como sobreviver submerso.
Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016
Música recente (50)

 

 Jenny Hval, álbum Blood Bitch.

 

 Eu sei, estamos em tempo de Natal, de músicas expansivas, com sininhos e mensagens de optimismo... Mais ou menos isto, creio. (Não estou a ironizar assim tanto: há imensa beleza e algum optimismo nos sons densos e nas letras carregadas de sangue, sexo e solidão que a norueguesa Hval incluiu neste trabalho. Assim de repente, Period Piece pode até ser o único tema alguma vez escrito no qual uma mulher admite encontrar conforto no espéculo do ginecologista: Some people find it painful / But all I feel is connected. OK.)



publicado por José António Abreu às 12:22
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016
Momentos de compreensão

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Saio dos melhores livros de Virginia Woolf com uma sensação de plenitude. Não recordo uma história, mas sei que o livro fez sentido. Cada frase, cada parágrafo, contribuiu para uma imagem global – e, neste caso, o termo «imagem» não é aleatório – que nenhuma sinopse tem o poder de encapsular. As melhores páginas de Virginia Woolf têm a lógica de uma melodia ou - cá vamos novamente - de uma pintura. Isto não acontece por acaso: Woolf deixou apontamentos que mostram a intencionalidade do efeito. Em The Waves (um livro difícil), a estrutura esforça-se por replicar os padrões do pensamento humano. Em Mrs. Dalloway e, acima de tudo, em To the Lighthouse (Rumo ao Farol), a intenção é mesmo replicar o efeito de uma pintura, na qual os detalhes podem revelar génio bastante para que se pare a analisá-los, mas onde acima de tudo interessa a sensação geral, frequentemente obtida aumentando a distância em relação à tela, num efeito similar a tantos acontecimentos na vida humana. A intenção é tão explícita que Lucie Briscoe, uma das personagens, vai realmente pintando um quadro enquanto observa o que se passa. No parágrafo final, termina-o. Encontrou uma imagem que, podendo não ter interesse nem fazer sentido para qualquer outra pessoa (ou até mesmo para ela, noutro instante), podendo transmitir uma mensagem difícil de aceitar (a da inutilidade da vida, por exemplo), fecha algo; permite um momento de compreensão. E não apenas todos os bons finais são momentos de compreensão como momentos de compreensão são tudo o que se pode desejar de uma pintura, de um livro, da vida.

 

Quickly, as if she were recalled by something over there, she turned to her canvas. There it was - her picture. Yes, with all its greens and blues, its lines running up and across, its attempt at something. It would be hung in the attics, she thought; it would be destroyed. But what did that matter?, she asked herself, taking up her brush again. She looked at the steps; they were empty; she looked at her canvas; it was blurred. With a sudden intensity, as if she saw clear for a second, she draw a line there, in the centre. It was done; it was finished. Yes, she thought, laying down her brush in extreme fatigue, I have had my vision.

(Lamento, mas não tenho uma versão em português.)

 

(Este é mais um texto inserido numa série sobre princípios e finais de livros, que decorreu no Delito de Opinião.)

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publicado por José António Abreu às 17:28
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Domingo, 4 de Dezembro de 2016
Imagens recolhidas pelas ruas: 255

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Porto, 2001. 



publicado por José António Abreu às 20:05
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016
Música recente (49)

 

Rita Redshoes, álbum Her.

 

Uma sonoridade expansiva, cinematográfica, que remete para outras décadas e combina na perfeição com a voz límpida de Rita. Encontro-lhe um ponto negativo: aqui e ali, o optimismo e a força de vontade expressos nas letras resvalam para o lugar-comum (sou mulher / sem vergonha de vencer / eu aprendo ao viver / e não mudo o meu caminho). Pela primeira vez, alguns temas (quatro) são em português.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016
O ponto em que as boas intenções passam o limiar do bom senso

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Numa parede do Porto.

