como sobreviver submerso.

Domingo, 29 de Janeiro de 2017
Das fomas e cores: 36 a 38

Federer.jpg

 

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Jamor, 2008.

 

Para celebrar o décimo oitavo título do Grande Slam de Roger Federer, conseguido hoje, aos trinta e cinco anos, no Open da Austrália, numa final em 5 partidas contra Rafael Nadal, depois de ambos terem estado fora do circuito, lesionados. Os courts e as bolas em Melbourne estavam este ano um pouco mais rápidos, providenciando condições de jogo parecidas com as que eram frequentes até há dez-quinze anos. O resultado foi o renascimento dos jogadores de ataque. No quadro feminino, Venus Williams, de 36 anos, chegou a uma final de um torneio do Grande Slam pela primeira vez desde 2009 (perdeu para a irmã, Serena, um ano mais nova).


publicado por José António Abreu às 19:07
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Sábado, 4 de Julho de 2015
Pode estar mais velho mas ainda tem um certo jeito

Roger Federer vs. Sam Querrey, esta semana, na segunda ronda de Wimbledon.



publicado por José António Abreu às 10:51
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Domingo, 8 de Julho de 2012
Força de vontade e uns quantos recordes
Décima sétima vitória em torneios do Grand Slam (recorde masculino absoluto; Pete Sampras, o segundo na lista, venceu catorze). Sétima vitória em Wimbledon (recorde de Pete Sampras e de William Renshaw* igualado). Recuperação do primeiro lugar no ranking ATP e garantia de igualar o recorde de número de semanas nesse posto (faltava-lhe apenas uma para atingir as 286 de Sampras), devendo mesmo ultrapassá-lo (não se prevê que venha a ser destronado pelo menos até aos Jogos Olímpicos). Trinta anos de idade (trinta e um dentro de um mês), mais cinco que os principais adversários. Casado, pai de duas gémeas de três anos. Nos últimos dois anos e meio, um período em que não conseguiu vencer qualquer Grand Slam (então escrevi isto e continua a aplicar-se) muitos deram-no como acabado. Not quite. É que nem pouco mais ou menos.

 

* Mas as vitórias de Renshaw foram na década de oitenta do século dezanove, altura em que o vencedor de um ano tinha entrada automática para a final do ano seguinte; só em 1922 todos os participantes começaram a ter de passar pelo quadro geral.

 

Adenda (Segunda-Feira, dia 9, 8:45h)

1. Ontem fazia tenções de o referir e depois esqueci-me: este foi o torneio dos atletas com trinta anos, uma vez que Serena Williams, também com essa idade, venceu no quadro feminino.

2. É um excelente momento para ler (ou reler) o artigo que, em 2006, David Foster Wallace escreveu sobre Federer (e o ténis em geral).

(Foto retirada daqui.)


publicado por José António Abreu às 19:28
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
MIB/RF
Tendo ficado evidente no domingo passado, em Madrid, que os homens de negro o mantêm sob vigilância, alguém ainda acredita que o Federer não é um extraterrestre?

 

(Foto roubada aqui.)


publicado por José António Abreu às 23:22
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
Carta aberta a Roger Federer

 

Caro Roger,

 

Sei que és um tipo inteligente, capaz de pensar pela própria cabeça. Sei que estás farto de receber conselhos de fãs, todos super hiper mega convencidos de terem a solução que te permitirá voltar a dominar o circuito mundial de ténis. Sei que provavelmente tudo o que vou escrever já te foi dito por várias pessoas ao longo dos anos, talvez até por alguns dos teus treinadores (e daí pode ser que não, porque as pessoas que estão próximas de nós e têm interesses em jogo nem sempre nos dizem toda a verdade). Seja como for, não resisto, até por saber que não falas português e que raramente alguém acede a este blogue a partir de um computador na Suiça.

 

Comecemos por um facto que podes achar desagradável mas que para muita gente, eu incluído, não o seria assim tanto: tens quase trinta anos. Fisicamente, pareces bem: continuas ágil, veloz, resistente. Mas tens quase trinta anos, mais meia dúzia do que o Rafa ou do que o Nole. É por isso natural que estejas a chegar às bolas difíceis umas centésimas de segundo mais tarde do que era costume. Muitas vezes, tu nem te apercebes. Nós, no court e na televisão, também não. Mas se calhar estás mesmo. E repara que, enquanto há quatro ou cinco anos te encontravas no pico da forma, o Rafa e o Nole ainda estavam a melhorar. O Juan Martin, então, devia andar de calções a brincar nas ruas de Tandil, na Argentina. Eles tornaram-se fisicamente mais fortes; tu, quando muito, mantiveste a forma. Quando te vejo dar madeiradas, disparar a bola contra o topo da rede ou fazê-la cair uns centímetros do lado errado das linhas, não consigo deixar de pensar que as tuas intenções continuam boas mas o teu corpo está um tudo-nada atrasado.

