os gregos actuais da representação do pénis nas suas estátuas. Não sei se sentem algum embaraço e se têm constantemente que provar que os seus antepassados exageravam. Seja como for, de nós, portugueses, os gregos não devem temer bocas foleiras. Depois da selecção grega nos ter derrotado duas vezes no europeu de futebol de 2004, a última das quais na final, nós sabemos que eles podem não ter pénis grandes mas: a) têm certamente tomates; e b) a expressão "o tamanho não interessa" deve estar certa porque nos doeu a valer.

 

(Fotos tiradas no Louvre e no Jardim das Tulherias em Maio de 2009.)



publicado por José António Abreu às 13:18
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Os mesmos erros?

Arrancam hoje as candidaturas ao ensino superior. Há mais 1100 vagas que no ano passado e mais 5000 que há cinco anos. Ouvi o Primeiro-Ministro referi-lo com orgulho no noticiário da TSF. Disse algo do género: "Esta é a melhor prova da evolução do país." Não é. Não é sequer necessariamente um factor positivo. Os governos de Cavaco Silva são hoje criticados por terem apostado mais na quantidade de vagas disponíveis nas universidades que na qualidade dos cursos nelas ministrados. Cavaco já reconheceu algum exagero, justificando a opção com a baixa percentagem de alunos que na altura atingia a universidade e com a necessidade de agir rapidamente. Hoje a situação é diferente. Há milhares de licenciados à procura de emprego ou com empregos que nada têm a ver com o curso tirado. Tivemos tempo para aprender com os erros do passado. Nas obras públicas não o fizemos. Tê-lo-emos feito no ensino superior?



publicado por José António Abreu às 08:36
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Domingo, 12 de Julho de 2009
A carga pronta metida nos contentores

Segundo o i, há suspeitas de que o ministério das Obras Públicas pode ter descurado o interesse público na cedência dos direitos de exploração do Terminal de Contentores de Alcântara à Liscont. Mário Lino já negou, Jorge Coelho deve fazê-lo de seguida. Afinal, ele até afirmou esta semana que a Mota-Engil anda a ser prejudicada pelas decisões governamentais...



publicado por José António Abreu às 16:31
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A independência de Elisa e a inteligência do PS

À partida, a escolha de Elisa Ferreira para candidata à Câmara Municipal do Porto nem era má. Portuense, com imagem de seriedade, de independência de espírito (que os portuenses apreciam), e de alguma competência executória (vá-se lá saber porquê, e com excepção do actual que ninguém conhece, os Ministros do Ambiente tendem a ficar com boa imagem), Elisa também não é vista como demasiado intelectual, o que, para os prosaicos portuenses, só podia ser positivo.

 
Estas características eram adequadas para combater um Rui Rio aparentemente impoluto (nem o PS nem outras “forças” da cidade alguma vez conseguiram descobrir uma brecha na sua imagem de honestidade) mas que continua a manter fortes opositores nos sectores culturais e futebolísticos da cidade, que tem tiques de autoritarismo (que os portuenses, como os portugueses, parecem apreciar) e cujo segundo mandato foi parco em resultados visíveis.
 
O lançamento da candidatura foi feito com pompa e circunstância e incluiu um José Sócrates laudatório (ele que abomina Elisa desde os tempos em que foi secretário de Estado dela) e um Carlos Magno (essa reserva da moral jornalística nacional) armado a estratega. Foi quase o único momento em que tudo pareceu correr bem. A famosa declaração “o dinheiro é do PS” acabou cedo com a imagem de seriedade. Elisa, que reclama agora insistentemente o seu estatuto de “independente”, mostrou aí quão independente – pelo menos de espírito – é.
 
Depois chegou a questão da acumulação das candidaturas ao parlamento europeu e à Câmara. Vou escrevê-lo a bold para memória futura, uma vez que, mesmo após tantas provas de que os resultados são maus, o erro continua a ser cometido: os portuenses não suportam sentir-se a segunda escolha. Não gostam que quem lhes pede o voto o faça tão convictamente que tenha tratado de proteger a retaguarda com um cargo principescamente remunerado. Nem que quem lhes pede o voto os abandone à primeira oferta de um cargo melhor. Fernando Gomes aprendeu-o há anos, o PS parece que ainda não.
 
Elisa Ferreira nunca se livraria deste estigma mas a recente decisão socialista (correcta mas tardia e oportunista) de impedir a acumulação de candidaturas à Assembleia da República e a órgãos autárquicos veio tornar as coisas ainda mais difíceis para ela, ao chamar de novo a atenção para a sua duplicidade (e para a de Ana Gomes). Saíram também as primeiras sondagens, catastróficas. A concelhia do Porto do PS apressou-se a instá-la a desistir, numa demonstração de falta de unidade interna que – nunca aprendem – só piora as coisas. Admitamos que Elisa abandonava. A três meses das eleições, quem iria o PS buscar para contrapor a Rio? Segundo o JN (jornal que ataca Rio há anos e onde Elisa escreve uma coluna propagandística aos domingos), dois nomes encontravam-se em cima da mesa da concelhia: Manuel Pizarro, actual Secretário de Estado da Saúde, e Nuno Cardoso. O primeiro é quase desconhecido e, sensatamente, terá recusado de imediato. O segundo é um desastre ambulante, ligado à polémica autorização de construção nos terrenos do parque da cidade e à confusão (evitemos termos demasiado fortes) em torno das permutas de terrenos com o FCP antes da construção do novo estádio, recentemente condenado por favorecer o Boavista enquanto era Presidente da Câmara. Revelador da capacidade de renovação e de preocupação com a comunidade que floresce nas estruturas partidárias locais, não?
 
O melhor que o PS tem a fazer – e parece que Sócrates o entendeu – é aguentar estoicamente. As eleições estão perdidas. Aprendam com os erros, se tiverem capacidade para o fazer, e tentem fazer melhor da próxima vez. Se calhar não era má ideia correr com as pessoas que mandam na concelhia. Mas isto é só uma sugestão e provavelmente nada fácil de pôr em prática.
 
