como sobreviver submerso.
Terça-feira, 27 de Junho de 2017
Música recente (108)

 

Algiers, álbum The Underside of Power.

 

As fronteiras da distopia, em época de extremismos e paranóia.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Um retrato da falência moral do país político (e jornalístico)

Ontem, porém, houve luz na escuridão. O provedor da Misericórdia de Pedrogão Grande induziu Passos Coelho num lapso, de que o líder do PSD decidiu pedir desculpa. Foi a alegria do costismo. Era a sorte outra vez. Mas talvez o sarcasmo do regime tenha desta vez ficado demasiado patente: é que tivemos desculpas do líder da oposição por um pequeno comentário, mas nem uma palavra de contrição do governo pela incompetência e descontrole que mataram 64 pessoas e deixaram mais de 200 feridas.

Rui Ramos, no Observador.


publicado por José António Abreu às 09:23
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Domingo, 25 de Junho de 2017
Com o Douro por cenário: 83

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São Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, 2009.



publicado por José António Abreu às 20:47
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017
Música recente (107)

 

Fleet Foxes, álbum Crack-Up.

 

Gostei bastante do primeiro álbum (Fleet Foxes, de 2009), gostei menos do segundo (Helpleness Blues, de 2011). Crack-Up vale a pena, mas permitiu-me confirmar a existência de um factor que receio ser inultrapassável: a voz de Robin Pecknold irrita-me à brava.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 20 de Junho de 2017
Música recente (106)

 

Lorde, álbum Melodrama.

 

Uma surpresa aos dezassete anos de idade, uma confirmação aos vinte. Na música como noutras artes, há imensa gente tentando descrever as ansiedades, as raivas e as desilusões experimentadas no final da adolescência e na transição para a idade adulta. Lorde está entre as pessoas que melhor o conseguem fazer. Melodrama é um álbum mais maduro do que Pure Heroine. Isto torna-o menos surpreendente, mas também mais completo. Ao longo dos 11 temas, passa-se da descoberta à reclusão, da alegria à tristeza, da irreverência à decepção, sem quaisquer indícios do histrionismo que o título poderia deixar antever.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Domingo, 18 de Junho de 2017
Paisagens bucólicas: 92

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Figueira da Foz, 2010. 



publicado por José António Abreu às 20:35
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2017
Música recente (105)

 

Big Thief, álbum Capacity.

 

Há mais catarse neste segundo álbum, mas a capacidade para contar histórias mantém-se.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 13 de Junho de 2017
Música recente (104)

 

London Grammar, álbum Truth is a Beautiful Thing.

 

Quiçá um tudo-nada excessivamente depressivo, o segundo álbum dos londrinos não deixa de confirmar a envolvência da sua música e o poder da voz de Hannah Reid. 



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Domingo, 11 de Junho de 2017
Paisagens bucólicas: 89 a 91

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Passadiços do Paiva, Arouca, 2017.



publicado por José António Abreu às 21:20
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017
Música recente (103)

 

R. Stevie Moore / Alan Falkner, álbum Make It Be.

 

Não obstante um par de temas menos bem conseguidos, a combinação entre a power pop de Falkner e as tendências para a anarquia sonora (bem como para letras bizarras) de Moore funciona bastante bem, num registo a que talvez se possa chamar irónico-rezingão.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 6 de Junho de 2017
Música recente (102)

 

Pumarosa, álbum The Witch

 

Passando sobre algumas letras em registo new age, trata-se de um primeiro álbum surpreendentemente maduro. Detalhe revelador: vários temas prolongam-se para além dos seis minutos, uma raridade em época de atenção fragmentada, um risco que poucas bandas novas se atreveriam a correr. Os resultados são excelentes, como se pode constatar no vídeo abaixo, de um tema avançado pela primeira vez em 2015 (que o álbum tenha demorado tanto tempo a chegar só pode constituir um sinal de perfeccionismo).

 

 



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Domingo, 4 de Junho de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 267

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Porto, 2017.



publicado por José António Abreu às 20:47
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Sexta-feira, 2 de Junho de 2017
Música recente (101)

 

Jane Weaver, álbum Modern Kosmology.

 

Psicadelismo destilado em melodias pop, contornando habilmente possíveis acusações de revivalismo (22 anos de carreira atrás de Weaver ajudam neste ponto).



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Terça-feira, 30 de Maio de 2017
Música recente (100)

 

Joan Shelley, álbum Joan Shelley.

 

Um trabalho de Folk contemplativa, no qual os temas são deixados respirar e nenhuma nota - como nenhuma palavra - parece estar a mais.