 

Sejamos honestos: há pouco que possas fazer quanto a isto. Nem todo o teu dinheiro te vai permitir rejuvenescer. Mas há pelo menos uma coisa que podias tentar: Roger, pá, muda de raquete. Eu sei que gostas da tua Wilson Six.One Tour – é a tua imagem de marca, um modelo clássico, com a sua frame estreita e angulosa e a sua cabeça de noventa polegadas quadradas, que evoca campeões de outras eras e que é, sem dúvida, uma excelente raquete. Mas o Rafa usa uma raquete de cem polegadas quadradas. O Nole usa uma raquete de noventa e cinco polegadas quadradas. O Juan Martin usa uma raquete de noventa e seis polegadas quadradas. Toda a gente usa raquetes maiores do que a tua. Eu sei, eu sei, não é do tamanho, é da forma como se usa. Tu dizes que estás habituado. Que tens mais controlo assim. Talvez seja verdade mas isso de pouco te vale se chegas atrasado (bastam fracções de segundo, Roger) e não consegues acertar na bola com o centro da encordoação. Antes de qualquer outro factor, o controlo parte desta premissa básica, Roger: é preciso acertar bem na bola. Repara como o número dos teus erros parece ter vindo a aumentar nos últimos anos (não, não tenho estatísticas mas podes sempre colocar alguém munido de esferográfica e bloco-notas a rever gravações de encontros durante uns dias e logo tiras as dúvidas). Falhas por pouco, por muito pouco – mas falhas. Uma raquete maior – uma Wilson Six.One 95, não precisas de mudar de marca, como é óbvio – talvez te permitisse manter mais bolas em jogo. Fazer mais winners. Ganhar confiança.

 

E isto traz-nos ao assunto mais delicado. Confiança. Tu dizes que não tens problemas psicológicos em enfrentar o Rafa. Está bem, Roger. Mas deixa-me contar-te o que vi há menos de duas semanas, na meia-final do torneio de Miami. Entraste cheio de garra e ele também. As primeiras trocas de bola deixaram-me a sorrir. Vamos ter fogo-de-artifício, pensei. Mas depois falhaste um par de vezes e a partir daí ele fez o que quis de ti. Tu sabias o que tinhas de fazer, tentaste fazê-lo – mas nada te saiu bem. Roger: quando defrontas o Rafa, ou as coisas te saem bem desde o início ou és assaltado por dúvidas. É verdade que com outros adversários também gostas de entrar a fundo, deixando imediatamente clara a tua superioridade. Mas com os outros, mesmo quando as coisas começam por te correr mal, consegues quase sempre dar a volta à situação. Com o Rafa, não. Porque, lá no fundo, sentes que não és melhor do que ele (mas és, Roger). E então perdes a concentração. Entras em parafuso. (É uma expressão portuguesa; pergunta aí a um dos teus empregados domésticos o que significa*). E ele sabe-o. Massacra-te a esquerda com aquele top spin absurdo, empurra-te para trás e faz-te falhar porque a certa altura tu percebes que tens de atacar ou perdes o ponto mas não estás em posição de disparar um winner, ainda por cima quando do outro lado está um filho da mãe tão rápido quanto o Nadal. Eu não sou psicólogo, Roger, e até desconfio deles, pelo que não me vou pôr a dar-te conselhos sobre o que deves ou não fazer para ultrapassares este problemita (na minha simplicidade, eu tiraria para aí três meses de férias num paraíso qualquer). Mas talvez também aqui uma raquete com uma cabeça maior pudesse ajudar. Permitir-te-ia reduzir as chances de, quando forçado a atacar em posição difícil, dares uma madeirada ou colocares a bola do lado errado das linhas apenas o suficiente para me fazeres entrar em parafuso a mim.