Adenda (segunda-feira, 13 de Julho): Sócrates dá raspanete à concelhia. Aleluia!


publicado por José António Abreu às 15:59
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Cerimónias de inauguração sem o mesmo brilho

Acabo de ver num noticiário televisivo (já não sei se da SIC-N se da RTP-N) uma longa reportagem sobre o estado de conservação de várias pontes na zona da barragem da Aguieira. Aparentemente, necessitam de urgentes obras de reparação. Numa altura em que se vão construir mais 1200 km de auto-estradas, um gigantesco aeroporto e duas caríssimas linhas de TGV, o que existe vai-se degradando. Se o investimento público é necessário, não seria preferível reparar e melhorar o que já existe? Claro que não e todos sabemos porquê: a mentalidade nacional premeia quem "faz obra", não quem cuida da existente.



publicado por José António Abreu às 12:24
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Sábado, 11 de Julho de 2009
Contemporização

A foto tem uma hora e meia e é um cliché. Mas olho para ela, comparo-a com outras tiradas ao longo de mais de uma década e não vejo que o pôr-do-sol na Afurada seja mais ou menos bonito consoante o partido que nos governa. Demagogia? Talvez. Ainda assim, apeteceu-me referi-lo.



publicado por José António Abreu às 22:18
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O navio

Pode ser uma injustiça colocar as coisas nos termos em que o vou fazer no final deste post. António Costa sempre me pareceu um homem razoavelmente ponderado, longe do estilo histérico-acéfalo de outros socialistas durante estes quatro anos e meio de poder absoluto do PS. Ainda assim, as críticas recentes ao governo, reiteradas (por palavras e silêncios) na entrevista de hoje ao jornal i, surgem como tardias e oportunísticas. Enquanto Sócrates pareceu imbatível, tudo era perfeito ou, pelo menos, todas as queixas eram caladas. Só me ocorre dizer que  o navio socialista dá sinais de meter água e que os primeiros tripulantes começam a tentar abandoná-lo.



publicado por José António Abreu às 12:55
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Enjoy the silence

Os Depeche Mode cancelaram o concerto de amanhã no Estádio do Bessa, integrado no Festival Super Bock Super Rock, para o qual tenho bilhete. Desde que soube, este tema não me sai da cabeça.

 

 



publicado por José António Abreu às 22:13
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Vai ser preciso mais
Deambulando por uma livraria à hora de almoço vi numa estante, lado a lado, duas lombadas com cores diferentes: uma escarlate, a outra azul. Em ambas, as palavras “Blonde” e “Joyce Carol Oates”. Pensei: olha, alguém decidiu reeditar o livro, dividindo-o em dois volumes. A ideia não me pareceu má. Por um lado, a edição da Notícias já tem uns anos; por outro, se ficam mais caras, obras volumosas lêem-se muito mais confortavelmente divididas em volumes (Montanha Mágica, estou a olhar para ti). Como nunca cheguei a comprar Blonde (uma ficção sobre os acontecimentos reais da vida de Marilyn Monroe), peguei no primeiro volume. Folheei-o. Li algumas frases avulsas. “Aprendizado difícil”? “Vestido em estilo coquetel”? “Suéteres justas e maiôs”? “Precisou comprar um carro de segunda mão para se locomover por LA”? Chequei a edição. Globo Livros. Av. Jaguaré, S. Paulo, Brasil. Recoloquei o livro na estante. Afastei-me. Vai ser preciso mais do que um acordo ortográfico.


publicado por José António Abreu às 16:52
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Insegurança e injustiça

O Procurador da República alerta para a redução de liberdades individuais em nome da segurança. O aviso poderá ser visto como algo exagerado, uma vez que, de acordo com um estudo da Privacy International, uma entidade independente, Portugal tem um nível de protecção da privacidade "enfraquecido" mas mantém salvaguardas razoáveis, uma situação que, não sendo brilhante, é melhor que a de muitos outros países da UE (e em especial do Reino Unido, classificado ao nível de países como os Estados Unidos, a Rússia e a China). É curioso notar como, na Europa, muitos países que passaram recentemente por sistemas ditatoriais tendem (por enquanto) a apresentar um melhor nível de salvaguardas. (Há excepções notórias, como a Espanha).

 

Mas, apesar do ranking (referente a 2007) ainda não nos posicionar muito mal, o aviso de Pinto Monteiro tem razão de ser por (como diria o Eng. Ângelo Correia) três ordens de razão: a tendência é também por cá para o Estado aumentar as formas de intrusão na esfera privada dos cidadãos; as salvaguardas existem na lei mas, porque o nosso sistema judicial é mau, nem sempre na prática; e é antes da situação atingir níveis verdadeiramente preocupantes que os principais intervenientes no sistema devem falar.

 

Pinto Monteiro centra a questão na segurança. Como penso já ter deixado pelo menos implícito aqui e aqui, julgo que a tendência para a imposição (por parte dos governos) e aceitação (por parte do público) destas medidas vai para além das questões da segurança. Estas são sem dúvida importantes e a maior parte das pessoas, vendo notícias consecutivas sobre assaltos violentos ou baleamento de polícias (o terrorismo perdeu parte da carga ameaçadora que, pelo menos em alguns países, chegou a ter), tende a aceitar o aumento de medidas de segurança 'intrusivas', convencidas de que nunca serão afectadas por elas. Mas penso que a questão vai mais longe. Para além da sensação de insegurança, uma outra, de injustiça, tem vindo a impregnar a sociedade portuguesa (e admito que outras). A injustiça (parte real, parte percepção) de sentir que se é cada vez mais pressionado enquanto outros passam incólumes por todas as dificuldades. Afinal, o emprego só parece estar em risco para alguns. As reformas de certas pessoas permanecem obscenamente elevadas enquanto as da maioria caem. Os lucros de algumas empresas continuam astronómicos e os seus gestores e accionistas ganham milhões de euros por ano enquanto a maioria tem problemas para pagar o empréstimo da casa. Uma imensidão de pessoas recebe subsídios para nada fazer enquanto os restantes têm que trabalhar. Esta percepção (que, sendo justa, injusta ou apenas simplista, existe) cria um desejo de vingança sobre os que são vistos como privilegiados (não apenas os ricos mas todos os que parecem não fazer o suficiente para justificar aquilo que têm). Na opção de mentalidade expressa pela velha história dos dois jardineiros que vêem passar o patrão num Roll-Royce, dizendo um para si mesmo que ainda um dia há-de acabar com aqueles privilégios e o outro que ainda um dia há-de ter um carro como aquele, estamos claramente ao lado do primeiro porque já desistimos de ter esperanças que o nosso mérito (que nos parece inegável) seja convenientemente recompensado. Vigie-se e fiscalize-se toda a gente, pois então. No que nos diz respeito, é irrelevante: afinal, já somos controlados ao chegar e ao sair do emprego, já temos o acesso à internet monitorizado (ou bloqueado) pela empresa em que trabalhamos, já estamos sob vigilância nos shoppings, já nos sentimos sob vigilância nas estradas. Mais: já estamos, indefesos, expostos a todos os abusos das autoridades. E, no fim de contas, nada fizemos de mal. Se a redução das liberdades individuais levar a que possam ser apanhados os verdadeiros criminosos, óptimo. Claro que depois de os apanhar torna-se necessário puni-los. E aqui nasce a segunda parte do problema: o Estado, através do sistema judicial, não consegue fazê-lo.  Diz-nos então que precisa de mais meios de vigilância para arranjar melhores provas e nós, cada vez mais desesperados e mesmo acreditando cada vez menos na possibilidade das coisas mudarem, aceitamos.