 

 

Na série britânica Love, Nina, adaptação de Nick Hornby de um livro de memórias de Nina Stibbe, há um momento em que alguém pinta desenhos obscenos nos passeios do bairro onde decorre a acção. Várias personagens reúnem-se em torno de um deles e debatem identidade e possíveis motivações do autor. George, a editora literária a que Helena Bonham Carter dá corpo, defende que, obviamente, terá sido um homem, porque as mulheres não andam por aí a fazer desenhos no pavimento; pelo menos, acrescenta, não em número estatisticamente relevante.

Olho para a frase acima e pergunto-me se George estaria certa - e, nesse caso, que diabo se passa na cabeça de um homem capaz de a escrever.

Claro que Love, Nina decorre no início da década de 1980. Talvez hoje em dia mais mulheres pintem coisas no chão e nas paredes. Não daria um grande sinal do rumo da evolução feminina (há actos tipicamente masculinos que, podendo remeter para instintos antigos de marcação do território, são hoje apenas estúpidos) nem faria com que esta mensagem ficasse aceitável, mas sempre a tornaria um pouco menos ilógica.

 



publicado por José António Abreu às 18:47
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016
Música recente (48)

 

Christian Kjellvander, álbum A Village: Natural Light.

 

A música do sueco Kjellvander devia ser um segredo menos bem guardado. Leonard Cohen, Mark Lanegan e os Tindersticks andam por aqui.



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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2016
França e o futuro da UE
A nomeação de François Fillon como candidato do centro-direita às eleições presidenciais francesas abre perspectivas interessantes. Se, como tudo parece indicar, for ele a defrontar Marine Le Pen na segunda volta, não apenas a eleição de Le Pen ficará quase impossível (por muito que a faceta social-conservadora de Fillon desagrade à esquerda «progressista», ele constituirá sempre um mal menor) como, qualquer que seja o vencedor, ficam garantidas mudanças fundamentais na política francesa – e, por arrasto, na europeia. É sabido que uma vitória de Le Pen conduziria a França para fora do euro e da UE, provocando o colapso desta. Mas uma vitória de Fillon garantirá uma alteração fundamental no balanço de forças entre os países que defendem e aplicam reformas estruturais e os países que, na prática, se lhe opõem. Fillon defende cortes no Estado e uma economia baseada na iniciativa privada e nas exportações. Num país como França, não é líquido que consiga fazer tudo o que pretende. No mínimo, enfrentará enorme contestação dos grupos que se alimentam do Estado. Mas terá o peso da estagnação francesa a seu favor (muita gente sabe que algo tem de ser feito) e uma legitimidade dupla: a conferida pela eleições e a decorrente da clareza, verdadeiramente admirável, com que tem exposto as suas ideias. Ora uma França reformista (honestamente, parece um oxímoro) estará muito mais alinhada com a Alemanha e tornará a União Europeia muito menos condescendente para com países que preferem ir arrastando os pés. Convinha que estes se preparassem – para qualquer dos cenários.


publicado por José António Abreu às 12:39
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Domingo, 27 de Novembro de 2016
As coisas pequeninas são sempre tão giras: 17

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publicado por José António Abreu às 18:29
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016
Música recente (47)

 

Mitski, álbum Puberty 2.

 

A passagem para a idade adulta e a tentativa de encontrar um lugar e um sentido no mundo, através de rotinas que ajudam mas também prendem, e de relações que, hoje em dia, parecem sempre provisórias e desequilibradas.



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Terça-feira, 22 de Novembro de 2016
Música recente (46)

 

Gisela João, álbum Nua.

 

Dá-me a sensação de que o título e a foto da capa do álbum têm vindo a receber quase tanta atenção como a música. Sinal de que Gisela pode ser uma das mais genuínas representantes da tradição fadista, na linha, digamos, amaliana - algo que este álbum comprova de forma brilhante -, mas é também uma mulher atraente. E de que certas reacções ligeiramente infantis nunca mudam.



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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016
Sobre Carris
Na sequência da transferência da gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa e da assumpção por parte do Estado da dívida da empresa (uma bagatela de 700 milhões de euros), António Costa teve isto a dizer: «O Estado não faz nenhum favor, porque mantém-se responsável pelo que já é responsável, que é a dívida que criou.»

