como sobreviver submerso.

Quarta-feira, 13 de Julho de 2016
Optimistas
Católica prevê crescimento de 0,9% este ano.

 

(Optimistas em comparação com estes.)


publicado por José António Abreu às 18:48
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Os amigos dos especuladores
Uma das muitas ironias ligadas à acção da «geringonça» é como tem vindo a ajudar os «especuladores» dos mercados financeiros. Para estes, dívida pública de países pertencentes à União Europeia (ainda uma excelente caução, noutra ironia assinalável em tempos de ataque feroz às suas regras e instituições) com taxas de juro de 3% constitui um óptimo investimento quando muitas outras rondam o zero. É verdade que o investimento só é bom enquanto Portugal for pagando e sabemos que, por vontade do Bloco e do PCP, Portugal não pagaria - mas nesse caso também não obteria mais dinheiro, o que talvez gerasse efeitos desagradáveis (diz-se que a fé move montanhas mas poderá não imprimir euros). Continuemos pois a aplicar políticas que fazem subir as taxas de juro. Cedo ou tarde, a bolsa dos portugueses ressentir-se-á, mas os «especuladores» agradecem.


publicado por José António Abreu às 12:09
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016
Patriotismo cábula
Dizem por aí que o bom aluno era demasiado subserviente. Já o aluno cábula, esse, é um grande patriota. Com uma mentalidade destas, só temos aquilo que muito patrioticamente merecemos.

João Miguel Tavares, Público.



publicado por José António Abreu às 08:44
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016
A estratégia de aumento do consumo corre esplendidamente
Portugal regista maior quebra nas vendas a retalho na zona euro em Maio.


publicado por José António Abreu às 12:24
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Das eventuais sanções a Portugal
Considerando as estimulantes e mui coerentes políticas implementadas, a recusa maníaco-patriótica em - apesar de já nem Centeno acreditar nas próprias previsões - ouvir os alertas da Comissão Europeia, do Eurogrupo, do BCE, do FMI, da OCDE, do Conselho das Finanças Públicas, da UTAO e do Banco de Portugal (um tipo até fica sem fôlego...), e ainda as variadas e folclóricas encenações de ultraje prévio, que incluíram animosas resoluções parlamentares, é apenas justo reconhecer: com a inestimável ajuda de Catarina Martins, inventora de última hora da oh-tão-intimidante proposta de um referendo, o governo fez tudo o que podia para que elas sejam aplicadas.


publicado por José António Abreu às 09:39
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2016
Baratos e esforçados
Portugal é bom para fazer investimentos porque "os portugueses são os que mais horas trabalham na Europa", além de serem muito baratos quando comparados com os franceses, por exemplo, disse ontem o ministro das Finanças a uma plateia de gestores, em Lisboa.

 

O país viria abaixo se estas palavras tivessem sido proferidas por um ministro do governo PSD-CDS. Até mesmo Manuel Pinho, num governo socialista, levantou um coro de críticas ao publicitar - na China, lembram-se? - os baixos salários dos portugueses. Mas agora existe a geringonça. Está tudo bem.



publicado por José António Abreu às 17:44
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Terça-feira, 7 de Junho de 2016
Rábulas
O grupo parlamentar do PS já enviou para os restantes grupos parlamentares um projecto de voto contra as eventuais sanções da União Europeia a Portugal. Os socialistas esperam agora que as restantes bancadas apreciem o documento e proponham, ou não, alterações. O objectivo é chegar a um texto consensual que possa ser aprovado por todos os partidos.

Observador (com um par de consoantes da minha autoria).

 

Exceptuados os constrangimentos decorrentes da geringonça (foi bonito ver António Costa colocar na ordem os «patrões» do Porto de Lisboa assim que Catarina e Jerónimo lhe disseram para o fazer) e uma ou outra deriva convicta para a esquerda (o Ministro da Educação gosta de ser uma marioneta nas mãos de Mário Nogueira), o PS de 2016 é o PS de 2009 e 2010. Com espantoso descaramento, minimiza resultados negativos (no que respeita ao crescimento económico, hoje informaram-nos de que voltámos à nossa aconchegante mediocridade) e, ajudado por uma comunicação social mais acéfala do que uma amiba amnésica, gera «factos políticos» para tentar desviar as atenções, arranjar inimigos externos (velha táctica, velha táctica), clamar pequenas vitórias (se as sanções não vierem, a «posição de força» terá sido fundamental) e embaraçar a oposição.