   

E é só isto, Roger. Por favor, acredita nas minhas intenções. Acredita no que te diz alguém que quer continuar a ver-te nos courts e a ganhar torneios ainda durante vários anos e que, embora possas pensar o contrário, sabe do que fala. É verdade que nunca joguei muito e que já não jogo há anos. Mas com uma raquete de 85, 90, 95, 100 ou 110 polegadas quadradas, Roger, poucas pessoas eram tão boas a dar madeiradas como eu.

 

Um abraço do teu fã,

jaa

 

P.S.: Tirei a foto lá de cima no Estoril Open de 2008, Roger. Eu era o tipo com o boné verde três lugares ao lado da exuberante senhora suiça.

 

 


* Ah, espera, esta semana estás em Monte Carlo, não é? Pergunta ao teu valet de chambre no hotel. Se ele não souber, há-de arranjar alguém que lhe explique.



publicado por José António Abreu às 13:03
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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
Federer chorando a rir encostado a Nadal «sudando como una bestia» (ou como seria fixe estar na Suiça por alturas do Natal)
O anúncio é para promover uma boa causa e resulta muito melhor com o ataque de hilariedade. Mas mais importante é constatar como, talvez pela primeira vez na história do ténis (e não será muito mais frequente noutros desportos), os dois maiores jogadores de uma era, rivais absolutos no court, se respeitam e mantêm uma excelente relação fora dele.


publicado por José António Abreu às 17:01
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Domingo, 9 de Maio de 2010
Como fazer render 50 Euros

Compre um bilhete para o penúltimo dia do Estoril Open, esperando ver as duas meias finais masculinas e a final feminina. Chegue ao Jamor pouco depois do meio dia sob chuva persistente. Constate que nenhum encontro se iniciou e aguarde um par de horas. Não havendo alterações nas condições climatéricas, vá deixar a mala no hotel onde pernoitará e, cerca das quatro das tarde, sempre debaixo de chuva, opte por almoçar. Às cinco e qualquer coisa aperceba-se de que a chuva parou e encaminhe-se novamente para o Jamor. Fique bloqueado no trânsito da Segunda Circular, junto ao Estádio de... da... junto ao Colombo. Fuja logo que possa e siga em direcção a Alcântara. Chegue ao Jamor por volta das seis e corra até ao Court Central. Constate que Federer perdeu o primeiro set e encontra-se já a meio do segundo. Veja-o perder em cerca de meia hora. Junte-se à multidão que sai do Central em direcção ao Centralito, onde Frederico Gil disputa a outra meia final. Renda-se à evidência de que nem o irmão mais magro da Kate Moss, nu e untado em manteiga da cabeça aos pés, conseguiria entrar no court. Aperceba-se de que a final feminina também está a decorrer, num Court 1 com meia dúzia de gatos pingados (não literalmente, porque, relembre-se, parou de chover) a assistir. Sente-se e aprecie dois minutos de ténis, que é mais ou menos o tempo que demoram os cinco pontos que compõem o último jogo do encontro. Bata palmas à vencedora e à vencida e, verificando que continua a ser impossível entrar no Centralito, vá-se embora outra vez, dando o dia tenístico por concluído. Reze para que no Domingo (se também tiver bilhete para esse dia) consiga melhor rendimento dos 60 euros que lhe custou o ingresso.

 

(De momento não chove, mas...)

(Go, Gil.) 



publicado por José António Abreu às 10:24
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Domingo, 31 de Janeiro de 2010
Perfeição
Tive um professor de matemática que desenhava no quadro circunferências perfeitas sem auxílio do compasso. É bom que um professor consiga fazer algo de que os alunos são incapazes. Obriga-os, mesmo contrariados, a admirá-lo um pouco (saber mais do que eles não tem o mesmo efeito). Quanto às circunferências, sei que eram perfeitas porque um dia duvidei que o fossem em voz alta (creio já ter admitido dificuldades em deixar de dizer o que penso). Ele pegou no giz e, num movimento fulminante, desenhou uma no quadro. A seguir obrigou-me a ir buscar o compasso e a verificar, perante uma turma de miúdos expectantes e desejosos de poder gozar alguém (mas preferindo que esse alguém fosse eu, porque o poderiam fazer imediata e abertamente), a perfeição do seu trabalho. O giz na ponta do compasso limitou-se a seguir cobardemente o traço branco que já se encontrava no quadro. A filha da mãe da circunferência era mesmo perfeita. Os meus colegas riram-se (o professor também), mandaram bocas (o professor não, mas mostrou grande complacência para com a algazarra instalada) e gozaram comigo durante todo o resto do dia.
 
