A revista Prospect traz este mês uma análise sobre a relação dos Franceses com o poder. Alguns pontos são quase directamente aplicáveis a Portugal, o que não surpreende considerando a influência que a cultura francesa teve entre nós durante séculos. Gostaria de abordar dois pontos: o aparente desejo de franceses e portugueses serem governados por uma figura dominadora e a percepção crescente de que os idealistas de 1968 se revelaram uma geração de hipócritas e egoístas.
O artigo aborda também, embora de raspão, a desilusão crescente com os políticos nascidos no pós-Maio de 68. Veja-se este parágrafo: "Much has been written about the generation of bourgeois intellectuals, known as les soixante-huitards, who led the student uprisings against de Gaulle’s stultified order. They fashioned the French political landscape, still run the media, and have lived off the fat of the land and squandered a thriving economy in the process. Once the heroes of a glamorous revolution, the soixante-huitard is increasingly perceived as a selfish, hypocritical gauche caviar (champagne socialist).” Aos políticos de 68 podemos em Portugal acrescentar os políticos do 25 de Abril de 74 e a análise fica perfeita.
Resposta do presidente da câmara de um pequeno município da zona centro quando questionado pelo chefe de bombeiros local acerca do facto de alguns veículos da corporação não irem conseguir passar numa das ruas principais após conclusão das obras em curso: «Ai, não? Então têm que comprar carros mais pequenos.»
Isto foi antes das últimas eleições autárquicas. Este ano a aposta é na remodelação da praça central da cidade, que inclui a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, como é óbvio absolutamente indispensável numa cidade com cerca de 4000 habitantes. Dizem-me que há outras câmaras a apostar no mesmo. As rotundas devem estar a passar de moda...
Segundo o i, a rainha Sofia de Espanha usou pela primeira vez um voo de uma companhia aérea low-cost (a Ryanair) para se deslocar. Os cínicos acusarão a casa real espanhola de hipocrisia, os pedantes horrorizar-se-ão com o rebaixamento a que se sujeitou um membro da realeza, os fanáticos dos pormenores procurarão saber se chegou com a roupa mais amarrotada que o habitual. Eu não acho bem nem mal mas continuo a ver os reis em carruagens puxadas a cavalos (ou na guilhotina mas deixemos de lado essas fantasias). Aquelas imagens do desfile na Holanda em que a realeza ia de autocarro aberto pareceram-me de uma incongruência absoluta. Será assim tão caro manter um par de cavalos em vez de uma frota de Rolls-Royces? De qualquer modo, mesmo sendo cem por cento republicano, começo a interrogar-me se, afinal, o D. Duarte não ficaria mais barato que o Cavaco e as suas frequentes viagens ao estrangeiro com dezenas de empresários (na TAP, creio). Depois penso que é preciso apoiar a TAP. E ouço na minha cabeça a voz de D. Duarte discorrendo sobre o amor que tem por Timor. Adormeço por instantes e acordo a gritar: «Viva a República!»
Entalaram-me este folheto na porta do carro. Apresento-o porque, nunca se sabe, pode haver pessoas interessadas na felicidade.
Detesto o ambiente asfixiante e truculento do futebol nacional. Lamento que quase não se fale de outros desportos, com excepção de momentos improváveis em que atletas de outras modalidades, contra todas as expectativas, conseguem resultados assinaláveis. Por não gostar do tema (não é o mesmo que não gostar do jogo) ainda não o abordara neste blogue. Mas esta notícia leva-me a fazê-lo. As SADs dos três grandes - Benfica, Sporting, Porto, pela ordem que preferirem - estão numa situação financeira assustadora. A causa é a de muitos problemas do país (e do mundo): vida acima das possibilidades. Os causadores são também portugueses típicos: fala-baratos, megalómanos, pouco cultos. As semelhanças entre o típico presidente de clube de futebol - de âmbito nacional ou local, com poucas excepções, entre as quais talvez o Sporting mas apenas nos últimos anos -, o autarca característico ou o empresário tradicional são flagrantes; há, aliás, muitos casos em que pessoas foram as três coisas em pouco tempo. Os adeptos são iguais. Como na política, apoiam quem lhes promete os melhores resultados a curto prazo. A exequibilidade é secundária. Perante este cenário não há solução. A correcta seria a falência ou uma gestão financeira draconiana, que colocaria inevitavelmente em risco os sucessos desportivos. Duvido que haja coragem. Desgraçadamente, o futebol é a única coisa que importa neste país. Num caso-limite, os políticos não terão coragem para assumir decisões pouco populares. Os três grandes não são o Boavista. E, nesta questão, qualquer um dos três verá com bons olhos a ajuda pública a um rival por garantir que também a terá. Não me surpreenderia que, de forma clara ou encapotada, acabássemos todos a pagar os luxos desta gente. A sorte pode ser que, como entretanto o país também vai ficando cada vez mais endividado, quando a crise estalar a sério no futebol já não exista dinheiro nem meios de financiamento para acudir aos clubes.
Foi este fim-de-semana. Nunca tinha ido. É impressionante ver tanta gente pelos jardins. Não será o melhor momento para visitar o museu mas quem tem crianças deve aproveitar, mesmo que se fique pelos jardins, uma vez que a maioria das actividades é dedicada aos miúdos. Algumas performances (incluindo alguma música) parecem um pouco amadoras mas a boa vontade – dos artistas e do público – compensa as falhas. Ainda assim, não deixem de visitar Serralves noutras alturas.
Leia com atenção os dois textos abaixo. Um deles começa o grande best-seller da apresentadora televisiva e escritora Fátima Lopes, “Amar depois de Amar-te”. O outro é o início de um conto escrito por uma aluna do sétimo ano, com cerca de doze anos (retirado daqui, mas não vale espreitar antes de responder à questão apresentada depois dos excertos).
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