 

A solução? Uma economia a crescer para reduzir as tensões sociais. Políticas sociais cirúrgicas e justas. Um sistema judicial a funcionar. Toda a gente conhece a solução. A questão é como lá chegar.



publicado por José António Abreu às 12:47
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
Não sei se o Condestável aprovaria...

Esta notícia do i sobre o "I Salão Erótico Medieval" que parece estar a decorrer desde hoje em Vila Nova de Gaia levanta (é uma forma de expressão) tantas questões que nem sei por onde começar.

 

Pelo conceito, talvez. "Na época medieval existia uma forte componente erótica", assegura o organizador. “As senhoras da nobreza demoravam quatro horas para se vestir e precisavam da ajuda de aias para colocar os corpetes para evidenciar os seios.” Está-se sempre a aprender. O tempo que as mulheres levam a arranjar-se, que para uns é um pesadelo, para outros é uma fonte de erotismo. Mas será que os organizadores esperam enchentes desejosas de ver mulheres vestindo-se? Nos filmes (a minha única fonte de informação sobre o assunto) os shows eróticos têm normalmente mulheres despindo-se. Lutas na lama protagonizadas por bailarinas exóticas, saltimbancos que recriam contos eróticos e striptease a cavalo são alguns dos espectáculos a que vai ser possível assistir. Ah, OK, assim já faz striptease a cavalo?!

 

Não consigo imaginar a coisa sem quedas potencialmente perigosas. Enfim, há ainda a acrobata erótica Sónia Baby, uma outra estrela chamada Lesly Kiss, um museu de tortura medieval (hmmm, as possibilidades da roda, ainda por cima com uma acrobata por perto), lutas de varapaus (penso que não é uma forma de expressão) e cuspidores de fogo. Tudo isto decorre onde? No Cais de Gaia? Na praça em frente ao El Corte Inglés? Não. No parque de estacionamento do restaurante erótico The Lingerie. O guia Michelin tem tantas falhas...

 

Sejamos honestos: mesquinhas considerações puritanas à parte, são de louvar iniciativas que, nesta época de crise, tentam levantar (é uma forma de expressão) a moral às pessoas. É também de louvar o esforço dos organizadores para atrair o público feminino, através de redução de preços e da garantia, dada pelo organizador, que "Portugal tem os melhores strippers masculinos da Europa". E ainda dizemos mal do país. Se calhar, para além de artistas da bola, podíamos exportar... outro género de artistas. Já agora, como é que isso é avaliado e quem avalia? “Participamos regularmente em campeonatos de strip dance e somos bons, realmente."  Ah.

 

Como nota final, é da mais elementar justiça salientar a vitalidade cultural de Gaia sob a presidência de Luís Filipe Menezes, por oposição ao imobilismo do Porto. Engole esta (é uma forma de expressão), Rui Rio.

 

P.S.: a foto que o i escolheu para ilustrar a notícia também é fantástica. É tão artsy que podia estar pendurada nas paredes alvas de Serralves. Nada tem de medieval ou de particularmente badalhoco e admitam: uma notícia como esta merecia imagens badalhocas.



publicado por José António Abreu às 19:12
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Como estragar um post cheio de sensibilidade sobre um filme para mulheres e um par de sapatos

Os jornais Metro e Meia Hora de hoje trazem em destaque na primeira página um novo filme – “A Proposta” – protagonizado pela simpática mas cinefilamente descartável Sandra Bullock (gosto de ti na mesma, miúda). Podia discutir-se a relevância jornalística do assunto mas, como qualquer pessoa com um neurónio em razoável estado de funcionamento já percebeu que as primeiras páginas dos jornais gratuitos nada têm a ver com critérios jornalísticos, não vale a pena ir por aí. O Pacheco Pereira que o faça no seu novo programa. A mim prendeu-me o olhar a enorme foto na primeira página do Metro que mostra uma Sandra Bullock de joelhos no passeio perante um homem ligeiramente curvado. Para as sensibilidades feministas não ficarem já eriçadas, esclareça-se que Bullock tem afixada na face visível (a esquerda; e, como nunca me apercebi que a simpática texana fosse aparentada com o Two-face das histórias do Batman, a direita deve apresentar as mesmas condições), uma expressão que indica ter plena consciência da figura que faz mas, ainda assim, estar divertida. Uma expressão a modos que “ó pra mim a fazer de rapariga tolamente apaixonada”. Sem ter lido uma linha sobre o filme, aposto que é uma obra-prima da dimensão de um While You Were Sleeping, também com Bullock, ou de um Serendipity, com essoutra adorável rapariga, estrela de tantas obras-primas quanto os prémios Nobel que Lobo Antunes já ganhou (mas ambos merecem muito mais), Kate Beckinsale. (É verdade que Serendipity tem o John Cusack, o que transforma automaticamente qualquer filme numa obra-prima ou, se incluir também a Joan Cusack – como o Grosse Point Blank –, numa obra-irmã). Ainda assim, como o(a) leitor(a) – sim, acorde, estou a falar consigo – certamente já percebeu, tudo isto serve apenas de introdução para o verdadeiro assunto deste post. E esse assunto (reúnam as senhoras, por favor) é sapatos. Na foto, Sandra calça um par de sapatos pretos de salto muito, mas muito alto. (Nesta época de preocupações com a saúde tem uma certa piada que as mulheres se estejam nas tintas para a saúde da sua – delas – coluna vertebral mas, como homem, nada tenho contra um belo par de pernas encavalitado num par de sapatos de salto muito, mas muito alto.) Como Sandra está de joelhos, os saltos ficam espetados no ar num ângulo de aproximadamente trinta graus com a horizontal (lá por estar a falar de sapatos não vou deixar de ser homem), criando duas armas brancas (que, no caso, são pretas) que deviam estar na lista das armas proibidas. Mais importante, as belas biqueiras pretas envernizadas roçam no pavimento, sendo impossível que tenham terminado a cena incólumes. Ora, num filme direccionado ao público feminino (e a homens sensíveis como eu), este parece-me um erro de proporções bíblicas. Espero bem que, no genérico final, surja a indicação de que nenhum sapato foi maltratado durante a rodagem do filme e que, nas entrevistas ao Mário Augusto, a realizadora (Anne Fletcher, que nada me diz) explique que Sandra estava descalça e que os sapatos foram acrescentados digitalmente depois de rodada a cena. E, agora que a imagino fazendo a cena sem sapatos, não resisto também a imaginar que toda a roupa foi acrescentada à posteriori (até porque entretanto descobri isto, onde Sandra refere cenas de nudez e explica a forma correcta de fazer um filme), o que permitiria poupar imenso em guarda-roupa e abre um novo leque de interpretações para uma cena de um filme chamado “A Proposta” onde uma mulher atraente se encontra de joelhos defronte de um homem em pé, com uma expressão (pelo menos na face visível) de menina transgressora. As feministas e os sapatos que se lixem.



publicado por José António Abreu às 18:42
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Matemática dos descontos

Muitas lojas têm cartões de cliente que dão descontos. A Fnac usava até há pouco tempo um sistema que permitia, consoante a acumulação do valor das compras, comprar bens com 6% de desconto num dia à escolha. Como os livros já tinham 10% de desconto (perderam-nos entretanto e isso é capaz de merecer outro post), o desconto total era de 10% + 6%. Ou, como me disseram na caixa um par de vezes, 16%. Lamento, mas não. Neste particular campo da matemática, 10 + 6 não são 16. Os 6% são aplicados sobre o valor de onde já foram retirados os 10%, ou seja, sobre 90%. E 0,06x90=5,4. O desconto total é de 15,4 %.

