como sobreviver submerso.
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016
Diário semifictício de insignificâncias (14)

Parece que cá trabalha há anos mas só agora reparei nela. Como é possível?

Nem alta nem particularmente escultural, exsuda sexo. Tem uma pele que parece resultar do cruzamento entre um manequim de plástico (daqueles das montras) e uma mulher verdadeira. Uma pele que, à distância, parece tão lisa como uma bola de bilhar e reflectir a luz da mesma forma (vou resistir a introduzir aqui trocadilhos envolvendo tacadas). Usa calças justas e blusas finas que tombam a direito penduradas nas mamas (coisa estranha: o contorno do soutien surge de forma discreta através do tecido mas os mamilos parecem querer furá-lo). O cabelo é preto, a boca larga, as maçãs do rosto bem definidas. E depois há os olhos. De um castanho perfeitamente normal, são enormes e muito redondos.

Q. disse-me que ela emagreceu bastante nos últimos tempos. Estará aqui a explicação para não ter registado antes a sua existência. Ainda assim, a distracção envergonha-me. Interrogo-me como terá conseguido emagrecer e, mais importante, sair do processo de emagrecimento com uma pele tão lisa e com uma pose tão sexual. Não creio que uma banda gástrica tenha este efeito. Talvez um pacto com o diabo. Fausto com curvas. Um Dorian Gray feminino.

Mas os olhos, caramba. É como se estivesse constantemente a ver algo arrebatador. (Quão perturbante deve ser para os homens com quem trabalha; poucas coisas atraem mais um homem do que uma mulher bela, olhando-o fascinada). Ou então (imagino-lhe as ânsias, ao passar junto a montras de pastelarias) como se a fome lhos tivesse vindo paulatinamente a esbugalhar.



publicado por José António Abreu às 19:47
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1 comentário:
De CF a 12 de Outubro de 2016 às 10:51
"(Quão perturbante deve ser para os homens com quem trabalha; poucas coisas atraem mais um homem do que uma mulher bela, olhando-o fascinada)."
É. Os olhos arregalados dela devem ser de fascinação e arrebatamento pelos brilhantes colegas de trabalho... A mente masculina a mim também me deixa sempre de olhos esbugalhados.


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