como sobreviver submerso.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Portugal veut qu'on le prenne.

A revista Prospect traz este mês uma análise sobre a relação dos Franceses com o poder. Alguns pontos são quase directamente aplicáveis a Portugal, o que não surpreende considerando a influência que a cultura francesa teve entre nós durante séculos. Gostaria de abordar dois pontos: o aparente desejo de franceses e portugueses serem governados por uma figura dominadora e a percepção crescente de que os idealistas de 1968 se revelaram uma geração de hipócritas e egoístas.

 
Em povos habituados a depender do estado, como o português e o francês, o risco assusta. Não se passa o mesmo com outros povos. A The Economist da semana passada trazia um artigo que mostrava como nos EUA, apesar da tendência actual para guinar à esquerda, a maioria das pessoas continua a valorizar o risco e a desconfiar de um estado demasiado controlador. Nos países nórdicos, o estado providencia uma excelente rede de segurança mas, como se pode constatar pela excelência das empresas suecas ou finlandesas, há quem arrisque (talvez em parte por saber que a rede existe). Mas o caso mais preocupante para franceses, portugueses e outros europeus com as mesmas características são os países emergentes. Porque nestes as pessoas têm vivido com tão pouco que nada têm a perder. Arriscar é uma oportunidade, muito mais que um risco. A globalização assusta porque, com imperfeições ou sem elas, estilhaça o status-quo. Povos como o francês e o português, habituados a um ramerrame narcotizante mas tranquilo, entram em pânico e procuram quem os proteja. Figuras fortes, que falem grosso e pareçam dar garantias de que tudo se resolverá por si. Sarkozy, Sócrates e Cavaco são o que de momento se arranja, na falta de um Napoleão ou de um Salazar. Exagero? Repare-se nas semelhanças: como Napoleão, Sarkozy é baixo, hiperactivo e é tão mencionado pela política como pelas conquistas sexuais (o artigo da Prospect tem referências hilariantes à libido do presidente francês); Como Salazar (deixemos de lado a recente imagem de garanhão), Cavaco é alto, magro, austero. Sócrates não anda longe. Nenhum deles gosta de discordância e de debate. A Prospect inclui, logo no início do artigo, uma citação do ex-Primeiro-ministro Dominique de Villepin que não resisto a incluir aqui: “La France veut qu’on la prenne”. Desconfio que Portugal também. Há um desejo forte de ser subjugado em ambos os países.
 

O artigo aborda também, embora de raspão, a desilusão crescente com os políticos nascidos no pós-Maio de 68. Veja-se este parágrafo: "Much has been written about the generation of bourgeois intellectuals, known as les soixante-huitards, who led the student uprisings against de Gaulle’s stultified order. They fashioned the French political landscape, still run the media, and have lived off the fat of the land and squandered a thriving economy in the process. Once the heroes of a glamorous revolution, the soixante-huitard is increasingly perceived as a selfish, hypocritical gauche caviar (champagne socialist).” Aos políticos de 68 podemos em Portugal acrescentar os políticos do 25 de Abril de 74 e a análise fica perfeita.



publicado por José António Abreu às 08:37
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Obras municipais.

Resposta do presidente da câmara de um pequeno município da zona centro quando questionado pelo chefe de bombeiros local acerca do facto de alguns veículos da corporação não irem conseguir passar numa das ruas principais após conclusão das obras em curso: «Ai, não? Então têm que comprar carros mais pequenos.»

 

Isto foi antes das últimas eleições autárquicas. Este ano a aposta é na remodelação da praça central da cidade, que inclui a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, como é óbvio absolutamente indispensável numa cidade com cerca de 4000 habitantes. Dizem-me que há outras câmaras a apostar no mesmo. As rotundas devem estar a passar de moda...



publicado por José António Abreu às 18:19
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Imagens recolhidas pelas ruas: 5

Exercício físico na Ribeira do Porto, no final da tarde de quarta-feira da semana passada.



publicado por José António Abreu às 08:31
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Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Monarquia low-cost.

Segundo o i, a rainha Sofia de Espanha usou pela primeira vez um voo de uma companhia aérea low-cost (a Ryanair) para se deslocar. Os cínicos acusarão a casa real espanhola de hipocrisia, os pedantes horrorizar-se-ão com o rebaixamento a que se sujeitou um membro da realeza, os fanáticos dos pormenores procurarão saber se chegou com a roupa mais amarrotada que o habitual. Eu não acho bem nem mal mas continuo a ver os reis em carruagens puxadas a cavalos (ou na guilhotina mas deixemos de lado essas fantasias). Aquelas imagens do desfile na Holanda em que a realeza ia de autocarro aberto pareceram-me de uma incongruência absoluta. Será assim tão caro manter um par de cavalos em vez de uma frota de Rolls-Royces? De qualquer modo, mesmo sendo cem por cento republicano, começo a interrogar-me se, afinal, o D. Duarte não ficaria mais barato que o Cavaco e as suas frequentes viagens ao estrangeiro com dezenas de empresários (na TAP, creio). Depois penso que é preciso apoiar a TAP. E ouço na minha cabeça a voz de D. Duarte discorrendo sobre o amor que tem por Timor. Adormeço por instantes e acordo a gritar: «Viva a República!»



publicado por José António Abreu às 22:23
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Professor Lai.