 
Houve tempos em que o cartão da Bertrand permitia comprar dez livros e receber grátis o décimo primeiro (assumindo custos iguais para todos os livros, uma vez que na realidade se recebia um desconto equivalente ao valor médio gasto nos dez livros adquiridos). Ou, como insistiam os funcionários da caixa da Bertrand, usufruir de um desconto de 10%. Expliquei duas ou três vezes a desconfiados rapazes e raparigas que não era verdade: seriam dez por cento se fosse o décimo a ser oferecido. Ou seja, um grátis em dez. Assim (um grátis em onze) eram somente 9,0909090909: digamos 9,1%. Desconfio que me ouviram por dever de ofício sem acreditar numa palavra.
 

Estes rapazes e raparigas são vítimas das bem documentadas dificuldades dos portugueses com a matemática, evidentes mais uma vez esta semana com a saída dos resultados dos exames do 12º ano. Desconfio, contudo, que quem define as regras até percebe do assunto. Por alguma razão, na matemática dos descontos o valor real é sempre inferior àquele em que nos tentam fazer acreditar.



publicado por José António Abreu às 12:50
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Dois parágrafos e uma linha

Avisaram-me que escrevo demasiados posts demasiado longos. Explicaram-me que não devo ultrapassar os dois parágrafos – e não muito compridos. Acima disso, as pessoas assustam-se com a quantidade de letras e nem sequer começam a ler, o que, obviamente, elimina qualquer possibilidade de se interessarem pelo brilhantismo do conteúdo (não estou certo de que a pessoa que me alertou tenha usado o termo “brilhantismo” mas julgo que o sentido era mais ou menos esse). Disseram-me até que, se tiver mesmo que escrever posts longos, os divida em dois ou três e publique de seguida, com um numerozito a seguir ao título indicando a ordem de leitura. Repliquei que escrevo o que me apetece, da forma que me apetece, e que se ninguém mais quiser ler, paciência. Que partir os posts aos bocados me parecia uma cedência à vacuidade actual; uma solução própria do nosso governo, especialista em fatiar projectos numa infinidade de anúncios. Enfim – aqueles argumentos típicos do pseudo-artista defendendo a sua integridade. Ninguém disse ao Tolstoi para condensar o “Guerra e Paz” em apenas duzentas páginas de texto em tamanho 12 e tretas do género.

 
Mas fiquei a pensar no assunto. É possível que haja alguma verdade no que me disseram. Se assim for, o defeito será meu ou de quem lê blogues? E será que isso interessa? A verdade é que só posso mudar o que escrevo, não as preferências dos leitores. Provavelmente o editor do Tolstoi também se assustou com o tamanho da obra e muito mais gente a teria lido se pudesse segurá-la mais de cinco minutos sem sentir dores musculares. E, durante um par de anos, a estratégia de comunicação do governo até funcionou. Estou indeciso. Na realidade, o que me parece é que ninguém lê o que escrevo, independentemente do tamanho dos posts. Mas não custa fazer uma experiência.
 

Parágrafo três: alguém aqui chegou?


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publicado por José António Abreu às 13:41
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Não será antes do Magalhães?

A ministra da Educação culpa a comunicação social pela descida nos resultados dos exames de matemática. Diz ela que a comunicação social transmitiu uma imagem de facilidade e que, por isso, os estudantes não estudaram, levantando-se a dúvida ontológica (se isto fosse um exame, eu explicava o que quer dizer) de saber se estudantes que não estudam podem ainda ser considerados estudantes. Eu acho que não. Chamem-lhes outra coisa qualquer e excluam-nos das estatísticas. Os resultados melhorariam de imediato e a ministra poderia novamente sorrir e dizer que tudo se deve ao excelente trabalho do ministério. Quanto à comunicação social, e por muito que defendamos métodos pedagógicos avançados, devia levar dez reguadas (posso sugerir o seu representante?) e ser mandada para o canto, de onde apenas poderia sair depois de 27 de Setembro.



publicado por José António Abreu às 08:43
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Imagens recolhidas pelas ruas: 9

S. Pedro da Afurada, 2005.



publicado por José António Abreu às 18:05
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Grupo do Gambrinus?

Maria Filomena Mónica deu uma entrevista ao jornal i. Fala de Eça, ataca os catedráticos Queirosianos, refere problemas com a família, faz autocrítica, diz que está cansada de ter raiva, menciona "essas coisas da carne", chama “rapaz da província” a Sócrates. Concorde-se ou não com as suas opiniões, Filomena Mónica é das poucas personalidades portuguesas com verdadeira coragem para dizer o que pensa. Acerca do país, dos portugueses, dela própria. Haverá mais meia dúzia, e talvez seja significativo que nelas se incluam dois dos homens fundamentais na vida de Filomena Mónica: Vasco Pulido Valente e António Barreto. Tão inteligentes e desassombrados quanto ela (leia-se a entrevista de Pulido Valente na revista Ler deste mês para comprovar). Lembram-me, totalmente a despropósito (ou com o simples a-propósito de marcarem uma época e de representarem uma Lisboa cosmopolita e não acomodada – e sim, eu sei que Barreto nasceu no Porto), entidades como o Bloomsbury Group. No futuro, talvez fosse de lhes arranjar uma designação: o “grupo do Gambrinus” podia servir mas não estou certo de que todos o frequentem.



publicado por José António Abreu às 08:40
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
O presidente mudo

Cavaco Silva passou a estar sob fogo. As declarações acerca do acto do ex-Ministro Manuel Pinho geraram todo um manancial de críticas (p. ex., aqui, aqui, aqui, aqui e aqui) a que Tiago Moreira Ramalho responde (bem) aqui. Mas este foi pouco mais que um fait-divers. Na realidade, as críticas ao presidente, vindas por vezes (como abordei aqui), do topo da intelligentsia do Partido Socialista, têm aumentado em número e em tom. Parte delas nascerá do desespero dos socialistas, sentindo-se prestes a perder as eleições legislativas e tendo já quase garantidamente deixado esfumar a hipótese de nova maioria absoluta. Ainda assim, quem critica Cavaco devia lembrar-se que, mesmo com uma Constituição altamente limitadora dos seus poderes, o presidente não é um espectador mas um actor político com opiniões. Que, como se verá, todos os presidentes anteriores fizeram questão de expressar com frequência.

