como sobreviver submerso.
Sexta-feira, 28 de Abril de 2017
Música recente (91)

 

 

Conor Oberst, álbum Salutations.

 

O complemento de Ruminations. A face mais solarenga de Oberst.

 

(The modern world is a sight to see. It's a stimulant. It's pornography. It takes all my will not to turn it off.)



publicado por José António Abreu às 12:22
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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017
Diário semifictício de insignificâncias (25)

Há momentos de inebriante clareza em que percebo que a minha vida dava um livro em vários volumes. Todos chatos.



publicado por José António Abreu às 21:49
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Terça-feira, 25 de Abril de 2017
Música recente (90)

 

Karen Elson, álbum Double Roses.

 

Há sete anos, quando lançou The Ghost Who Walks, Elson encontrava-se casada com Jack White. O álbum era excelente, mas permitia a dúvida, inevitável no caso de primeiros trabalhos de gente cujos parceiros têm carreira firmada, de saber até que ponto essa qualidade se lhe devia exclusivamente (ainda por cima, White fora o produtor). Incluindo canções um tudo-nada menos teatrais e colaborações tão discretas que é fácil não as detectar (em Distante Shore, a voz longínqua e esperançosa pertence a Laura Marling), Double Roses mostra que Elson não precisa de ter White por perto.

 

(O tema Wonder Blind, ao vivo.) 


publicado por José António Abreu às 12:22
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017
Diário semifictício de insignificâncias (24)

Continuo um leitor compulsivo de t-shirts. Devia parar. Um dia destes arranjo problemas. É quase impossível ler as frases mais compridas das t-shirts femininas (chegam a parecer volumes do Guerra e Paz) sem dar ideia de estar a obervar as mamas das utilizadoras.

Voltei a pensar nisto por causa de uma rapariga com quem me cruzei no passeio. Vestia uma t-shirt preta com as palavras Can't touch this. Em mais um sinal de que nasci há demasiado tempo, primeiro lembrei-me de MC Hammer. Quase me pus a cantarolar o tema. Só depois ponderei se a rapariga usaria a t-shirt em modo de desafio ligeiramente parvo, confiante na capacidade de atracção dos seus atributos, se em jeito de pedido quase desesperado de atenção. A verdade é que, sem aquela t-shirt, eu jamais pensaria em tocar-lhe (desculpa, OK?). Ainda assim, espero que o motivo fosse excesso de confiança. Fora dos campos da ciência, da economia e da política, há ilusões benignas.



publicado por José António Abreu às 20:55
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Domingo, 23 de Abril de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 264

Blogue_ruas106_Coimbra2017.jpg

 

Coimbra, 2017.



publicado por José António Abreu às 22:02
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Sábado, 22 de Abril de 2017
Mélenchon ou o populismo que não costuma receber tal designação

Simpatia para com Putin. Desejo de aderir à Aliança Bolivariana, onde pontificam regimes como o de Cuba e o da Venezuela. Abandonar a NATO. Alterar os tratados que regem o euro. Estabelecer um «novo papel» para o BCE. «Libertar» as finanças públicas das «garras» dos mercados financeiros. Criar um «Fundo Europeu de Desenvolvimento Social» para a «expansão dos serviços públicos, do emprego e das qualificações». Aumentar o salário mínimo em 15% (para os 1700 euros). Fixar o tempo de trabalho nas 35 horas semanais e limitar as horas extraordinárias («sob controlo de representantes dos trabalhadores»). Instaurar tectos salariais. Aumentar o poder dos trabalhadores nas empresas e dos cidadãos nas instituições bancárias. Fixar a idade da reforma nos 60 anos, com pagamento integral das pensões. Integrar 800 mil precários na Função Pública. Implementar um plano contra a «especulação imobiliária». Congelar as rendas. Construir 200 mil habitações sociais. Criar um «estatuto social» para os jovens, remunerando-os em situações como a procura do primeiro emprego. Nacionalizar empresas, com enfoque nas do sector sector energético (e.g., Total). Criar «pólos» públicos de produção em vários sectores (energia, banca, medicamentos, ...).

E por aí fora.


publicado por José António Abreu às 23:12
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017
Música recente (89)

 

Kendrick Lamar, álbum Damn.