E, como em 2010, não vale a pena dizer-lhes para se deixarem de rábulas e começarem a governar a sério. Pela simples razão de que, para além das rábulas, o PS apenas é competente numa coisa: a ocupação do poder.



publicado por José António Abreu às 19:00
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2016
Ponto de divergência

Blogue_DívPública_500.jpg

 

Bate tão certo que até parece mentira.

 

Fonte: BCE.


publicado por José António Abreu às 14:15
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Sábado, 14 de Maio de 2016
Declaração de João Galamba sobre os dados da economia portuguesa

Roubado n'O Insurgente.



publicado por José António Abreu às 12:23
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
O maior cego
O desemprego aumenta mas não aumenta.

As exportações diminuem mas a economia permanece no rumo certo.

O crescimento do PIB encontra-se muito abaixo das previsões mas não há motivo para alarmes.

Os diferenciais das taxas de juro da dívida pública agravam-se mas tudo corre bem.

O investimento desce mas as perspectivas são excelentes.

Os impostos sobem mas a austeridade diminui.


publicado por José António Abreu às 10:31
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
Comentário sucinto à actuação do governo de António Costa no último par de semanas

Volta, Santana Lopes, que estás perdoado.



publicado por José António Abreu às 18:11
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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016
Normalidade

Exemplo 1. A reforma do IRC, acordada entre o anterior governo e o anterior PS, aplicava-se a qualquer empresa. O governo  da «geringonça» suspendeu-a. Em seu lugar, promete «incentivos» às empresas «certas».

 

Exemplo 2. Uma verdadeira reforma da Segurança Social continua assunto tabu do governo. À saída do congresso do PSD, a socialista Ana Catarina Mendes declarou que este apenas aceita discutir «factores de sustentabilidade» - i.e., formas de empurrar (ainda mais) para os futuros pensionistas todo o ónus do ajustamento que o próprio PS admite ser necessário.  Porém, não obstante o desequilíbrio, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social vai aplicar mil e quatrocentos milhões de euros na recuperação de imóveis, com o intuito os vender a preços controlados. Há riscos para o capital? Há riscos de distorção do mercado? Não interessa. O Estado ganhará margem para beneficiar algumas empresas de construção civil no momento da requalificação e algumas empresas do sector do imobiliário (bem como Baptistas-Bastos variados e merecedores) no momento da venda.

 

Eis aqui, bem visível, uma das diferenças fundamentais entre o governo anterior e o actual. Liberdade e (pasme-se, quando o conceito está quase apropriado pela esquerda) igualdade de um lado, intervencionismo e discricionariedade do outro. Não se estranha que PCP e Bloco prefiram assim: afinal, se pudessem, acabariam com a iniciativa privada. É mais curioso verificar como inúmeras pessoas que não se reclamam da extrema-esquerda mas passam a vida a criticar a promiscuidade entre Estado e grupos privados o acham natural. O Estado a decidir quem é beneficiado; a necessidade de os privados se manterem nas suas boas graças; a distorção no acesso ao poder, com benefício para os interesses instalados; uma mão que lava a outra. A normalidade, enfim, vergonhosamente posta em causa nos últimos anos.



publicado por José António Abreu às 12:12
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016
Chavões

E, de súbito, a calma antes da tempestade. Tudo parece adormecido, numa paz que muitos, por ingenuidade ou interesse, classificarão de positiva. Ocupado na reversão das tímidas reformas dos últimos anos e ainda sem ter de enfrentar números que exponham de forma clara (indícios não bastarão) o falhanço das suas políticas, o governo limita-se a chavões. Um documento que seria recebido com desdém se proviesse do governo anterior, a abarrotar de verbos no infinitivo («melhorar», «simplificar», «garantir», «lançar», «modernizar», «promover», «reforçar», «incentivar») mas confrangedoramente parco em detalhes (quando? como? com que dinheiro?), passa por base séria para discutir reformas. A ânsia de afastar Passos Coelho da liderança do PSD faz socialistas e comentadores encartados dispararem críticas a Passos por manter a pose de primeiro-ministro mas também por não mostrar sentido de Estado suficiente para aceitar as posições do governo (um «sentido de Estado» que o PS nunca teve enquanto oposição).