 
Cavaco Silva foi eleito em Janeiro de 2006, estava o governo do PS em funções há cerca de nove meses. Durante a campanha foi notório que Cavaco não discordava de muitas medidas já anunciadas pelo governo: reformas da função pública, da educação, da saúde ou da segurança social, esforços para controlo do défice, política europeia, até mesmo uma certa ideia de estilo governativo (em 2005 e 2006 Sócrates era admirado por quase todos por conseguir manter os membros do governo calados e por gerir os anúncios de forma brilhante). Por ter opinião positiva do governo, Cavaco entendeu-se bem com ele durante os primeiros anos. Relembre-se quão frequentemente foi dito e escrito que Cavaco via com bons olhos a acção da ministra da Educação ou do ministro da Saúde. Aliás, muitos socialistas que, durante a campanha eleitoral, haviam prognosticado um estado de conflito permanente, reconheciam nesta fase que PS e governo não tinham razões de queixa do Presidente (p. ex., Jorge Coelho na Quadratura do Círculo desses tempos). Entretanto a situação alterou-se. O PS assaltou o Estado. Colocou os famosos boys que Guterres, em 1995, pedira que fossem mantidos afastados, por todo o lado, com as consequências conhecidas: perseguições a professores, a sindicatos, à comunicação social. Ao mesmo tempo, a concretização das medidas anunciadas (uma, mais outra, e ainda mais outra vez) ia-se arrastando (excepção para a reforma da segurança social que, concorde-se ou não com os princípios que a nortearam, foi levada a cabo rapidamente). E quando os protestos surgiram em força (como surgiriam, atendendo à estratégia de diabolizar e atacar indiscriminadamente toda a gente dentro das várias corporações) entrou-se primeiro numa fase de autismo e depois na mais pura confusão. Resultado? Falhanço na reforma educativa, com ponto alto no Kafkiano sistema de avaliação dos professores. Resultados mitigados na reforma do sistema de saúde que, no auge da contestação, obrigou à imolação do ministro. Paralisação do sistema judicial. Confusão total nas obras públicas, resultado da insistência em projectos megalómanos e em escolhas que rapidamente se revelaram erradas (“margem sul jamais”). Uso da máquina fiscal (cujo aumento da eficiência é positivo mas, em grande medida, não foi fruto de trabalho deste governo) para perseguir contribuintes, mantendo o Estado o hábito de não pagar a quem deve. Estou certamente a esquecer-me de inúmeros pontos mas estes bastam como exemplo. Até porque ainda é preciso realçar outro factor: o estado de graça, que durou mais de dois anos, extinguiu-se (como seria de esperar mas, aparentemente, para grande surpresa e ultraje do PS e de Sócrates) com a revelação de que o Primeiro-Ministro acabara a licenciatura ao domingo e fizera exames de “inglês técnico” por fax, que assinara horríveis projectos que não projectara, e que poderia estar ligado a um caso grave de corrupção (licenciamento do Freeport). Os histéricos ataques aos órgãos de comunicação social que noticiavam estes assuntos, com processos judiciais quase burlescos a comentadores que faziam comparações irónicas envolvendo Cicciolina e acusações desembestadas a noticiários televisivos, não ajudaram.
 
Perante tudo isto, devia Cavaco Silva permanecer em silêncio? Mesmo considerando ele, como todos estamos conscientes que considera, que a política anunciada, em particular ao nível das obras públicas, é negativa para o futuro do país? Devia abster-se de intervir, em nome de uma cooperação à qual Governo e PS testaram os limites várias vezes ao longo do último ano (estatuto político dos Açores, lei do divórcio, lei da concentração dos meios de comunicação social)?
Recordem-se os anteriores presidentes do Portugal "normalizado". Eanes teve uma intervenção tão directa na política governamental que chegou a nomear governos sem apoio parlamentar e acabou a criar um partido político. Sei que os tempos eram outros e também penso que, em particular neste último ponto, Eanes não foi exemplo que alguém deseje de volta, mas aconteceu. Soares criticou abundantemente Cavaco, com frequência de forma maquiavélica (mas, reconheça-se, com panache irresistível): basta lembrarem-se as “presidências abertas” e os jantares quase conspirativos. (Ainda assim, talvez hoje Cavaco lamente não ter considerado seriamente uma ou outra crítica.) Sampaio teve a famosa frase “há vida para além do orçamento” num momento em que o governo de Durão Barroso tentava desesperadamente controlar o défice. (Não o ouvi dizer o mesmo quando o governo Sócrates implementou medidas parecidas um par de anos mais tarde.) E foi também o presidente que deu posse a um governo avisando-o de que o ia manter sob vigilância especial e que, meses depois, o fez cair dissolvendo uma Assembleia da República onde continuava a existir uma maioria que o suportava: uma decisão bombástica mas, diga-se, perfeitamente legítima, tomada em nome do que ele entendia ser o interesse nacional (teorias conspirativas à parte).
 
A análise do passado pode mesmo providenciar alguma validação da tese de que é positivo existir um certo nível de discordância entre Belém e S. Bento, vulgarmente expressa na frase “os portugueses não gostam de colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Os anos de concordância ideológica (governos Guterres) foram anos de “preguiça” institucional que nos empurraram para a crise estrutural em que estamos mergulhados. Evidentemente que a personalidade e o fraco grau de conhecimento da realidade económica dos intervenientes (Guterres e Sampaio) ajudou. Fosse Cavaco presidente nessa altura, Guterres teria sido mais pressionado a tomar as medidas que se impunham. Da mesma forma, quem entende que o governo de Santana Lopes não tinha condições para continuar a gerir o país (reconhecidamente, a maioria dos portugueses) tem que ver como positivo estar a presidência ocupada por alguém que sempre manifestara reservas quanto ao referido governo. Apenas na época de Durão Barroso a concordância ideológica poderia ter-se revelado benéfica, facilitando a aplicação das medidas indispensáveis para enfrentar a crise, numa época em que o país, saído de um período de abundância, ainda não estava disponível para “sacrifícios”.
 