Entalaram-me este folheto na porta do carro. Apresento-o porque, nunca se sabe, pode haver pessoas interessadas na felicidade.

 

 



publicado por José António Abreu às 14:17
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
O futebol português, esse excelente retrato do país.

Detesto o ambiente asfixiante e truculento do futebol nacional. Lamento que quase não se fale de outros desportos, com excepção de momentos improváveis em que atletas de outras modalidades, contra todas as expectativas, conseguem resultados assinaláveis. Por não gostar do tema (não é o mesmo que não gostar do jogo) ainda não o abordara neste blogue. Mas esta notícia leva-me a fazê-lo. As SADs dos três grandes - Benfica, Sporting, Porto, pela ordem que preferirem - estão numa situação financeira assustadora. A causa é a de muitos problemas do país (e do mundo): vida acima das possibilidades. Os causadores são também portugueses típicos: fala-baratos, megalómanos, pouco cultos. As semelhanças entre o típico presidente de clube de futebol - de âmbito nacional ou local, com poucas excepções, entre as quais talvez o Sporting mas apenas nos últimos anos -, o autarca característico ou o empresário tradicional são flagrantes; há, aliás, muitos casos em que pessoas foram as três coisas em pouco tempo. Os adeptos são iguais. Como na política, apoiam quem lhes promete os melhores resultados a curto prazo. A exequibilidade é secundária. Perante este cenário não há solução. A correcta seria a falência ou uma gestão financeira draconiana, que colocaria inevitavelmente em risco os sucessos desportivos. Duvido que haja coragem. Desgraçadamente, o futebol é a única coisa que importa neste país. Num caso-limite, os políticos não terão coragem para assumir decisões pouco populares. Os três grandes não são o Boavista. E, nesta questão, qualquer um dos três verá com bons olhos a ajuda pública a um rival por garantir que também a terá. Não me surpreenderia que, de forma clara ou encapotada, acabássemos todos a pagar os luxos desta gente. A sorte pode ser que, como entretanto o país também vai ficando cada vez mais endividado, quando a crise estalar a sério no futebol já não exista dinheiro nem meios de financiamento para acudir aos clubes.



publicado por José António Abreu às 22:02
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Serralves em festa.

Foi este fim-de-semana. Nunca tinha ido. É impressionante ver tanta gente pelos jardins. Não será o melhor momento para visitar o museu mas quem tem crianças deve aproveitar, mesmo que se fique pelos jardins, uma vez que a maioria das actividades é dedicada aos miúdos. Algumas performances (incluindo alguma música) parecem um pouco amadoras mas a boa vontade – dos artistas e do público – compensa as falhas. Ainda assim, não deixem de visitar Serralves noutras alturas.

 
  
 
  
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Já agora, sempre que tiro fotos num museu lembro-me do delicioso livro Museum Watching, de Eliott Erwitt. Imprescindível para quem goste de fotografia e de humor suave.

 



publicado por José António Abreu às 18:54
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Desafio literário.

Leia com atenção os dois textos abaixo. Um deles começa o grande best-seller da apresentadora televisiva e escritora Fátima Lopes, “Amar depois de Amar-te”. O outro é o início de um conto escrito por uma aluna do sétimo ano, com cerca de doze anos (retirado daqui, mas não vale espreitar antes de responder à questão apresentada depois dos excertos).

 
1.
Filipa era uma jovem professora do ensino básico, cheia de sonhos e de projectos para a vida. Tinha acabado a Faculdade de Letras com uma excelente média e foi fácil a colocação numa escola. Pertencia a uma família tradicional que a tinha criado com muito amor e carinho e, talvez por isso, era uma mulher doce e meiga. Tinha uma irmã mais velha, já casada e com dois filhos, que eram o orgulho de Filipa. O que mais gozo lhe dava, era juntar-se com os sobrinhos ao fim-de-semana e fazer programas conjuntos. O Tiago tinha três anos e a Carolina, seis. Idades fantásticas para jogar à bola, correr na praia, rebolar no chão e tudo o que a imaginação ditava. Filipa tinha prazer em ser tia e em alinhar com os garotos em quase todas as brincadeiras. Era uma mulher muito alegre, sempre sorridente e feliz e isso atraía as crianças. As crianças e os adultos, porque a alegria é o íman mais poderoso que existe.
 
2.
Era uma vez uma rapariga chamada Marina que vivia numa pequena casa situada no “Campo Verde”. A sua casa era muito bonita. As janelas eram azuis, as paredes de um branco caiado e o telhado era de um encarnado comum. Por dentro da casa da Marina havia muito espaço e, quem lá entrava, não podia deixar de pensar: «Que bela casa!!! E que confortável que é!!!»
Marina tinha muito orgulho na sua moradia.
Certo dia, Marina resolveu ir dar um passeio.
Levantou-se cedo, vestiu o casaco, calçou uns ténis e saiu de casa a correr pelos verdes campos, que estavam salpicados por margaridas, malmequeres, gladíolos e bocas-de-lobo.
Marina sentia-se alegre e pulava, pulava, pulava sem se cansar.
 
Agora que leu os dois excertos atribua correctamente cada um deles à respectiva autora.


publicado por José António Abreu às 08:32
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