como sobreviver submerso.

Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
Música recente (123)

 

Dale Crover, álbum The Fickle Finger of Fate.

 

O baterista dos Melvins apresenta um conjunto de 20 temas - muitos dos quais apenas esboços sonoros com menos de 60 segundos - em que a faceta heavy se deixa contagiar por uma sensibilidade pop - e também por pura extravagância. Honestamente, tão depressa parece genial como absurdo. Mas - ei - ainda estamos na silly season, não é verdade?



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Terça-feira, 15 de Agosto de 2017
Música recente (122)

 

Joywave, álbum Content.

 

Ao segundo álbum, os nova-iorquinos continuam a fazer pop/rock à base de sintetizadores, mas reforçam a componente ambiental, mantendo quase sempre uma contenção admirável. E depois há a ironia do vídeo abaixo.

 

 



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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017
Música recente (121)

 

Randy Newman, álbum Dark Matter.

 

Aos setenta e três anos de idade, quarenta e nove após lançar o primeiro álbum, Newman - ultimamente mais dedicado a bandas sonoras para a Pixar e similares - relata encontros póstumos entre Sonny Boy Williamson e Aleck Miller (AKA Sonny Boy Williamson II), organiza debates entre ciência e fé, imagina os Kennedy a planear a invasão da Baía dos Porcos, pondera a razão por que foi escolhido pela mais bela mulher que alguma vez encontrou e delicia-se a satirizar Vladimir Putin.
 

 



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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017
Música recente (120)

 

Nine Inch Nails, EPs Not The Actual Events e Add Violence.

 

Há temas dos Nine Inch Nails que me são perigosos. Mr. Self Destruct, abertura do seminal The Downward Spiral, invade as convoluções do meu cérebro como uma droga extraída do pólen de uma planta carnívora. Sob a sua influência, receio mutilar-me com todo o prazer ou - alerta aos guardiães do politicamente correcto - começar a destruir propriedade pública. The Perfect Drug, da banda sonora de The Lost Highway, levou-me a fazer algo que raramente faço: comprar uma banda sonora (há por lá outras coisas boas). Aos longos dos anos, a raiva depressiva de Trent Reznor apresentou flutuações. Nestes dois EPs (um lançado há meses, o outro há um par de semanas), surge razoavelmente intensa - e variada: os dez temas (cinco por EP) incluem momentos de tensão reprimida e momentos de catarse. No que me diz respeito, é capaz de ser boa ideia ir ao YouTube assistir a vídeos de gatinhos.
 



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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
Música recente (119)

 

Manchester Orchestra, álbum A Black Mile to the Surface.

 

Num registo mais intimista do que em trabalhos passados (ainda que por vezes as guitarras subam de tom), cheio de temas complexos e bem escritos (ainda que por vezes não inteiramente originais), A Black Mile to the Surface prova que os Manchester Orchestra, nascidos há 13 anos, mereciam uma audiência maior.

 



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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017
Música recente (118)

 

Arcade Fire, álbum Everything Now.

 

Ora bem. Humm... Há excelentes momentos em Everything Now. A sério. Momentos, no plural. Ainda assim... Em 2005, por alturas de Funeral, os Arcade Fire misturavam sons de forma simultaneamente exuberante e melancólica, mantendo, por entre referências ao passado, vontade de experimentar coisas novas. Já se notava pose, mas ficava submersa no caleidoscópio que a música - e a presença em palco - assegurava. Em 2017, as coisas estão um tudo-nadinha diferentes. A pose aumentou e a sonoridade fechou-se. Aqui e ali, Everything Now parece uma colaboração - bem feitinha e empenhada, sem dúvida - entre os Abba e os Bee Gees, destinada a concorrer ao Festival da Eurovisão (na versão pop-disco dos anos 70, não na versão indie-emo-nerd que tanta alegria deu aos portugueses em 2017). Se não acreditam, verifiquem o tema que dá título ao álbum (nem arranjei coragem para inserir aqui o vídeo). Ora os Abba e os Bee Gees, excelentes como eram a debitar melodias orelhudas, não estão no Top 10 das minhas bandas favoritas. Nem no Top 20. Nem no Top 100. Pelo que... Mas Everything Now tem coisas boas. Mesmo. Só não é - como Will e Régine pareciam pretender - uma crítica aos tempos actuais, de emoções formatadas e reacções instantâneas. Nem sequer uma crítica irónica. Na sua (involuntária) superficialidade, acaba a parecer celebrá-los.