Seja como for, depois de presidentes assim, e excluindo-se o pânico pré-eleitoral, são as declarações de Cavaco Silva razão para irritações de um governo maioritário ou do partido que o sustenta? Penso estar claro que a) os presidentes sempre opinaram quando acharam dever fazê-lo, e b) é perfeitamente lícito que o façam. O conceito de “presidente de todos os portugueses” é, pelo menos na forma como habitualmente surge, um logro. Nenhum presidente representa “todos os portugueses” no sentido de ter que agir como cada um deles pretende. Seria, aliás, impossível. Não pode também pretender-se que represente os portugueses que elegeram o governo acima dos que o elegeram a ele. (Seria o que aconteceria se permanecesse sempre em silêncio perante todas e quaisquer medidas do governo.) Também não é, como muitas vezes se defende, um “árbitro”. Se o papel do presidente fosse apenas arbitral, bastar-lhe-ia conhecer as regras “do jogo” (definidas na Constituição) e a ideologia seria irrelevante, pois não iria decidir em função dela. Elegê-lo seria um contra-senso. Poderia ser nomeado ou até sorteado. Um presidente é eleito depois de apresentar um conjunto de posições e de convicções e deve presidir em função delas. Obviamente, não tendo poder executivo, deverá procurar consensos com o governo e só o afrontar quando achar indispensável fazê-lo. Mas tem o direito de o fazer. Mais: tem o dever. Em função das suas próprias convicções, cada cidadão decidirá então se ele tem ou não razão. Mas não o pode criticar por falar.

 

(Fotos retiradas do site da Presidência da República.)



publicado por José António Abreu às 13:11
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Domingo, 5 de Julho de 2009
De Braga a Estrasburgo, passando por Madrid: notas de fim-de-semana

Uma pequena notícia no jornal i informava que Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, apresentou uma queixa contra José Sá Fernandes por este, durante o processo por tentativa de corrupção no qual Névoa foi condenado, lhe ter chamado “bandido”. O vereador lisboeta foi constituído arguido e arrisca pena até dois anos e multa não inferior a 120 dias. Arrisca também, porque Névoa entende ter sofrido graves danos morais (nos dois dias seguintes à declaração de Sá Fernandes, nem foi trabalhar de tão perturbado que estava), ter que pagar uma indemnização de vinte e cinco mil euros. Se bem me lembro, Névoa foi condenado em cerca de cinco mil euros; se ganhar, não subsistem dúvidas: neste país, mesmo quando as coisas lhes correm mal, a corrupção é um negócio altamente lucrativo para os corruptores.

 

Cristiano Ronaldo deu uma longa entrevista ao jornal espanhol Marca e, como seria de esperar, os canais de televisão portugueses noticiaram abundantemente tão importante acontecimento. Foi realçado o facto de ele ser um rapaz de palavra, visto ter prometido à referida publicação, no ano passado, que teriam direito à primeira entrevista dele como jogador do Real Madrid, caso chegasse alguma vez a sê-lo. Ainda assim, o que me chamou a atenção – sacaninha como sou – foi a resposta, num daqueles questionários Proustianos que tão giros às vezes se revelam, que o livro preferido de Cristiano Ronaldo é a fotobiografia de Cristiano Ronaldo. Percebe-se: é um livro simpático, que se lê bem e tem um herói com que qualquer pessoa se identifica facilmente – mesmo uma super-estrela como Cristiano Ronaldo. Reparei também que, ao ser instado a escolher uma cidade, optou por Madrid, mas aí a gente percebe: a competição com Kaká não vai ser fácil e o tio Alberto João chatear-se-ia mais se ele respondesse “Lisboa”.

 

Elisa Ferreira garante que lutará contra todas as sondagens, sejam negativas ou sim, e que levará a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto até ao fim: como se sabe, Estrasburgo. Diz ainda que os responsáveis do PS lhe dão "apoio suficiente". Supõe-se que já não a cumprimentam com dois beijos mas ainda lhe apertam a mão.



publicado por José António Abreu às 00:40
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Sábado, 4 de Julho de 2009
Calem-no mas deixem-no escrever

Alguém devia amordaçar Vasco Pulido Valente e obrigá-lo a comunicar exclusivamente por escrito. E não escrevo isto por desejar o mal de VPV. Pelo contrário: seria para o bem dele. (Ok, admito que também para o nosso). Existem pessoas que provavelmente não terão grandes dotes para a escrita mas que nos encantam com a sua voz ou com as suas capacidades de oratória. Cantores líricos, actores, alguns políticos. Depois há uma grande massa que se desenrasca em ambas as áreas mas não deslumbra em qualquer delas. Eu, provavelmente você. Por fim, existem as que deviam exprimir-se sempre por escrito e nunca falarem com finalidades diferentes que cumprimentar, agradecer, pedir refeições em restaurantes e dizer ao médico onde lhes dói. E não, não estou a condescender porque, no caso de VPV, acho que nem isso devia acontecer: no Gambrinus já lhe conhecem as preferências. Não é que estas pessoas não consigam falar. Com boa vontade, pode dizer-se que conseguem. Mas ler o que escrevem é uma experiência tão mais gratificante que ouvi-los que era preferível fazerem um voto de silêncio.

 
VPV nem falava muito (ou, pelo menos, pouca gente o ouvia). Mas, de há uns meses para cá, tem aqueles tête-à-tête de sexta-feira à noite com Manuela Moura Guedes que são, sejamos francos, tão penosos quanto seria assistir aos esforços de um doente de Parkinson cego e tagarela para tratar dos dentes ao ministro Mário Lino (podem substituir pelo ministro da vossa preferência) sem aplicação de anestesia e com uma broca torta. Por via oral (note-se o raccord), as ideias de VPV surgem confusas e banais, prejudicadas por um discurso trapalhão, uma oratória perra, e até por erros factuais. VPV admite que não se exprime bem oralmente. Fê-lo há anos numa entrevista a Francisco José Viegas, no programa Livro Aberto da RTPN. Mas, sabe-se lá porquê, acedeu àqueles excruciantes exercícios semanais. (Quem é que colocou a Liza Minelli cantando Money makes the world go round, the world go round no meu leitor de MP3?)
 
Enfim. Passando à frente, que isto pretende ser um elogio e talvez ainda não o pareça, há pouco mais de um mês a Alêtheia lançou “Portugal, Ensaios de História e de Política”. O livro demonstra novamente que, quando se trata de escrita, toda a liberdade deve ser dada aos dedinhos de VPV. São ensaios sobre a história portuguesa no período entre as invasões francesas e os tempos do pós-25 de Abril (com um “buraco” na segunda metade do século XIX), todos anteriormente publicados em sítios como O Independente, a mítica revista K ou o jornal Público. Podem ser lidos como relatos históricos mas quem o fizer arrisca-se a ficar desiludido porque está a perder oitenta por cento do gozo. VPV não está tão preocupado em dizer-nos o que aconteceu como em mostrar-nos, num estilo leve e mordaz, porque aconteceu e que não havia hipótese de acontecer de outra forma: a mentalidade vigente, o atávico oportunismo da miséria portuguesa, a inércia dos poderes instalados garantiram quase sempre o resultado. E quando as coisas até correram bem ou, pelo menos, melhor do que se tinha direito a esperar, isso deveu-se quase sempre a intervenção alheia: afinal, os franceses foram escorraçados porque os ingleses tomaram o assunto da nossa defesa em mãos e fizeram algo que, tudo indica, não conseguimos fazer sozinhos: organizaram-nos.
 