Usei várias vezes «perfeita» e «perfeição» ao longo do texto porque ainda é naquela circunferência – e em Aston Martins e em algumas mulheres – que penso quando imagino a perfeição. E mantenho até hoje sentimentos contraditórios em relação a pessoas que fazem coisas difíceis sem esforço aparente: admiro-as por o conseguirem mas apetece-me dar-lhes um pontapé no traseiro e ordenar-lhes que se limitem a ser humanas.
 
(A foto é do Estoril Open de 2008.)


publicado por José António Abreu às 16:05
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Quando a realidade se mete no caminho de um bom post

 

Ele fez de propósito para me lixar. Não tenho dúvidas a esse respeito. Lá de Flushing Meadows, em Nova Iorque, Federer decidiu trocar as voltas ao fã nº 47011814 (ainda não tenho o cartão definitivo mas fiz um provisório no Powerpoint, com a fotografia dele em fundo, a minha no canto superior direito e o símbolo RF no superior esquerdo, que, depois disto, vou rasgar em pedacinhos com menos de dois milímetros de lado).
 
Sentei-me para ver a final masculina do Open dos Estados Unidos com o post todo alinhavadinho na cabeça. Iria começar por mencionar a fantástica vitória de Kim Clijsters no quadro feminino, um ano e tal depois de ter sido mãe, no que tem sido um regresso à competição absolutamente fenomenal. Depois referiria a vitória de Federer e o facto de ele ter sido pai há um mês e meio. Pegaria na coincidência para ponderar se, por efeitos biológicos (que seriam sempre mais relevantes no caso dela, claro, a menos que assistir ao parto tenha consequências fisiológicas duradouras), psicológicos (o sorriso de uma criança, etc.), ou apenas porque mudar fraldas e passar noites em claro podem constituir afinal excelentes exercícios para melhorar a coordenação motora e a endurance, respectivamente, os desportistas não deveriam pensar muito seriamente em começar a fazer filhos em vez de andarem por aí a desperdiçar sémen em quartos de hotel. Chamaria ainda a atenção dos desportistas portugueses para o facto de que gerar crianças ajuda no combate ao envelhecimento da população nacional e, em breve (cruzes, canhoto), poderá dar direito a um subsídio estatal de duzentos euros que lhes permitiria comprar uma raquete ou um par de chuteiras ao rebento quando ele fizesse dezoito anos.
 
Estava tudo tão bem delineado na minha cabeça. O filho da mãe percebeu e resolveu lixar-me. Só assim se compreende que quase tenha deixado de jogar depois de ser sublime durante um set e meio (fez questão de me mostrar que era capaz de ganhar, só para que doesse mais) e que tenha perdido dois tie breaks no mesmo encontro (ele, que possui um serviço fenomenal). O único ponto positivo é que, tendo o encontro sido nos Estados Unidos, talvez eu tenha hipóteses de, processando-o, ganhar uns milhões de dólares. Alguém sabe o número de telefone da Crane, Poole and Schmidt?
 
(Fotografia de Federer tirada no Estoril Open de 2008; fotografia de Kim Clijsters tirada nos WTA Championships de 2006.)


publicado por José António Abreu às 08:34
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Domingo, 28 de Junho de 2009
Joelhos de Rafael Nadal dez anos mais velhos que ele?

Muita gente o disse e escreveu. Um estilo de jogo como o de Rafael Nadal provoca elevado desgaste físico. O corpo humano - mesmo um corpo tão bem preparado como o de Nadal - tem limites. Há um par de anos começaram a surgir notícias de problemas nos joelhos. Neste preciso momento, Nadal não está em Wimbledon tentando defender o título conquistado no ano passado numa das melhores finais da história do ténis por causa deles. O i avança agora que ele pode ter que deixar de jogar dentro de pouco tempo. Os seus joelhos apresentarão o desgaste dos de um tenista de 33 anos (fez 23 no início deste mês). Para um fã de ténis (mesmo um que, como eu, aprecie o estilo leve e elegante de Federer acima do de todos os outros jogadores), a notícia é triste. A rivalidade entre Federer e Nadal foi o sal do ténis nos últimos quatro anos. Ainda por cima, os dois respeitam-se de uma forma rara no desporto. No ano passado, depois de bater Federer na final de Roland Garros pelo terceiro ano consecutivo, para mais com um resultado humilhante para o suiço, Nadal pediu-lhe desculpa no discurso final. Depois de perder a final do Open da Austrália deste ano, Federer interrompeu o discurso em lágrimas. Mas pegou de novo no microfone antes de Nadal falar porque "this guy deserves to have the last word". Num fim-de-semana em que, por cá, ocorreram agressões entre espectadores de uma final de um campeonato júnior de futebol, é significativo que quase todos os fãs de um dos dois maiores tenistas da actualidade apreciam e respeitam o outro. E é também por isso que espero que a realidade não seja tão grave quanto a notícia do i deixa antever. Independentemente das maiores dificuldades que a presença de Nadal possa trazer a Federer, eu quero-o nos torneios. Quero continuar a agonizar entre os desejos contraditórios de que ele perca antes de defrontar Federer e de ter mais uma final entre ambos.