 



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Sexta-feira, 28 de Julho de 2017
Música recente (117)

 

Japanese Breakfast, álbum Soft Sounds from Another Planet.

 

Em 2013, Michelle Zauner, vocalista da banda Little Big League, regressou a casa, no Oregon, para tratar da mãe, doente com cancro. O projecto Japanese Breakfast nasceu dos temas então compostos, mas Psychopomp, o primeiro álbum, foi apenas lançado em 2016, já após a morte da mãe. O álbum tinha uma sonoridade lo-fi e misturava ritmos e emoções, fugindo - assumidamente - a sentimentalismos excessivos. Soft Sounds from Another Planet é a evolução lógica: menos lo-fi, mais trabalho de estúdio; menos ligações a um acontecimento específico, mais projecto em fase de amadurecimento.


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Terça-feira, 25 de Julho de 2017
Música recente (116)

 

Terry, álbum Remember Terry.

 

O segundo álbum do quarteto australiano apresenta mais uma mistura de pop, indie e psicadelismo, em modo low-fi. São canções que poderiam ser cantadas à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum - se à volta de uma fogueira no meio de lugar nenhum fosse fácil arranjar electricidade.

 

(Não, não percebo o vídeo. Juro que, pelo menos da minha parte, não é publicidade encapotada.)



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Sexta-feira, 21 de Julho de 2017
Música recente (115)

 

Haim, álbum Something to Tell You.

 

Há inteligência e bom gosto na música das Haim, mas confesso um problema com a maioria dos temas: gosto imenso deles durante o primeiro minuto, um pouco menos no decorrer do segundo, tenho fortes dúvidas no terceiro e já não os suporto ao quarto. A tendência das manas para repetirem refrões ad nauseum, em ritmo e/ou oitava ligeiramente diferente, terá algo a ver com o assunto. Ou então o defeito é meu.



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Terça-feira, 18 de Julho de 2017
Música recente (114)

 

Waxahatchee, álbum Out in the Storm.

 

A norte-americana Katie Crutchfield (Waxahatchee é o nome de um rio de 35 km no Alabama) puxa a indie para o lado do rock e assina o seu trabalho mais expansivo.



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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017
Música recente (113)

 

Broken Social Scene, álbum Hug of Thunder.

 

Há meia dúzia de anos, na Sala 2 da Casa da Música, rodeado por cerca de uma dezena de companheiros, entre os quais uma Lisa Lobsinger loura, descalça, ligeiramente imaterial (o meu cérebro já não é o que era, mas há visões indeléveis), Kevin Drew, vocalista principal e centro de gravidade dos Broken Social Scene, descobriu que as calças o apertavam. Sem hesitar, despiu-as e fez grande parte do concerto em boxers (cinzentos). Como outras bandas canadianas que enchem o palco de gente e de som - The New Pornographers, Arcade Fire dos primeiros tempos -, os Broken Social Scene são uma demonstração de harmonia nascida das diferenças - ou mesmo do caos aparente: há instantes em que a unidade da música parece ir desintegrar-se, mas tal nunca sucede. No álbum que lançaram há exactamente uma semana - o primeiro após a digressão que passou pela Casa da Música -, colaboraram 15 elementos, entre os quais Leslie Feist (yay). Hug of Thunder terá menos instantes de caos controlado do que outros trabalhos, mas, na luta contra o desânimo que sempre constituiu a coluna dorsal da sonoridade dos BSS, trata-se de um marco fundamental. Aos lamentos e protestos (em Protest Song, admite-se que We're just the latest in the longest rank and file that's ever to exist in the history of the protest song), sobrepõe-se a noção de que é necessário redireccionar os interesses das pessoas e reforçar o conceito de comunidade. Sem deprimir ou moralizar, antes incentivando e dando esperança: os maus tempos hão-de passar.