 

This may be hard to believe, coming from a black man, but I've never stolen anything. Never cheated on my taxes or at cards. Never snuck into the movies or failed to give back the extra change to a drugstore cashier indifferent to the ways of mercantilism and minimum-wage expectations. I've never burgled a house. Held up a liquor store. Never boarded a crowded bus or subway car, sat in the seat reserved for the elderly, pulled out my gigantic penis and masturbated to satisfaction with a perverted, yet somehow crestfallen, look on my face.

 

As frases acima não são de Kendrick Lamar. Constituem o início do livro The Sellout, de Paul Beatty, vencedor do Man Booker 2016. The Sellout é uma sátira. Aponta os problemas recorrendo ao exagero e ao ridículo. As mensagens, a estética (as poses) do hip-hop costumam ser interpretadas literalmente. Por vezes, é esta a intenção dos autores; por vezes, trata-se de distorção por parte de quem ouve (falta de capacidade de encaixe, digamos). As posições extremam-se quando a mensagem é - ou parece ser - simplista. Considere-se um exemplo típico: denunciar a violência policial sobre a comunidade negra - tema não apenas recorrente mas inevitável - exige genuinidade e que se ultrapassem as simples ameaças de retaliação; caso contrário, as críticas serão naturais e justas. O primeiro aspecto sofre quase sempre que um cantor atinge o sucesso: em gente rica, canções sobre dificuldades e discriminação soam a falso (hoje, Kanye é basicamente uma Kardashian). O segundo exige capacidade para sublimar o assunto através de formas como as que Paul Beatty utiliza magistralmente. Isto é, exige capacidade artística.

 

Kendrick Lamar tem conseguido manter um equilíbrio assinalável entre todos estes aspectos. Sonicamente, Damn é menos variado do que To Pimp a Butterfly. Ainda assim, contém momentos jazzy (Lust), colaborações inesperadas (os U2, em XXX) e subtilezas que apenas se detectam em auscultadores ou em bons sistemas de som. Evita as frases orelhudas, as declarações bombásticas e inclui momentos de ironia (por vezes, raivosa) não negligenciáveis: vejam-se as letras de Humble ou de DNA. E será também de referir que Lamar permanece um rapper do caraças, capaz de debitar palavras a um ritmo e com uma dicção fenomenais.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 18 de Abril de 2017
Música recente (88)

 

The Gift, álbum Altar.

 

Apesar de sempre ter existido nos The Gift uma propensão para a grandiloquência, gostei bastante dos primeiros três álbuns que lançaram. Mas depois vieram o projecto Amália Hoje e o álbum Explode, e eles tornaram-se-me insuportáveis - até à semana passada. A produção de Altar esteve a cargo de Brian Eno. Podia ser apenas uma forma de, mais uma vez, a banda procurar uma audiência internacional (ambição nunca lhe faltou), mas Eno tem ideias demasiado fortes para se limitar a fazer figura de corpo presente. A voz de Sónia Tavares está lá, as teclas e os sintetizadores de Nuno Gonçalves também, mas, tirando um outro deslize, encontram-se bastante mais domados. Love without violins (excelente título) pode mesmo ser um dos melhores temas que os The Gift já criaram (o vídeo está aqui, mas o YouTube exige autenticação para acesso à versão não-censurada).


publicado por José António Abreu às 12:22
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017
«Comic relief»
Título do Observador: Avioneta cai em Tires, 5 mortos. Marcelo já chegou.

 

(Mais tarde foi alterado para Marcelo no local.)



publicado por José António Abreu às 14:36
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Domingo, 16 de Abril de 2017
Das formas e cores: 40

Blogue_grafismo17_Valência2012.jpg

 

Valência, 2012.



publicado por José António Abreu às 20:20
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
Música recente (87)

 

Dia Frampton, álbum Bruises.

 

Um álbum intimista, a que a Hungarian Studio Orchestra adiciona dimensão e páthos.


publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017
Música recente (86)

 

The New Pornographers, álbum Whiteout Conditions.

 

 Pode tomar-se a música dos The New Pornographers como pop simples e despretensiosa. Mas também pode dedicar-se-lhe um pouquinho mais de atenção e perceber-se a sua inteligência. Trata-se de pop lida e viajada, que usa a aparente inconsequência da pop como mecanismo de sublimação e ironia.