 

Tão bonito. Perante tamanha demonstração de sentido de responsabilidade, como não aplaudir? Permito-me cinco notas breves, tecladas com os dedos embargados de emoção:

1. O alívio que é ter sido poupado ao clamor que existiria se a assumpção das dívidas viesse na sequência da transferência da gestão para uma entidade privada;

2. O descanso que é ter a gestão ainda e sempre garantida pelos contribuintes;

3. O descanso ainda maior que é sabê-la partilhada pela CML e pela CGTP;

4. O alívio que é estarmos perante o salvamento de uma empresa de transportes e não de um banco;

5. A ternura que é ver PCP e Bloco não exigirem a reestruturação de uma dívida nem a prisão dos responsáveis pela mesma.



publicado por José António Abreu às 16:49
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Domingo, 20 de Novembro de 2016
Com o Douro por cenário: 79

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Porto, 2008.



publicado por José António Abreu às 19:38
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016
Música recente (45)

 

Colbie Caillat, álbum The Malibu Sessions.

 

O título é apropriado: ainda mais do que nos álbuns anteriores, encontra-se aqui uma sonoridade leve e arejada que, pelo menos desde os Beach Boys, é marca registada do Sul da Califórnia. De vez em quando - e mesmo às portas do Inverno - sabe bem.



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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016
Entretanto, na Rússia
Enquanto Trump se prepara para entrar na Casa Branca e a cotação do dólar dispara, gerando receios de problemas nos mercados emergentes e do reacendimento da crise do euro (as taxas de juro da dívida pública estão a subir e a política do BCE poderá ter de mudar com o eventual aumento da inflação), Putin, a braços com os efeitos da estagnação económica (causada em parte pelas sanções internacionais que ele espera ver Trump abolir), intensifica as purgas, fazendo prender Alexey Ulyukayev, ministro da Economia, defensor de uma maior separação entre o Estado e o sector empresarial, e que até pode ser culpado do acto de corrupção de que o acusam mas nunca seria detido se Putin não desejasse afastá-lo.


publicado por José António Abreu às 11:37
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2016
Música recente (44)

 

Agnes Obel, álbum Citizen of Glass.

 

Há uma clara mudança de registo e, todavia, o encanto de Obel permanece intacto.



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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016
O admirável mundo da voracidade fiscal

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publicado por José António Abreu às 09:22
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Domingo, 13 de Novembro de 2016
Das formas e cores: 34

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Pinhel, 2016.



publicado por José António Abreu às 19:28
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Sábado, 12 de Novembro de 2016
Papéis inesquecíveis quase esquecidos (6)

 

Tatum O'Neal, em Paper Moon (Lua de Papel, 1973).

 

Paper Moon, de Peter Bogdanovich, é uma revisitação dos Estados Unidos da época da Grande Depressão, baseada no último livro do escritor e jornalista Joe David Brown. Passado entre grandes espaços (frequentemente no interior de um veículo descapotável), e pequenas cidades, filmado a preto e branco (com filtros vermelhos ou verdes em frente à objectiva, de modo a gerir o contraste), e sempre com elevada profundidade de campo, o filme abre com um funeral. No pequeno grupo de pessoas que ladeia a campa, encontra-se uma rapariga de oito ou nove anos. Subitamente, aproxima-se um carro barulhento. Dele sai um indivíduo que se junta ao enterro. Moses Pray (Ryan O'Neal, protagonista de filmes como Love Story, Barry LyndonThe Driver), diz-se amigo da falecida mãe da rapariga. Ao mencionar que vai para St. Louis, os presentes propõem-lhe que leve a miúda, Addie Loggins, até casa de uns tios, únicos familiares conhecidos, situada em St. Paul, a curta distância de St. Louis. Após alguma resistência, Moses acaba por aceitar.