Toda a gente já sabe mas nunca é demais realçá-lo: a história portuguesa dos dois últimos séculos é marcada pelo mesmo tipo de questiúnculas pseudo-ideológicas, em que os interesses se sobrepuseram (e continuam a sobrepor) quase sempre à ideologia, com as mesmas tiradas grandiosas e a mesma impotência de soluções. Até nos períodos de despotismo, os compromissos foram abundantes porque eram (são) a única forma de sobrevivência. Afinal, como impor uma República se a 20 km de Lisboa e a 10 km do Porto os republicanos rareavam. A 50 km só se encontravam por acaso? VPV entende todos os intervenientes e explica, com um misto de resignação e bonomia, a lógica inerente a cada decisão. Talvez com uma excepção no que toca à bonomia: Salazar. Que Salazar fosse um intriguista vulgar, um pequeno político e um espírito inculto e medíocre não parece ocorrer a ninguém, acusa. O dinheiro e o poder são sempre injustamente associados à inteligência. E ainda, num trecho entre muitos: No fundo, jamais conseguiu compreender, e menos aceitar, a ressurreição dos velhos princípios do século XIX, que nos anos 30 dera por mortos e enterrados; e julgava os políticos europeus como se eles regessem com a sua autoridade quase absoluta países comparáveis ao Portugalinho obediente e pobre, a que para ele o mundo se reduzia. Nos primeiros tempos, ainda os desculpou. Afinal, em certo sentido, os indianos e os árabes do Norte de África (depois da independência da Argélia) eram «civilizados». Mas os pretos, nunca; como sobejamente lhe provava o irmão do Dr. Nazaré, seu médico analista, que, embora formado na Suiça, depressa regressara à sua tribo e refocilava jubilante entre concubinas. VPV nunca se lhe refere mas fica-se com a ideia de que também não vê com grande credibilidade o Salazar quase cosmopolita e engatatão da série da SIC.
 
Se a lógica da mediocridade e do compromisso imperam, há todavia momentos de relativa surpresa. O que espanta no episódio não é a vertiginosa inconsciência de Couceiro, é a pertinácia, o estoicismo e a fidelidade daqueles que o seguiram. Claro que a ingenuidade, no mundo de VPV e no Portugal dos dois últimos séculos (pelo menos), paga-se quase sempre cara e a 19 de Outubro desistiu e voltou para Espanha. Contudo, em 1975, a realidade ainda conseguiu surpreender: A partir de Julho, a «rua», que antes pertencia à esquerda e à extrema-esquerda, passou para o PS e para a inumerável multidão que o seguia. Este era um fenómeno novo para que a «cultura intelectual» vigente não preparara os «revolucionários». Segundo os manuais, os «moderados», uma excrescência da «burguesia», de resto numérica e politicamente sem significado, ficavam sempre entre a obediência e o exílio. Os manuais em que a esquerda se educara eram taxativos. Em Paris, a «moderação» não marchara em defesa do rei, nem contra Robespierre. Em Moscovo e Petrogrado, emigrara para a Alemanha ou fora vender móveis na rua. Mas, surpreendentemente, em Lisboa e no Porto, andava em manifestações (cada vez maiores), berrando contra a «revolução». Como explicar esta inconcebível extravagância? Se mesmo um pessimista como VPV ainda encontra motivos de surpresa (e, presume-se porque ele é avaro nas frases laudatórias, regozijo), talvez ainda haja esperança para este povo.


publicado por José António Abreu às 18:39
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Os benfiquistas são os verdadeiros portugueses

Por ser simpatizante do Sporting e, mais importante, pouco apreciador do universo futebolístico, tinha prometido a mim mesmo não fazer comentários sobre as eleições do Benfica. Mas, aqui sentado com a televisão a mostrar-me debates onde Benfiquistas evitam criticar as manobras sujas que caracterizaram a marcação das eleições ou a necessidade de um dos candidatos votar com escolta policial, resultados eleitorais de república das bananas, vaias aos derrotados e à comunicação social, entradas triunfais do inesperadíssimo vencedor, um discurso (cuja transmissão em directo obriga à interrupção de um debate sobre o estado da Nação na SIC Notícias) em que o presidente da vetusta e heróica agremiação parece não ir chamar “garotões” aos derrotados, acusando-os apenas de falta de dignidade, tenho que admitir que o Benfica é de facto o único clube verdadeiramente representativo dos portugueses. Dos mesmos que elegem Alberto João Jardim, Fátima Felgueiras ou Valentim Loureiro. Dos mesmos que cospem ou atiram lixo para o chão. Dos mesmos que ziguezagueiam por entre o trânsito e queimam os semáforos vermelhos. Acredito agora que o Benfica tenha os famosos seis milhões de adeptos. Talvez até sete, talvez até oito. Parabéns ao Benfica. Parabéns a Portugal.



publicado por José António Abreu às 00:02
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
O homem-tigre de Coimbra, USA

Depois de colocar os Wraygunn em pausa, Paulo Furtado, aka Legendary Tigerman, está de volta, envolvido com uma data de mulheres. O álbum, Femina, parece ter sido adiado para Setembro mas o primeiro single, com Asia Argento, já está disponível.

 



publicado por José António Abreu às 17:12
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Tourinho mealheiro

O ex-ministro Manuel Pinho foi ainda ontem à SIC Notícias dizer que está arrependido do gesto que fez durante o debate do estado da Nação. Acredito que esteja, mais pelas consequências que sofreu que por tê-lo feito (Pinho tratou imediatamente de acrescentar que foi provocado, como se isso transferisse a culpa para Bernardino Soares, o apreciador da democracia Norte-Coreana). Tendo que sofrer as consequências, estou até convencido que ele também está arrependido de não ter feito um gesto ainda mais forte (sim, aquele em que se estende um único dedo e se recolhem os restantes). Seja como for, na entrevista Pinho declarou, com ar de vítima do “sistema”, que não entende a política actual, por esta nada ter a ver com o país real, onde vivem as pessoas "normais". Veja-se bem que ainda recentemente estivera num distrito “fortemente PSD: Leiria” e fora muito bem recebido pelos empresários locais, com quem tinha sido possível discutir apoios e outras formas de auxílio. Esta gente não tem mesmo noção da realidade. Alguém esperaria que, num país em que tudo depende do Estado, os empresários de Leiria – simpatizantes do PSD ou não –, recebessem mal quem lhes levava dinheiro? Com – permitam-me citar uma frase do último livro de Vasco Pulido Valente – “o atávico oportunismo da miséria portuguesa”? Meu caro ex-ministro, para eles o senhor era nada mais que um porquinho mealheiro. Ou, neste caso, um tourinho mealheiro.