 

(Coisas giras do politicamente correcto: entrem na Amazon inglesa, francesa ou alemã; comecem a escrever «The New Pornographers» na caixa de pesquisa; reparem como, à medida que digitam letras, vão aparecendo e desaparecendo sugestões sem que alguma vez «The New Pornographers» esteja entre elas; notem como, a partir de «The New Porn», as sugestões desaparecem; terminem de escrever; façam Enter; percebam como existem afinal tantos resultados.)



publicado por José António Abreu às 12:22
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Domingo, 9 de Abril de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 263

Blogue_paisagens53_PLima2013.jpg

 

Ponte de Lima, 2013. 



publicado por José António Abreu às 20:01
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017
Música recente (85)

 

Goldfrapp, álbum Silver Eye.

 

Alison e Will saltaram da delicadeza de Felt Mountain, a estreia no ano 2000, para batidas de dança relativamente anónimas em Black Cherry e Supernature, de 2003 e 2005, respectivamente. Em 2013, de forma inesperada para mim, voltaram a terrenos intimistas com Tales of Us. Um pouco como Seventh Tree, de 2008, Silver Eye tenta unir os dois universos. Resulta bastante bem.

 

(Considerando este vídeo e os trabalhos que Laura Marling realizou para Semper Femina, há alguma tendência sazonal que eu desconheça para inserir sugestões de lesbianismo nos vídeos musicais?)

 

(Não é que me esteja a queixar...)



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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
Música recente (84)

 

Aimee Mann, álbum Mental Illness.

 

Whatever, primeiro álbum de Aimee Mann após os 'Til Tuesday, foi um dos dois que mais ouvi em 1993 (o outro foi Siamese Dream, dos Smashing Pumpkins). A fama de Mann, porém, surgiu apenas em 1999, quando escreveu várias canções para o filme Magnólia. De então para cá, tem lançado álbuns - uns melhores, outros piores - que insistem em manter o equilíbrio entre desencanto (ou mesmo desespero) e vontade de viver. Mental Illness conta-se entre os mais sombrios - mas também entre os melhores.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Domingo, 2 de Abril de 2017
Das formas e cores: 39

Blogue_grafismo27_Serralves2017.jpg

 

Museu de Serralves, Porto, 2017.



publicado por José António Abreu às 20:08
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017
Música recente (83)

 

Gnoomes, álbum Tschak!

 

Uma banda russa formada em Perm, cidade gélida dos Urais, outrora local de exílio de pessoas inconvenientes; uma sonoridade psicadélica, expansiva e doce; um título de álbum que remete para os Kraftwerk; um tema chamado «Cascais». O mundo é estranho.


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Terça-feira, 28 de Março de 2017
Música recente (82)

 

Spoon, álbum Hot Thoughts.

 

De entre as bandas que fazem pop/rock relativamente standard, os Spoon serão das melhores - especialmente porque conseguem ir introduzindo variações significativas de álbum para álbum.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017
Trumps nacionais
Catarina Martins propõe saída do euro.

 

Evidentemente, e não obstante a demagogia com que abordam estes assuntos ser igualzinha à do presidente norte-americano ou de Marine Le Pen (podiam ou não ser declarações de Catarina Martins?), ninguém os classifica como tal - afinal são simpáticos para os imigrantes e nem chamam terroristas aos terroristas. Por cá, raros se atrevem sequer a afirmar serem precisamente as políticas da Geringonça a empurrar o país para uma situação de insustentabilidade - e os que o fazem são corridos a acusações de ressabiamento e derrotismo. Todos sabem, porém, que ao nível da dívida pública e respectivas taxas de juro o último ano e meio poderia ter sido muito diferente, abrindo perspectivas mais optimistas para um futuro sem (tanta) ajuda por parte do BCE. António Costa, por exemplo, sabe-o perfeitamente. Os pedidos, cada vez menos subtis, para mudanças de política ao nível da União Europeia (o que representa a sanha contra Dijsselbloem senão uma tentativa para facilitar a abordagem de pontos como a mutualização e a renegociação?) constituem reconhecimento cabal de que também ele acha a dívida insustentável - sem que isso o impeça de continuar alegremente a aumentá-la (perdido por cem, dir-se-á...). Talvez um dia fique demonstrado que Costa, a mais frontal Catarina (e o mais «ortodoxo» Jerónimo) estavam certos. Mas quando alguém tem o poder para fazer cumprir uma profecia, e faz quase tudo nesse sentido, não admira que ela se concretize. Infelizmente, esse dia, como é habitual nas vitórias do populismo, não ficará para a história como um dia feliz.


publicado por José António Abreu às 16:58
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Domingo, 26 de Março de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 262

Blogue_ruas74_Amarante2013.jpg

 

Amarante, 2013.



publicado por José António Abreu às 20:41
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Sexta-feira, 24 de Março de 2017
Música recente (81)

 

Depeche Mode, álbum Spirit.