No fundo, PS, Bloco e PCP, ajudados por grande parte da intelligentsia, seguem entretidos na reescrita da História recente – ao ponto de o representante dos comunistas no congresso dos sociais-democratas ter declarado por várias vezes, com a convicção inabalável dos dogmas (são afinal tão religiosos), que o PSD ainda não se refez da derrota nas eleições legislativas. Mas presos ao passado estão os partidos da «geringonça». Tudo o que fazem é em função dele, tudo o que propõem conduz a ele. O futuro apenas lhes merece chavões.



publicado por José António Abreu às 11:01
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Segunda-feira, 7 de Março de 2016
A terceira categoria

Como muitos outros antes dela, talvez Maria Luís Albuquerque não devesse poder aceitar o cargo que aceitou. Porém, mais lamentável do que ela tê-lo feito - às claras e aparentemente sem infringir a lei - é, uma e outra vez, estes casos apenas servirem propósitos de demagogia barata. As promiscuidades devem ser investigadas (desde logo, beneficiou Maria Luís Albuquerque a Arrow Global enquanto ministra?) e é provável que a lei das incompatibilidades deva ser alterada - mas não no sentido do populismo defendido pelo Bloco de Esquerda. Afinal, em que poderá trabalhar um ex-ministro das Finanças se lhe for vedado o acesso ao sector financeiro? Que cargo poderá aceitar um ex-ministro da Economia se a gestão de empresas privadas (a ninguém parece incomodar que possa ir contratar swaps para uma entidade pública) lhe for interdita? (Pense-se em António Pires de Lima, por exemplo.) A que actividade poderá dedicar-se um ex-ministro da Justiça se os escritórios de advocacia (e há imensos negócios cinzentos em torno deles) constituírem terreno onde não possa entrar?

Cair no populismo de impedir ex-governantes de trabalhar em empresas do sector que tutelaram nos seis anos subsequentes ao abandono do governo (como o Bloco pretende) faria com que este constituísse cada vez mais um feudo de profissionais da política, sem outra visão do mundo que a da «distrital», dos cargos públicos e dos jogos de solicitação e distribuição de benesses. Hoje mesmo, quase só aceitam integrar o governo três categorias de pessoas: as que têm posses suficientes para não ficarem demasiado incomodadas com a perda de rendimento; as que, podendo ter currículo e até boa vontade, esperam lucrar após a saída; e as que, tendo feito toda a «carreira» nos meandros da política, não ganhariam mais noutro lugar e para quem os «benefícios», obtidos durante e/ou após o desempenho do cargo, constituem frequentemente objectivo de vida. Uma lei das incompatibilidades decente necessita de conjugar eventuais «períodos de nojo» com formas de os compensar e com aumentos remuneratórios ou os governos ficarão definitivamente reduzidos a elementos da terceira categoria (sim, há aqui um duplo sentido). A categoria onde muitas vezes são colocados Pedro Passos Coelho e António Costa, onde «vultos» como João Soares têm assento cativo, e onde também encaixam os principais líderes do Bloco de Esquerda.


publicado por José António Abreu às 15:35
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Terça-feira, 1 de Março de 2016
Das coisas expectáveis
Os dados do INE reflectem um investimento a desacelerar em termos homólogos, com um contributo muito negativo da componente de máquinas e equipamentos. No terceiro trimestre de 2015 esta componente caiu 2,9%, mas nos últimos três meses do ano recuou 10,3%. No total, o investimento pesa 19% no PIB português, pelo que o impacto directo, de curto prazo, no consumo é contido. Mas, a médio prazo, uma economia que não investe o suficiente perde a sua capacidade de gerar valor.


publicado por José António Abreu às 11:33
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016
Bingo

O governo e a sua maioria têm sido acusados de dar com uma mão e tirar com a outra, mas o que importa nessa ginástica não é quanto ganham as pessoas, mas que ganhem por vontade do poder político: o rendimento de cada cidadão não deve depender do seu esforço, mas da sua relação com o governo. O PS, PCP e BE nada têm contra quem ganha muito, desde que ganhe muito no Estado ou através do Estado. Banqueiros e empresários disponíveis para “parcerias” nunca terão dificuldades.