publicado por José António Abreu às 08:41
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
O estado do governo

Pela primeira vez um debate sobre o Estado da Nação serviu verdadeiramente para a nação perceber alguma coisa sobre o seu estado ou, pelo menos, sobre o estado dos seus representantes. O acto de Manuel Pinho é apenas o corolário dos repetidos actos de autismo e de arrogância deste governo, cheio de pessoas medíocres que se multiplicam pelos diversos níveis do Estado, chefiado por um político inculto e mais que medíocre, apenas preocupado com a forma como as coisas parecem e não como elas são (as histórias da sua licenciatura e dos seus projectos, para além das repetidas encenações do governo, mostram-no à saciedade) e incapaz de aceitar a crítica. Os consultores de Obama devem estar a perguntar onde diabo vieram parar. 



publicado por José António Abreu às 21:47
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Batota

Caminho na quase escuridão das arcadas da Ribeira quando vejo um miúdo em contraluz e de costas para mim saltar para uma bola. Falha a intercepção. A bola passa-lhe por cima, cai nas pedras da calçada e rebola até parar contra a parede, meia dúzia de metros à minha frente. Avanço. Com um chuto devolvo-a ao guarda-redes. Ele pontapeia-a para o largo, para outro miúdo que se encontra perto das primeiras mesas. Depois prepara-se para tentar novamente a defesa. Ergo a máquina e tiro um par de fotos enquanto a bola vem pelo ar. Apercebo-me que a velocidade de obturação é demasiado baixa para que fiquem nítidas. Baixo a máquina e lanço novamente a bola para o primeiro miúdo, que voltou a não conseguir defender. Este chuta para o outro, que a pára sem dificuldade. Recua e prepara-se para rematar de novo. Reparo que veste calções num tom de verde parecido com o das cadeiras que se encontram amontoadas junto à parede da direita. Ergo a máquina. Ele hesita. Uma expressão de resolução surge-lhe na face. Grita-me: «Senhor, cuidado com a máquina.» Não me mexo. Ele grita de novo. Gesticulo para que esteja à vontade. A expressão dele endurece. Recua mais um passo e depois avança para a bola e pontapeia-a com força. A bola descreve um arco, passa por cima do guarda-redes cujo salto foi mais uma vez tardio, e vem na minha direcção. Tiro uma única fotografia e baixo a máquina à pressa. A bola cai mesmo à minha frente. Sem dificuldade, paro-a debaixo do pé direito. A expressão do rematador passa a espanto. Eu também estou surpreendido mas tento manter-me impassível. Devolvo a bola pela terceira vez mas agora sigo atrás dela. Não vou arriscar outro chuto. Quando passo pelo miúdo, ele olha-me com respeito. Reprimo a vontade de sorrir e sigo em direcção à beira-rio.

 
Ele não sabe mas fiz batota. Receoso, disparei demasiado cedo e estraguei a fotografia (ficaria muito melhor com a bola maior e mais perto da câmara). Mas, de momento, uma foto perdida parece-me um preço baixo a pagar pela satisfação infantil que sinto.

(Mais tarde, admito que provavelmente ele também teve medo de se meter em sarilhos e chutou com menos força do que planeara inicialmente. Mesmo assim foi uma bela recepção.)



publicado por José António Abreu às 08:42
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
O passado

Na questão da venda da rede fixa à PT, Manuela Ferreira Leite deveria ter apenas declarado que fez o que entendeu dever fazer, considerando as circunstâncias que já por várias vezes explicou: a necessidade de manter o défice abaixo dos 3% e a inexistência – à época – de folga temporal para o reduzir por outras vias. Poderia ter acrescentado que a decisão política até vinha do governo Guterres – mas depois de assumir o acto.

 
A questão é relativamente pouco importante, uma vez que não há indícios de corrupção e, tudo o indica, o PS teria feito o mesmo, provavelmente (di-lo Ferreira Leite) por um preço inferior. A ingerência dos governos Santana Lopes e Sócrates nos negócios da PT, alegadamente para “corrigir” linhas editoriais, é mais grave.
 

Ainda assim, o caso permite-me lembrar Sócrates e o PS em 2004 e inícios de 2005. Nessa altura eles bramavam que o que se passara durante os governos do engenheiro Guterres era irrelevante. A crise devia ser totalmente atribuída aos governos PSD/CDS. Sócrates afirmou dezenas de vezes, no seu estilo onde apenas Ana Lourenço consegue introduzir a dúvida e a humildade, que a direita culpava Guterres para esconder o seu próprio fracasso. Hoje é o PS que tenta desenterrar o passado; que, no fundo, continua a esforçar-se por demonstrar que os governos PSD/CDS foram maus. Bom, meus caros, isso não é novidade para ninguém. Mas deixem que vos diga duas coisas: o governo de Durão Barroso ocorreu durante um período de quebra económica a nível europeu e teve a oposição da comunicação social e do Presidente da República, enquanto o vosso desfrutou nos primeiros anos de alguma retoma económica e teve durante muito tempo uma comunicação social e um Presidente cooperantes; e, parafraseando-vos, o que se deve discutir em 2009 são as vossas políticas. São elas que falharam. E, por muitas trapalhadas que os governos PSD/CDS tenham feito, nenhum deles atingiu o vosso nível de arrogância e de assalto ao poder.



publicado por José António Abreu às 20:52
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Nuno Crato entenderá...

Os homens são diferentes das mulheres. Este é um post para homens que as mulheres não entenderão e só acharão interessante por confirmar a ideia que têm de nós.

 
2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, 512, 1024, 2048, 4096, 8192, 16384, 32768, 65536, 131072, 262144, 524288, 1048576, 2097152,…
 

Haverá algum homem que na adolescência não tenha calculado mentalmente os quadrados de dois?



publicado por José António Abreu às 18:55
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O presidente não é um árbitro

Os socialistas não andam a gostar das declarações de Cavaco Silva. Bom, na realidade os socialistas não andam a gostar de uma data de coisas hoje em dia. Esta é só mais uma. Mas há um pequeno pormenor quando se trata de Cavaco: a maioria das pessoas que o elegeu fê-lo por esperar que ele pudesse moderar os excessos do governo. Eu sei que há aquela velha treta do "presidente de todos os portugueses" mas ninguém votou em Cavaco para este tratar dos jardins do Palácio de Belém. Se está preocupado, Cavaco deve falar. Provavelmente não o fez nos primeiros anos de mandato porque, como muitas outras pessoas (que votaram ou não nele, que votaram ou não no PS), ainda alimentou esperanças de que Sócrates fizesse o que era necessário fazer. Entretanto tornou-se óbvio que isso não sucederá. Pior: todos os vícios do PS (e, de certa forma, dos sistemas partidário e empresarial português) vieram à tona. Cavaco deve assistir em silêncio?



publicado por José António Abreu às 12:34
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