 

A criação foge muitas vezes ao controlo dos criadores. No mês passado, Richard Spencer, norte-americano conotado com posições neo-nazis, classificou os Depeche Mode como «a banda oficial da alt-right», afirmando que a música dos ingleses contém uma «ambiguidade» que sugere a existência de «elementos «fascistas». Por pouco recomendável que o homem possa ser (foi a primeira vez que ouvi falar nele), as suas palavras merecem análise: da mesma forma que a música de Wagner, grandiloquente e ao serviço de visões de uma sociedade idílica e pura, se adequou como uma luva à mentalidade de Hitler, não é de excluir que o carácter sincopado, militarizado, da música dos Depeche Mode tenha o mesmo efeito em Spencer e noutros indivíduos com ideias similares. (E, já agora, a imagem dos elementos da banda, construída nos anos 80 com a ajuda do fotógrafo Anton Corbijn, também pode ter alguma coisa a ver com o assunto.) Há, no entanto, uma diferença importante: se sabemos que Wagner, falecido antes do nascimento de Hitler, ansiava por uma sociedade mais «pura» e tinha reservas quanto ao papel dos judeus na sociedade alemã, dificilmente os Depeche Mode poderiam ter sido mais claros na resposta às afirmações de Spencer: «He's a cunt», declarou o vocalista Dave Gahan. A situação torna-se particularmente irónica quando se ouve Spirit, o álbum lançado na passada sexta-feira. Nunca os Depeche Mode foram tão abertamente políticos e raramente mostraram tanta insatisfação. Pode até dizer-se que entram no campo apenas aparentemente oposto ao de Spencer: o do populismo de esquerda. A música é óptima (Spirit será o melhor álbum deles em muitos anos), mas não me parece descabido perguntar se, na ânsia do protesto, conterá mesmo alguns elementos totalitários. Afinal, os extremos tocam-se.


publicado por José António Abreu às 12:22
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017
Diário semifictício de insignificâncias (23)

Assisto na televisão às reportagens sobre mais um atentado. Há corpos no chão, um herói improvável e inglório, a estupefacção do costume, não obstante a falta de novidade. Por entre cuidados de linguagem (a jornalista da CNN esforça-se por tentar saber se o que permite às autoridades falarem em terrorismo é a origem ou a religião do atacante sem usar termos como «árabe» ou «muçulmano»), reporta-se que o número de mortos e feridos é provisório. A informação permite manter aquela expectativa doentia em que se deseja simultaneamente o menor e o maior número possível. Pergunto-me o que diferenciará tragédias grandes de tragédias pequenas. O número de mortos? As circunstâncias? O nível de incongruência ou de crueldade? Mas talvez essa seja a forma errada de classificar as tragédias. Talvez seja mais exacto - e mais fácil - dividi-las em tragédias públicas e tragédias íntimas. As primeiras estão cheias das segundas, mas raramente lhes fazem jus: o espectáculo e a cacofonia (ainda que baseada nas melhores intenções) nunca o permitem.

Mudo para o Eurosport.



publicado por José António Abreu às 23:16
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Claramente, ninguém informou Dijsselbloem sobre as reformas levadas a cabo nos últimos anos
Em relação ao passado, ele até pode ter razão. Mas, por favor, alguém lhe diga que o Elefante Branco fechou e o Pérola Negra já não é o que era.


publicado por José António Abreu às 08:28
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Terça-feira, 21 de Março de 2017
Música recente (80)

 

Jay Som, álbum Everybody Works.