Rui Ramos, no Observador.


publicado por José António Abreu às 12:37
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
Uma correcção, com as minhas desculpas
O meu textozito sobre a transferência do pagamento de benefícios sociais para as empresas recebeu meia dúzia de críticas (e um destaque imerecido no Blasfémias). Inverosímil, escreveram alguns. Simplista, anexaram outros. Ainda que eu tenha procurado aspergi-lo com umas gotas de sarcasmo e que António Costa pareça estar mesmo disponível para fazer a EDP assegurar os custos da tarifa social, devo admitir que as críticas não são totalmente descabidas. Como se comprova em vários países-modelo do PCP, do Bloco e dos sectores que hoje dominam o PS, o trajecto mais habitual para a indigência económico-social passa antes por fixação administrativa de preços, prateleiras vazias e racionamento.


publicado por José António Abreu às 10:19
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2016
O início da era pós-impostos
O BE quer alargar a aplicação da tarifa social de energia, que neste momento beneficia cerca de 120 mil pessoas. A ideia é dar acesso automático à tarifa social a todos os beneficiários do abono de família do 1º e 2º escalões, complemento social de idosos, pensão social de invalidez ou de velhice, subsidio social de desemprego e rendimento social de inserção. O partido liderado por Catarina Martins propõe ainda que os custos desta tarifa passem a ser integralmente suportados pela EDP Produção, deixando de onerar o Estado em cerca de seis milhões de euros.

 

Há um momento na descida para a paralisia económica em que ao Estado já não basta cobrar impostos. A solução? Colocar empresas privadas a garantir o pagamento de benefícios sociais. Como a mentalidade da «verdadeira esquerda» (Bloco, PCP, actual PS) exclui o conceito de relação causa-efeito, fazê-lo não implica obrigar essas empresas a distribuir os custos da medida por todos os seus clientes ainda não suficientemente pobres para terem eles mesmos direito aos benefícios mas apenas diminuir-lhes o nível «obsceno» de lucros (é sabido: para a esquerda, uma empresa privada ou tem lucros obscenos ou gestão criminosa). Começa-se pela EDP, entidade fornecedora de um bem que muitos, consciente ou inconscientemente, acham que devia ser gratuito (ei, a electricidade é uma espécie de download, certo?) e que todos apreciam odiar. E abre-se caminho para ir mais longe. Para, sei lá, tornar obrigação do Continente, do Pingo Doce e do Lidl a distribuição mensal de cento e tal mil cabazes de compras; para tornar obrigação da Galp, da BP e da Repsol a oferta mensal do combustível correspondente a cento e tal mil depósitos; para tornar obrigação da McDonald's, da Pizza Hut e da H3 a entrega mensal de dez (ou talvez quinze) vezes cento e tal mil menus; para tornar obrigação da Fidelidade, da Tranquilidade e da Allianz a subscrição anual de cento e tal mil apólices de seguro; para tornar obrigação da MEO, da NOS e da Vodafone a disponibilização de cento e tal mil pacotes de telemóvel, televisão e internet (sem período de fidelização); para tornar obrigação da Zara, da Cortefiel e da H&M o fornecimento de cento e tal mil vales de trezentos euros em roupa e calçado (bastará por estação, que os beneficiários da medida não pertencem à esquerda-caviar); para tornar obrigação da Mota-Engil, da Teixeira Duarte e da Soares da Costa a construção e oferta de cento e tal mil habitações (mantenhamos os pés na terra e digamos em cinco anos). Ou, melhor ainda, por que não obrigar que todas as empresas privadas desviem cinco (e, mais tarde, dez) por cento da facturação para apoios que o Estado, gordo e deficitário (pudera), será cada vez mais incapaz de providenciar?