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Domingo, 28 de Maio de 2017
Com o Douro por cenário: 82

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São Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, 2010. 



publicado por José António Abreu às 22:20
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
Música recente (99)

 

The Mountain Goats, álbum Goths.

 

Os Mountain Goats são basicamente John Darnielle, que, desde 1994, já lançou 16 álbuns. Vários abordam recordações da juventude, mais ou menos ficcionadas. Goths contém uma série de histórias sobre inadaptados tentando encontrar um lugar no panorama gótico das décadas de 1980 e 1990. O décimo primeiro tema intitula-se For The Portuguese Goth Metal Bands. Mesmo prestando atenção à letra, ainda não entendi bem porquê.


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Terça-feira, 23 de Maio de 2017
Música recente (98)

 

Vagabon, álbum Infinite Worlds.

 

O primeiro álbum de Vagabon (Laetitia Tamko, 24 anos, Brooklyn) é uma pequena pérola de indy rock saltitando entre a fragilidade e a aspereza.



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Domingo, 21 de Maio de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 266

Blogue_ruas_Porto2010.jpg

 

Porto, 2010.



publicado por José António Abreu às 20:21
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017
Música recente (97)

 

Slowdive, álbum Slowdive.

 

Os ingleses Slowdive surgiram em 1989 e lançaram o primeiro álbum em 1991. Por esta altura haviam sido enquadrados no movimento shoegaze, já a passar de moda. Os três álbuns lançados até 1995 tiveram vendas modestas e foram recebidos com frieza pela crítica. A banda entrou em hibernação. Reanimada em 2014 (um dos primeiros concertos ocorreu no Festival Primavera Sounds, do Porto), lançou um novo álbum há um par de semanas. É constituído por oito temas dominados pelo registo langoroso, de suspensão ou queda lenta (poucas bandas terão um nome mais adequado), que caracteriza o estilo, mas apresenta um nível de bom gosto inegável e toques inesperados (inflexões na música e/ou na voz) que afastam quaisquer ameaças de monotonia.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 16 de Maio de 2017
Música recente (96)

 

Sylvan Esso, álbum What Now.

 

Os Sylvan Esso foram uma das melhores descobertas que fiz em 2014. Ao segundo álbum, Amelia Meath e Nick Sanborn mantêm a peculiaridade dos ritmos e reforçam a dose de ironia - como se pode constatar nos temas destes dois vídeos: a protagonista de Die Young vê o amor estragar-lhe os planos de morrer jovem, talvez num incêndio ou despenhando-se por uma ravina, e de levar as pessoas a chorar: "Que tragédia, tão cedo"; Radio, por seu turno, é uma crítica feroz ao mundo das pop stars que debitam temas radio-friendly com três minutos e meio de duração, embrulhada em exactamente três minutos e trinta e dois segundos de pop gloriosa.

 



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Domingo, 14 de Maio de 2017
As coisas pequeninas são sempre tão giras: 19

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2009.



publicado por José António Abreu às 22:14
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2017
Música recente (95)

 

Thurston Moore, álbum Rock N Roll Consciousness.

 

Cinco temas, o mais curto com seis minutos (no vídeo, surge amputado), o mais longo com quase doze, dos quais sete e tal puramente instrumentais. Por vezes faz pensar nas barragens de som que os Sonic Youth (de que Moore fazia parte) emitiam nos concertos ao vivo, outras vezes remete para um registo mais zen (ou talvez hippie).



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
Música recente (94)

 

Juliana Hatfield, álbum Pussycat.

 

Politicamente, Donald Trump é um oportunista. Acima de tudo, quer «ganhar», pouco lhe importando como o faz ou com que políticas o faz. Duas facetas, porém, mantêm-se nele constantes: o narcisismo e o machismo. Juliana Hatfield está particularmente interessada nestes aspectos. Em Outubro passado, na sequência da divulgação do vídeo do autocarro, no qual Trump se gabava de, sendo uma celebridade, poder agarrar as mulheres «by the pussy», escreveu um artigo acerca do tema. Agora faz dele o âmago de Pussycat. Há golpes fáceis, ainda que compreensíveis (Short-Fingered Man), há referências a personagens secundárias (Kellyanne), há ironia feroz (Sex Machine, Rhinoceros), há derivações que alargam o âmbito muito para além de Trump (Touch You Again), mas, acima de tudo, há nojo e franqueza, num trabalho simples e directo, gravado em duas semanas, em que Juliana apenas não tocou bateria. A existir uma falha, poderá encontrar-se na doçura e no optimismo que, apesar de tudo, perpassam várias melodias (e.g., Sunny Somewhere) e, quase sempre, a voz. Mas um registo constantemente áspero e zangado (assumindo que a voz de Hatfield o conseguiria atingir) teria provavelmente tornado o álbum demasiado óbvio e unidimensional. Mesmo na crítica, convém preservar um grau de subtileza superior ao do objecto criticado.