 

Há quem lhe chame bedroom pop, mas o primeiro álbum verdadeiro da californiana Melina Duterte (Turn Into, de 2016, era constituído por demos, embora bastante polidas) vai muito para além de rótulos fáceis. E, de qualquer modo, o quarto é frequentemente o local onde as pessoas meditam acerca da vida. Em especial durante a juventude.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Domingo, 19 de Março de 2017
Com o Douro por cenário: 81

Blogue_douro23_2017.jpg

 

Porto / Vila Nova de Gaia, 2017.



publicado por José António Abreu às 20:11
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017
Música recente (79)

 

Valerie June, álbum The Order of Time.

 

Depois de um fantástico segundo álbum de Rhiannon Giddens, um também excelente segundo trabalho de Valerie June. É um pouco como se, em tempo de divisões político-sociais, a música com raízes na tradição (e ainda que alguns temas de The Order of Time derivem para a pop) fizesse questão de, por um lado, lembrar erros do passado que são também alertas para o futuro, e, por outro, apelar à reconquista de um sentido de comunidade e de destino partilhado. These are the songs you sing, in the search for the grass that's green, canta June em Long Lonely Road. É assim há muito, assim continuará a ser.
 



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 14 de Março de 2017
Música recente (78)

 

The Shins, álbum Heartworms.

 

Após o seu trabalho com Danger Mouse nos Broken Bells e a saída dos restantes elementos fundadores da banda, James Mercer tem vindo a alargar o espectro da sonoridade dos The Shins. Este álbum volta a incluir canções naquela linha pop/rock de bandas como os 10.000 Maniacs, mas também visita áreas como o psicadelismo e a new wave. E ainda há a nostalgia do tema abaixo.

 



publicado por José António Abreu às 12:22
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Domingo, 12 de Março de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 261

Blogue_ruas_101_Coimbra2017.jpg

 

Coimbra, 2017.



publicado por José António Abreu às 20:31
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017
Façam apps, não automóveis
2014: Facebook compra WhatsApp por 19 mil milhões de dólares.
2016: Microsoft compra LinkedIn por 26,2 mil milhões de dólares.
2016: Nissan compra 34% da Mitsubishi Motors por 2,2 mil milhões de dólares.
2017: Grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS) compra a totalidade do braço europeu da GM (Opel e Vauxhall) por 2,3 mil milhões de dólares.

 

Note-se a diferença de valores. Num mundo de relações online, de expectativas e impaciências desmesuradas, de taxas de juro negativas, de dinheiro nascido da concessão de crédito, talvez seja natural que os bens tangíveis percam importância e que a riqueza (a global como a dos famigerados ricos-que-continuam-a-enriquecer) seja cada vez mais virtual - e volátil. A própria inflação transferiu-se dos bens transaccionáveis para as bolsas e, dentro destas, em especial para as empresas que poucos ou nenhuns bens físicos produzem. Compare-se a evolução dos principais índices bolsistas com a evolução da economia dos respectivos países e o resultado só pode suscitar preocupação. Que percentagem da riqueza mundial se perderia hoje com um - bastante provável, de resto - crash bolsista? Quanto dinheiro desapareceria com a assumpção da incapacidade de pagamento de tantas dívidas gigantescas, públicas como privadas?

 

Mas este mundo também tornou a riqueza mais acessível às pessoas com as ideias certas e a coragem de as levar por diante. No fim de contas, fazer uma app custa muito menos do que projectar, construir e comercializar um automóvel. Talvez este facto explique em parte a insatisfação (a raiva, mesmo) que grassa nos países ocidentais (e utilizo o termo de forma abrangente, não geográfica). Por muitos defeitos e distorções que existam, por muitas ameaças que se perspectivem, nunca ao longo da história das sociedades organizadas (e hierarquizadas) as oportunidades perdidas o foram por motivos tão auto-atribuíveis.



publicado por José António Abreu às 17:47
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Música recente (77)

 

Laura Marling, álbum Semper Femina.

 

O título vem da Eneida: varium et mutabile semper femina (qualquer coisa como as mulheres são inconstantes e caprichosas). Marling vira o sentido da frase do avesso e transforma a presumível inconstância feminina em capacidade de adaptação. Não sei o que Virgílio pensaria, mas estou convencido de que Mozart e Lorenzo Da Ponte (cuja ópera Così fan Tutte parte de uma premissa similar à exposta na Eneida) achariam piada. Bem como a este vídeo.



publicado por José António Abreu às 12:22
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