O maravilhoso país que emergirá de toda esta consciência social é, evidentemente, um país sem competitividade mas também sem empresas privadas. No fundo - e aqui se encontra afinal uma relação de causa-efeito bem delineada -, o sonho da esquerda.



publicado por José António Abreu às 17:03
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016
Costa vs. Costa

A recusa do governo de Passos Coelho em salvar o BES foi o ataque mais forte das últimas décadas ao status quo político-financeiro-empresarial - i.e., à oligarquia que se habituou a dominar o país. Hoje, Costa (António) ataca Costa (Carlos) não porque este tenha cometido erros mas porque a sua acção (e, por conseguinte, os seus eventuais erros) não decorre dos interesses dos socialistas e/ou dos amigos dos socialistas. Mais: não decorre sequer dos interesses do governo (deste ou do anterior). É aliás sintomático que os socialistas teimem numa solução para os «lesados» do BES sem avançarem com uma proposta clara e, mais importante, sem explicarem (de preferência evitando a necessidade de uma série infinita de erratas) quanto poderia ela custar aos contribuintes. Para Costa (António), interessa acima de tudo docilizar o Banco de Portugal e surgir como o fautor de uma «solução» conciliatória que esconda dos eleitores o preço dessa conciliação. Estabelecer um precedente, numa situação de fragilidade do sistema bancário, não o preocupa. Costa (António) trabalha no presente, manobrando instante a instante.

Depois há ainda outro motivo. Costa (António) tem procurado espicaçar Passos Coelho, alternando acusações com propostas de concertação. Passos, ciente de que não deve ajudar os socialistas numa área em que são peritos incontestados (inventar desculpas e eximir responsabilidades), tem mantido a pose de estadista. Isto não interessa ao governo, urgentemente necessitado de um adversário. Costa (Carlos) encaixa no papel. E, se a situação for bem manobrada, até poderá permitir expulsar Passos Coelho da toca, de modo a ser desgastado antes de começarem a sair os primeiros números da execução orçamental.



publicado por José António Abreu às 11:42
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016
Falhanço
As declarações do primeiro-ministro no sábado passado, amplamente glosadas na Internet (incluindo aqui), teriam levado Bloco de Esquerda e PCP a exigir a demissão do governo (e Pacheco Pereira a escrever uma crónica demolidora) se o primeiro-ministro ainda fosse Pedro Passos Coelho. Mas a hipocrisia da esquerda é secundária quando as declarações indiciam uma falta de respeito muito mais profunda do que a decorrente de simples - e, em condições normais, razoavelmente fácil de desculpar - ausência de tacto.

O plano dos economistas liderados por Mário Centeno com que António Costa se apresentou às eleições baseava o crescimento no consumo interno, trocando mesmo receitas públicas actuais por receitas futuras (a famosa descida da TSU). Era um plano arriscado, com tantas probabilidades de resultar neste mundo conturbado (e, acima de tudo, sobreendividado) como eu tenho de ainda hoje - e por esta ordem - conquistar o coração da Jessica Chastain e ganhar o euromilhões, mas pelo menos apresentava alguma coerência formal. Fazemos isto e isto e isto, de modo a obter este e este e este resultado, sendo que, em tese, havia compatibilidade entre o que se fazia e o que se esperava. Só que o plano foi estraçalhado, primeiro num sentido pelos parceiros da «geringonça», depois no outro pelos técnicos da Comissão Europeia, transformando-se numa manta de retalhos que não apenas dá às corporações o que tira à generalidade dos cidadãos e das empresas (já seria mau, por dificultar a recuperação) mas pura e simplesmente não bate certo.

A UTAO, o Conselho de Finanças Públicas, a Comissão Europeia, o FMI, o Eurogrupo, os bancos de investimento, as agências de notação e os mercados (é estranho que as taxas subam tanto: afinal, não tinham descido apenas por acção do mesmo BCE que continua a comprar paletes de dívida nacional?) sabem-no. O desconforto de Mário Centeno (claro opositor da implementação das 35 horas de trabalho na função pública no decorrer de 2016, já enredado em justificações entre o populismo e a absurdidade, agressivo em Lisboa, humilde em Bruxelas) ou de Trigo Pereira (que se força a escrever elogios ocos ao orçamento) mostra que até mesmo na área do governo há quem perceba que a situação pode descambar rapidamente. (Galamba, à altura do mestre Sócrates, permanecerá firme até muito depois do colapso.)