 

(Adenda: o tema que dá título ao álbum - vídeo abaixo - é desde já uma das minhas canções do ano.)

 



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Terça-feira, 11 de Julho de 2017
Música recente (112)

 

Os Quatro e Meia, álbum Pontos nos Is.

 

Houve, lá para os lados da minha casa colectiva, quem os tivesse descoberto há perto de um ano; contudo, apenas no final do mês passado ficou disponível o primeiro álbum d'Os Quatro e Meia (o nome advém da circunstância, bastante digna de registo, de um elemento da formação original ser significativamente mais baixo do que os outros quatro). Este tema parece-me muito adequado ao Verão, mas receio que o vídeo cause problemas ao tal meu colega de blogue (perdoa-lhes, Diogo: eles descobriram os óculos de sol e as miúdas com peito avantajado.)


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Sexta-feira, 7 de Julho de 2017
Música recente (111)

 

Gragoatá, álbum Gragoatá.

 

Um primeiro álbum, simples e inteligente, de um trio de cariocas onde se destaca mais uma voz feminina límpida (será da pronúncia brasileira?). 



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Terça-feira, 4 de Julho de 2017
Música recente (110)

 

Cigarettes After Sex, álbum Cigarettes After Sex.

 

A sonoridade adequar-se-á mais às noites de Inverno, e ouvir os dez temas de seguida pode revelar-se uma experiência repetitiva, mas existe muito que apreciar no primeiro álbum da banda de Greg Gonzalez, nascida em El Paso em 2008 e tornada conhecida através da Internet. Para os não fumadores (como eu), a languidez da música e imagens como kisses on the foreheads of the lovers wrapped in your arms são mais do que suficientes para apreender o espírito da coisa.



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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017
Música recente (109)

 

Marika Hackman, álbum I'm Not Your Man.

 

Ao segundo álbum, Hackman mostra-se mais aberta e confiante. As letras contêm ironia, por vezes feroz, e a sonoridade aproxima-se do grunge, fazendo-me pensar num cruzamento entre as L7 e os Radiohead por alturas de My Iron Lung.



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Terça-feira, 27 de Junho de 2017
Música recente (108)

 

Algiers, álbum The Underside of Power.

 

As fronteiras da distopia, em época de extremismos e paranóia.



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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017
Música recente (107)

 

Fleet Foxes, álbum Crack-Up.

 

Gostei bastante do primeiro álbum (Fleet Foxes, de 2009), gostei menos do segundo (Helpleness Blues, de 2011). Crack-Up vale a pena, mas permitiu-me confirmar a existência de um factor que receio ser inultrapassável: a voz de Robin Pecknold irrita-me à brava.



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Terça-feira, 20 de Junho de 2017
Música recente (106)

 

Lorde, álbum Melodrama.

 

Uma surpresa aos dezassete anos de idade, uma confirmação aos vinte. Na música como noutras artes, há imensa gente tentando descrever as ansiedades, as raivas e as desilusões experimentadas no final da adolescência e na transição para a idade adulta. Lorde está entre as pessoas que melhor o conseguem fazer. Melodrama é um álbum mais maduro do que Pure Heroine. Isto torna-o menos surpreendente, mas também mais completo. Ao longo dos 11 temas, passa-se da descoberta à reclusão, da alegria à tristeza, da irreverência à decepção, sem quaisquer indícios do histrionismo que o título poderia deixar antever.



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Sexta-feira, 16 de Junho de 2017
Música recente (105)

 

Big Thief, álbum Capacity.