publicado por José António Abreu às 23:57
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Domingo, 7 de Junho de 2009
Federer

No futebol é mais fácil. É, aliás, fácil demais. O frenesi mediático e a histeria dos adeptos garante a muitos futebolistas a condição de heróis muito antes de terem conseguido algo de verdadeiramente excepcional. Noutros desportos, com escrutínio menos público mas mais exigente, as coisas são diferentes. É também mais difícil para um desportista que não jogue futebol transcender o universo dos que apreciam o desporto que pratica e tornar-se um ícone global. Roger Federer conseguiu-o há anos. Mas, para muitos apreciadores de ténis, faltava-lhe vencer Roland Garros. Já não falta.
 
A forma como Federer jogou nesta quinzena foi fantástica, mesmo – ou especialmente – quando não jogou bem. Em nenhum momento isso terá sido tão evidente como na sexta-feira, na meia-final contra Juan Martin Del Potro. Del Potro (um futuro campeão) foi mais forte durante cerca de três sets. Ganhou o primeiro e o terceiro, perdeu o segundo no tie break. Ao longo destes três sets Federer pareceu quase subjugado, falhando muito e, mesmo quando não falhava, com um jogo inócuo para o argentino. Mas foi fazendo algo que se revelou crucial: obrigou Del Potro a correr. Fê-lo correr de um lado para o outro e, acima de tudo, fê-lo correr para a frente e para trás, com bolas longas, bolas curtas e drop shots. No quarto set Del Potro começou a ceder. Começou a ser mais lento, a colocar menos primeiros serviços, a falhar mais. E Federer venceu. Hoje, na final, não deu hipóteses a Robin Soderling, que actuara em estado de graça frente a Nadal, Ferrer ou Gonzalez. Tremeu um pouco no final do encontro mas dominou sempre. Em grande medida, isso sucedeu porque o estilo de jogo de Soderling “encaixa” melhor no seu que o de outros jogadores. E também porque os factores psicológicos que intervêm quando defronta Nadal – mesmo que Federer os negue – não tinham razão de ser. Mas não foi apenas isso. Numa prova de inteligência, Federer ajustou alguns pormenores do seu jogo. Passou a usar mais o drop shot (já o fizera há três semanas em Madrid, onde venceu Nadal na final). Procurou os seus próprios pontos fortes e não se deixar cair no estilo de jogo do adversário (ele que chegou a ser conhecido por gostar de derrotar os adversários jogando no estilo deles). E, acima de tudo, nos momentos em que as coisas não lhe corriam bem, foi inteligente – e suficientemente humilde – para aguentar estoicamente, cansar o adversário e desferir o ataque no momento certo (fê-lo contra Del Potro mas, dias antes, havia-o feito contra Tommy Haas). Todos os grandes desportistas têm que possuir boas capacidades técnicas. As lendas vão um pouco mais longe porque sabem que por vezes é aí que conseguem a diferença, em especial quando já não estão no máximo da forma física.
 

Teria sido interessante vê-lo defrontar Nadal. Creio que poderia ter ganho. Mas, nunca fiando (os tais factores psicológicos...), foi melhor assim. Porque esta vitória é uma coroação merecida e é também fundamental para garantir grandes espectáculos nos próximos tempos.

 

(Como de costume, a foto é do Estoril Open do ano passado.)



publicado por José António Abreu às 18:11
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Confiança e saltos altos.

 

 

Em semana de Estoril Open, um Federer diferente.



publicado por José António Abreu às 13:08
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