Mas António Costa (especialista em questões de poder) sabe que o seu futuro (o único que lhe interessa) depende do timing e das características da próxima crise. Isto fá-lo-á resistir durante tanto tempo quanto lhe for possível, tentando distorcer os acontecimentos, manobrar as expectativas e, acima de tudo, aguardando um golpe de sorte. De vez em quando, porém, não evitará declarações como as do sábado passado. Ao recomendar aos portugueses menos consumo depois de assentar todo o programa de governo em mais consumo, António Costa, consciente ou inconscientemente (talvez como quando chamou primeiro-ministro a Passos Coelho), admite o falhanço da sua estratégia. O resto é uma questão de tempo.



publicado por José António Abreu às 12:38
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2016
Da lógica

1. No esboço original do orçamento, o governo previa um crescimento da economia de 2,1% e um défice público de 2,6% do PIB;

2. Partindo do esboço original do orçamento, a Comissão Europeia antecipou um crescimento de 1,6% e um défice de 3,4% e o FMI um crescimento de 1,4% e um défice de 3,2%;

3. O governo e o PS asseguram que as previsões da Comissão Europeia e do FMI se baseiam em dados desactualizados, por não levaram em consideração as medidas entretanto propostas pelo governo;

4. Como é que isso justifica os desvios?



publicado por José António Abreu às 16:21
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016
Um dever
Uma das tácticas mais habituais no totalitarismo passa por associar qualquer vestígio de oposição a forças contrárias aos superiores interesses da nação. Ao longo da História, inúmeras purgas assentaram neste argumento. O PS de Costa, como antes o de Sócrates (no fundo, é basicamente o mesmo), não tem poder para iniciar purgas. Contudo, em declarações dos seus membros como nas de alguns idiotas úteis, a mentalidade encontra-se bem presente: quem discorda do rumo seguido trai o interesse nacional. Deixem-me pois ser muito claro. Na minha opinião, o interesse de Portugal passa por contas públicas equilibradas e não por mais dívida; por uma economia que liberte o sector privado e não por uma que o asfixie ainda mais; por políticas que permitam captar investimento externo e não que o afugentem; por um governo que se dê ao respeito e não por um assente em chico-espertice e retórica 'chavista'. No que me diz respeito, o governo actual representa um perigo para o país e combatê-lo é um dever.


publicado por José António Abreu às 11:52
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016
Esboço de orçamento para enganar papalvos
A trafulhice não surpreende: imagem de marca dos governos socialistas recentes, só confirma as suspeitas sobre a falta de seriedade intelectual de Costa e de Centeno. Mas classificar como extraordinárias medidas que obviamente representam despesa corrente constitui tamanho insulto à inteligência alheia que ainda incomoda ligeiramente - e acima de tudo envergonha, por recuperar o lugar-comum do português que utiliza todos os expedientes para tentar evitar o que tem de fazer. Depois disto, será lícito esperar respeito por parte de técnicos e ministros das finanças europeus? Há um ano, Varoufakis perdeu a consideração dos colegas por arrogância (faça-se-lhe a justiça: claramente assumida); Centeno, com o sorriso cada vez mais parecido com o de um vendedor de carros usados (as minhas sinceras desculpas aos vendedores de carros usados), irá perdê-la por esperteza saloia.

Mas enfim, sejamos positivos: pelo menos como espectáculo para consumo de pipocas, a coisa promete. Vai ser divertido assistir ao braço de ferro entre governo, comissão europeia, bloco de esquerda e partido comunista. E pode ser que entretanto a DBRS resolva juntar-se à festa. Nesse caso, os tempos ficarão mesmo muito, muito interessantes.



publicado por José António Abreu às 10:55
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016
O regresso dos maus da fita e o poder do pensamento positivo
Moodys afirma que esboço do orçamento de Estado é optimista e repete erros do passado.
Fitch considera que orçamento assenta em pressupostos de crescimento «irrealistas» e ameaça descer rating de Portugal.

Não será altura de a intelligentsia nacional começar novamente a bramir contra as agências de rating? (Poupando a DBRS, claro - por enquanto.)

 

Governo acredita que por cada euro de estímulos, retoma devolve quatro.

Funcionou bem em 2009 e 2010, não foi? E as PPP até se pagaram a elas mesmas...



publicado por José António Abreu às 17:16
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016
Aleluia, irmão!
Centeno acredita que o cenário externo vai melhorar – baseando-se “nas organizações internacionais”. Vem aí mais crescimento mundial, diz o ministro.

 

(E agora vou parar, que afinal isto não é um espaço de divulgação do ministro Centeno.)



publicado por José António Abreu às 16:36
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Mário Centeno da Nóvoa

Como é que o défice desce, apesar das medidas de reversão?