 

Há mais catarse neste segundo álbum, mas a capacidade para contar histórias mantém-se.



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Terça-feira, 13 de Junho de 2017
Música recente (104)

 

London Grammar, álbum Truth is a Beautiful Thing.

 

Quiçá um tudo-nada excessivamente depressivo, o segundo álbum dos londrinos não deixa de confirmar a envolvência da sua música e o poder da voz de Hannah Reid. 



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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017
Música recente (103)

 

R. Stevie Moore / Alan Falkner, álbum Make It Be.

 

Não obstante um par de temas menos bem conseguidos, a combinação entre a power pop de Falkner e as tendências para a anarquia sonora (bem como para letras bizarras) de Moore funciona bastante bem, num registo a que talvez se possa chamar irónico-rezingão.



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Terça-feira, 6 de Junho de 2017
Música recente (102)

 

Pumarosa, álbum The Witch

 

Passando sobre algumas letras em registo new age, trata-se de um primeiro álbum surpreendentemente maduro. Detalhe revelador: vários temas prolongam-se para além dos seis minutos, uma raridade em época de atenção fragmentada, um risco que poucas bandas novas se atreveriam a correr. Os resultados são excelentes, como se pode constatar no vídeo abaixo, de um tema avançado pela primeira vez em 2015 (que o álbum tenha demorado tanto tempo a chegar só pode constituir um sinal de perfeccionismo).

 

 



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Sexta-feira, 2 de Junho de 2017
Música recente (101)

 

Jane Weaver, álbum Modern Kosmology.

 

Psicadelismo destilado em melodias pop, contornando habilmente possíveis acusações de revivalismo (22 anos de carreira atrás de Weaver ajudam neste ponto).



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Terça-feira, 30 de Maio de 2017
Música recente (100)

 

Joan Shelley, álbum Joan Shelley.

 

Um trabalho de Folk contemplativa, no qual os temas são deixados respirar e nenhuma nota - como nenhuma palavra - parece estar a mais.



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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
Música recente (99)

 

The Mountain Goats, álbum Goths.

 

Os Mountain Goats são basicamente John Darnielle, que, desde 1994, já lançou 16 álbuns. Vários abordam recordações da juventude, mais ou menos ficcionadas. Goths contém uma série de histórias sobre inadaptados tentando encontrar um lugar no panorama gótico das décadas de 1980 e 1990. O décimo primeiro tema intitula-se For The Portuguese Goth Metal Bands. Mesmo prestando atenção à letra, ainda não entendi bem porquê.


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Terça-feira, 23 de Maio de 2017
Música recente (98)

 

Vagabon, álbum Infinite Worlds.

 

O primeiro álbum de Vagabon (Laetitia Tamko, 24 anos, Brooklyn) é uma pequena pérola de indy rock saltitando entre a fragilidade e a aspereza.



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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017
Música recente (97)

 

Slowdive, álbum Slowdive.

 

Os ingleses Slowdive surgiram em 1989 e lançaram o primeiro álbum em 1991. Por esta altura haviam sido enquadrados no movimento shoegaze, já a passar de moda. Os três álbuns lançados até 1995 tiveram vendas modestas e foram recebidos com frieza pela crítica. A banda entrou em hibernação. Reanimada em 2014 (um dos primeiros concertos ocorreu no Festival Primavera Sounds, do Porto), lançou um novo álbum há um par de semanas. É constituído por oito temas dominados pelo registo langoroso, de suspensão ou queda lenta (poucas bandas terão um nome mais adequado), que caracteriza o estilo, mas apresenta um nível de bom gosto inegável e toques inesperados (inflexões na música e/ou na voz) que afastam quaisquer ameaças de monotonia.



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Terça-feira, 16 de Maio de 2017
Música recente (96)

 

Sylvan Esso, álbum What Now.