 

(Nota: A versão do álbum não é acústica.)

 

__________

 

Dois excertos do artigo que Juliana escreveu em Outubro, para quem não estiver disposto a seguir o link acima:

 

But it’s not funny anymore. Since the Trump “pussy grab” tapes were released, I’ve found myself wanting to reach for my emergency supply of valium, which I keep mainly for plane travel to ease my visceral fear of flying. These viscera of mine are currently in a state of constant high anxiety. It’s the Trump effect: the sight of his face and/or the sound of his voice tightens the stomach, the heart, the sphincter. Everything’s clenched. Even — maybe especially — the “pussy.”

 

The venom-spewing from and around Trump is a black cloud hovering over this country. Trump has re-opened the emotional wounds of millions of people. It’s his special talent, apart from self-propagandizing and con-artistry. He stirs up bitterness, hatred, anger; he brings out the worst in people. He does it to people on both sides — all sides. There’s bile all around.

 

(...)

 

This is Trump’s frightening, dangerous power — he reminds us of the worst of human nature: the sexism and misogyny, the racism and bigotry, the blood lust, violence, vengefulness and cruelty. It’s sickening to observe the glee with which some people are letting it all out, spurred on and inflamed by Trump, like they’ve been waiting all their lives for this — for their opportunity to finally unleash their snarling dogs on everyone and everything they hate with a spitting, drooling, vomitous passion.



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Domingo, 7 de Maio de 2017
Imagens recolhidas pelas ruas: 265

Blogue_ruas_Paris2009_v2.jpg

 

Paris, 2009.



publicado por José António Abreu às 21:08
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2017
Música recente (93)

 

Gorillaz, álbum Humanz.

 

Os Gorillaz foram não apenas uma excelente ideia em termos de marketing como uma forma de Damon Albarn se apoiar em convidados para dar novas roupagens ao seu pessimismo. Humanz não traz novidades substanciais (basicamente, propõe música para uma última festa antes do fim do mundo), mas leva a colaboração a um ponto talvez excessivo: os convidados definem de tal modo o som dos temas em que participam que a coesão global acaba ligeiramente prejudicada. Seja como for, entre os catorze temas da versão normal do álbum ou os dezanove da versão especial (em ambos os casos, já retirados intro e interlúdios), será difícil alguém não encontrar pelo menos meia dúzia que lhe agradem.

 



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Terça-feira, 2 de Maio de 2017
Música recente (92)

 

Feist, álbum Pleasure.

 

Ao contrário do que parece suceder na maioria dos casos, a idade tem trazido inconformismo e variedade à música de Feist. Em Metals já se notava, mas a fuga às melodias pop que fizeram a fama e o sucesso de Let It Die e The Reminder torna-se ainda mais óbvia em Pleasure. Marcando uma aproximação à sonoridade de gente como PJ Harvey, não é um álbum para avaliar após uma única audição nem para usar como música de fundo.



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Domingo, 30 de Abril de 2017
Gosto mais de praias desertas: 28

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Zona do Cabo Mondego, Figueira da Foz, 2017.



publicado por José António Abreu às 19:45
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Sexta-feira, 28 de Abril de 2017
Música recente (91)

 

 

Conor Oberst, álbum Salutations.

 

O complemento de Ruminations. A face mais solarenga de Oberst.

 

(The modern world is a sight to see. It's a stimulant. It's pornography. It takes all my will not to turn it off.)



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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017
Diário semifictício de insignificâncias (25)

Há momentos de inebriante clareza em que percebo que a minha vida dava um livro em vários volumes. Todos chatos.



publicado por José António Abreu às 21:49
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Terça-feira, 25 de Abril de 2017
Música recente (90)

 

Karen Elson, álbum Double Roses.

 

Há sete anos, quando lançou The Ghost Who Walks, Elson encontrava-se casada com Jack White. O álbum era excelente, mas permitia a dúvida, inevitável no caso de primeiros trabalhos de gente cujos parceiros têm carreira firmada, de saber até que ponto essa qualidade se lhe devia exclusivamente (ainda por cima, White fora o produtor). Incluindo canções um tudo-nada menos teatrais e colaborações tão discretas que é fácil não as detectar (em Distante Shore, a voz longínqua e esperançosa pertence a Laura Marling), Double Roses mostra que Elson não precisa de ter White por perto.

 

(O tema Wonder Blind, ao vivo.) 


publicado por José António Abreu às 12:22
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