«Através de uma política orçamental que consiga materializar as direcções que nós definimos como objectivos. Através de uma contenção daquilo que é a execução orçamental, um crescimento muito contido na dinâmica orçamental, e com um conjunto de medidas que reforça o potencial de crescimento da economia portuguesa, desde logo o que é a recomposição fiscal, desde logo o que é o apoio à recuperação dos rendimentos da população.»

Ah, pronto. Assim sendo...



publicado por José António Abreu às 16:23
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A austeridade acabou
Mas vários impostos aumentam e a descida do IVA na restauração fica para mais tarde.

 

(Como é óbvio, os automobilistas questionados pelas televisões nos postos de abastecimento continuarão a bradar contra a ganância das companhias petrolíferas.)



publicado por José António Abreu às 16:19
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016
Virgem (apesar da «geringonça»)
O deputado socialista (e, dizem alguns - eu tentarei evitar os insultos -, reputado economista) Paulo Trigo Pereira, co-autor do programa de estímulo ao consumo com que o PS se apresentou às eleições, escreveu um artigo para o Observador. Nele, após considerações de cariz político-filosófico, estranha a ânsia demonstrada por PCP e Bloco em repor a semana das 35 horas de trabalho na função pública. Pede contenção, alerta para as fragilidades da economia, faz questão de mencionar que sempre defendeu a «durabilidade» e a «estabilidade» das políticas. O termo mais adequado para descrever a minha reacção é - lamento - asco. Ou nojo. Ou náusea. Ou - tentemos alguma contenção; não quero mesmo tombar em insultos - repulsa. Este pessoal, equipado com cérebros putativamente brilhantes, surpreende-se afinal com o que qualquer humanóide provido de dois neurónios funcionais (e o segundo operando apenas como redundância) percebeu no momento em que António Costa abriu os braços (sim, «os braços»; a última coisa que desejo é insultar) a comunistas e bloquistas: estes não são prudentes nem se acham vinculados ao «programa do PS», sobre o qual estas alminhas ingénuas (trata-se de um termo carinhoso, não de um insulto) clamam haver-se fundado a «geringonça». Não perceberam, aliás, ainda outra coisa: António Costa estava inteiramente disponível para aceitar o que quer que fosse a troco da conquista do poder - e conserva idêntica disposição quando o objectivo é mantê-lo. Nada ingénuos (vêem? aqui não há insulto mas também não há carinho), comunistas, bloquistas e sindicalistas perceberam-no no primeiro instante. Repare-se no extraordinário momento de stand-up comedy protagonizado ontem por Ana Avoila, quando inquirida sobre o processo negocial em torno da tal questão das 35 horas: «O governo marcou a reunião para 28 e nós pedimos para ser 28 de manhã porque à tarde temos muito trabalho de preparação para a greve.» Que é como quem diz: «Vão-se fazer inserir um objecto rombo num tracto digestivo da vossa conveniência.» (Acredito que ela também não deseja insultar.) Avoila sabe ter a «geringonça» na mão e sabe ainda que qualquer homem (António Costa - e isto até enforma uma espécie de elogio - não será excepção) entra num particular estado de fragilidade quando alguém lhe agarra essa parte da anatomia.
 

No fundo, é um bocadinho como se Trigo Pereira, tendo ignorado avisos e mantido relações sexuais sem protecção num bordel tailandês (preferindo, pode escolher Cuba ou a Venezuela, que na Coreia do Norte não devem existir), estranhasse ter apanhado um esquentamento. Ou como se, três meses após o primeiro acto sexual consumado (não daqueles à Bill Clinton), desejasse recuperar a virgindade. Lamento mas das duas, uma: se percebeu finalmente o sarilho que António Costa arranjou ao enfiar a «geringonça» pelo tracto digestivo dos portugueses, que salte fora e então - ainda que heterossexual, sou sensível a covinhas no queixo - terá direito a um módico de apreço; caso contrário, mais vale o silêncio. Para as mulheres existem operações mas, num homem, a virgindade é irrecuperável. Especialmente depois de ter sido perdida com uma «geringonça» disforme.



publicado por José António Abreu às 12:04
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015
Do regresso à opacidade como forma de evitar críticas
Já tem uns dias mas convém ler E os nomeados são, de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.


publicado por José António Abreu às 15:42
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015
Sobre os bancos

1. Encontram-se quase todos em situação frágil, por erros próprios (empréstimos a «amigos», péssimas avaliações de risco, crença no crescimento contínuo e infinito da economia, empréstimos para evitar perdas decorrentes de empréstimos anteriores) e por políticas dos bancos centrais e dos governos que lhes permitiram «jogar» com uma percentagem demasiado elevada dos recursos captados.