 

Os Sylvan Esso foram uma das melhores descobertas que fiz em 2014. Ao segundo álbum, Amelia Meath e Nick Sanborn mantêm a peculiaridade dos ritmos e reforçam a dose de ironia - como se pode constatar nos temas destes dois vídeos: a protagonista de Die Young vê o amor estragar-lhe os planos de morrer jovem, talvez num incêndio ou despenhando-se por uma ravina, e de levar as pessoas a chorar: "Que tragédia, tão cedo"; Radio, por seu turno, é uma crítica feroz ao mundo das pop stars que debitam temas radio-friendly com três minutos e meio de duração, embrulhada em exactamente três minutos e trinta e dois segundos de pop gloriosa.

 



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Sexta-feira, 12 de Maio de 2017
Música recente (95)

 

Thurston Moore, álbum Rock N Roll Consciousness.

 

Cinco temas, o mais curto com seis minutos (no vídeo, surge amputado), o mais longo com quase doze, dos quais sete e tal puramente instrumentais. Por vezes faz pensar nas barragens de som que os Sonic Youth (de que Moore fazia parte) emitiam nos concertos ao vivo, outras vezes remete para um registo mais zen (ou talvez hippie).



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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
Música recente (94)

 

Juliana Hatfield, álbum Pussycat.

 

Politicamente, Donald Trump é um oportunista. Acima de tudo, quer «ganhar», pouco lhe importando como o faz ou com que políticas o faz. Duas facetas, porém, mantêm-se nele constantes: o narcisismo e o machismo. Juliana Hatfield está particularmente interessada nestes aspectos. Em Outubro passado, na sequência da divulgação do vídeo do autocarro, no qual Trump se gabava de, sendo uma celebridade, poder agarrar as mulheres «by the pussy», escreveu um artigo acerca do tema. Agora faz dele o âmago de Pussycat. Há golpes fáceis, ainda que compreensíveis (Short-Fingered Man), há referências a personagens secundárias (Kellyanne), há ironia feroz (Sex Machine, Rhinoceros), há derivações que alargam o âmbito muito para além de Trump (Touch You Again), mas, acima de tudo, há nojo e franqueza, num trabalho simples e directo, gravado em duas semanas, em que Juliana apenas não tocou bateria. A existir uma falha, poderá encontrar-se na doçura e no optimismo que, apesar de tudo, perpassam várias melodias (e.g., Sunny Somewhere) e, quase sempre, a voz. Mas um registo constantemente áspero e zangado (assumindo que a voz de Hatfield o conseguiria atingir) teria provavelmente tornado o álbum demasiado óbvio e unidimensional. Mesmo na crítica, convém preservar um grau de subtileza superior ao do objecto criticado.

 

(Nota: A versão do álbum não é acústica.)

 

__________

 

Dois excertos do artigo que Juliana escreveu em Outubro, para quem não estiver disposto a seguir o link acima:

 

But it’s not funny anymore. Since the Trump “pussy grab” tapes were released, I’ve found myself wanting to reach for my emergency supply of valium, which I keep mainly for plane travel to ease my visceral fear of flying. These viscera of mine are currently in a state of constant high anxiety. It’s the Trump effect: the sight of his face and/or the sound of his voice tightens the stomach, the heart, the sphincter. Everything’s clenched. Even — maybe especially — the “pussy.”

 

The venom-spewing from and around Trump is a black cloud hovering over this country. Trump has re-opened the emotional wounds of millions of people. It’s his special talent, apart from self-propagandizing and con-artistry. He stirs up bitterness, hatred, anger; he brings out the worst in people. He does it to people on both sides — all sides. There’s bile all around.

 

(...)

 

This is Trump’s frightening, dangerous power — he reminds us of the worst of human nature: the sexism and misogyny, the racism and bigotry, the blood lust, violence, vengefulness and cruelty. It’s sickening to observe the glee with which some people are letting it all out, spurred on and inflamed by Trump, like they’ve been waiting all their lives for this — for their opportunity to finally unleash their snarling dogs on everyone and everything they hate with a spitting, drooling, vomitous passion.



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