2. Políticos e cidadãos adoraram e incentivaram esse «jogo», que abriu as portas ao crédito barato; naturalmente, uns e outros têm detestado receber a factura.

3. Enquanto se indignam com as perdas dos bancos, os políticos continuam a clamar por crédito barato e os Bancos Centrais continuam a tentar inventá-lo.

4. Das duas, uma: ou se exige que, independentemente da conjuntura, os bancos subam rácios de solvabilidade - e então necessitam de dinheiro e o crédito à economia desce e alguns (como o BANIF) entram em colapso - ou não se exigem rácios mais elevados - e então aumenta-se o risco de, no próximo solavanco da economia, estarem tão frágeis que acabem necessitando de muito mais dinheiro.

5. Para os bancos - e para os contribuintes - dos países onde a correcção dos desequilíbrios orçamentais obrigou à implementação de políticas de austeridade seria preferível adiar a exigência de rácios mais elevados; compreensivelmente, as regras de concorrência impedem-no (lição para futuro: os bancos devem opor-se a políticas públicas arriscadas, não incentivá-las).

6. O crescimento da economia permitiria diminuir as perdas dos bancos mas, se feito (ainda mais) à base de dívida, traria (ainda mais) problemas a prazo.

7. À falta de capacidade dos accionistas, restam duas fontes de capitalização: o Estado (i.e., os contribuintes) e os depositantes.

8. Considerando as necessidades totais, as garantias associadas aos depósitos são garantias dos contribuintes (i.e., deixar falir - atitude mais correcta do ponto de vista do mercado - pode ficar mais caro).

9. Como se vê pelo dinheiro já injectado na Caixa Geral de Depósitos, não é por serem públicos que os bancos escapam aos problemas; o «saque» aos contribuintes passa é mais despercebido.

 

Três notas ainda sobre o caso específico do BANIF:

1. Convém lembrar que a competência para aplicar processos de resolução é do Banco de Portugal, não do governo. Para além disso, podem ter existido motivos válidos (eleitoralistas existiram certamente, como existem sempre, qualquer que seja o partido no poder) para o governo PSD-CDS ter adiado uma solução. Por exemplo, recear que dois processos em simultâneo (BANIF e Novo Banco) levassem à dispersão de potenciais compradores e fizessem descer os valores propostos. Por exemplo, esperar que a recuperação económica viesse a tempo de permitir uma melhoria na recuperação de créditos e na venda de património, tornando o banco mais atractivo para compradores privados. Por exemplo, procurar evitar a solução, bastante dura, defendida pela Comissão Europeia. Ainda assim, é hoje claro que adiar foi um erro e que este não pode ser assacado apenas ao Banco de Portugal. O mínimo que Passos Coelho, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque devem fazer é admiti-lo.

2. A solução do governo socialista pode ser a menos má mas é também a mais conveniente para o comprador. Tanto no processo do Novo Banco como no da TAP - vide processo cancelado em 2012 - o governo PSD-CDS privilegiou (assumindo riscos) a existência de condições para a obtenção de um preço minimamente justo. Sendo certo que a decisão do BCE de retirar o estatuto de contraparte ao BANIF precipitou os acontecimentos, a opacidade que envolve a escolha do Santander não é bom sinal. Seria também interessante descobrir se quem fez sair a notícia da TVI que despoletou primeiro a corrida aos depósitos e depois a decisão do BCE acabou por lucrar (financeira ou politicamente) com a forma como o processo decorreu. Nota para fãs de teorias de conspiração: o Santander detém uma participação na Prisa, que controla a TVI.

3. Tem piada (ei, cada um diverte-se como pode) assistir ao desconforto do Bloco de Esquerda e do PCP com a via escolhida pelo governo que apoiam e legitimam. A votação do orçamento rectificativo mostra bem como são incapazes de partilhar momentos e decisões difíceis.



publicado por José António Abreu às 19:55
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