 

Addie (Tatum O'Neal, no seu primeiro desempenho) rapidamente percebe que na base da disponibilidade de Moses não se encontram noções de solidariedade mas um plano para extorquir dinheiro à família de um ex-amante da mãe, responsável pelo acidente de automóvel em que ela faleceu. Com uma segurança fenomenal, troca-lhe as voltas, impedindo-o de a despachar (sozinha, de comboio) para casa dos tios e forçando-o a incluí-la nas pequenas vigarices com que vai sobrevivendo. (A favorita: entregar a viúvas bíblias pretensamente encomendadas - mas ainda não pagas - pelos falecidos maridos.) Progressivamente, a situação complica-se e a polícia acaba atrás deles.

 

O filme nunca esclarece se entre Addie e Moses existem laços familiares. Ela desconfia que sim e pergunta-lhe logo de início se é o pai dela. A resposta vem negativa, mas sabemos desde cedo - como Addie também sabe - que ele mente com naturalidade. Mente tanto que poderá até estar a mentir sobre o nome, tão adequado a um vendedor de bíblias: «Moses», de Moisés, e «Pray», de rezar. Na verdade, o nome constitui todo um tratado de ironia. Estamos perante um Moisés muito fraco, péssimo enquanto guia (físico ou espiritual), raramente disponível para ouvir a voz da razão, e que pura e simplesmente não reza. Foneticamente, «Pray» também pode ser «presa», uma designação muito mais apropriada à personagem. Igualmente irónico - numa forma, digamos, metacinematográfica - é o facto dos actores serem mesmo pai e filha, e de existirem indícios de que Ryan não terá sido o que se classificaria de pai ideal.

 

Em 1974, Tatum O'Neal até venceu o Óscar de melhor actriz secundária pelo seu desempenho em Paper Moon (como noutros casos, o papel é claramente principal) mas acabou tendo uma carreira cinematográfica discreta. Hoje, será mais conhecida por acontecimentos ligados à sua vida privada: Michael Jackson nomeou-a como primeira paixão; foi detida por posse de droga; casou com o tenista John McEnroe em 1986 e, na sequência do divórcio, ocorrido em 1994, manteve com ele uma batalha feroz pela custódia dos 3 filhos (devido aos problemas de O'Neal com a droga, McEnroe conseguiu-a em 1998); lançou uma autobiografia (A Paper Life, 2005), polémica por nela descrever como viveu desde criança rodeada por drogas (num paralelo perturbador, em 1970 a mãe perdera a custódia de Tatum e do irmão Griffin precisamente por causa delas), como foi abusada aos 12 anos pelo dealer que as vendia ao pai, e como este constituiu sempre uma presença distante, mesmo nas ocasiões em que se encontrava fisicamente por perto. A relação de Tatum com o pai é difícil até hoje e ela deixa claro em entrevistas que ele não a tratava como uma criança deve ser tratada. Um exemplo menor, quase anedótico: quando Ryan participou em Barry Lyndon, forçou-a a ver todos os filmes anteriores de Kubrick (ela tinha pouco mais de dez anos). Outro: Ryan esteve ausente na cerimónia de entrega dos Óscares (que diabos tinhas vestido, miúda?), alegadamente irritado por a filha ter sido nomeada e ele não.
 

Um palavra também sobre Bogdanovich. Fez parte de uma geração de realizadores que despontava no início da década de 70 e vinha altamente influenciada por todo o cinema que acontecera antes. Incluía pessoas como Martin Scorsese, Steven Spielberg, Michael Cimino, Francis Ford Coppola e William Friedkin(*). Todos eles marcaram a época e o cinema, mas vários acabaram por ter carreiras irregulares. Bogdanovich nunca mais atingiu o nível dos seus três primeiros filmes: este Paper Moon, de 1973, e os anteriores The Last Picture Show, de 1971 (com uns muito novos Jeff Bridges, Cybill Sheperd e Cloris Leachman) e What's Up, Doc?, de 1972, que (tanto quanto recordo, dado não o ver há uma eternidade) conseguia tornar Barbra Streisand suportável. (As minhas desculpas à verdade histórica, se por acaso a minha memória se adocicou com o tempo, e aos fãs da senhora, em qualquer circunstância.)

 

Apesar da situação em que Addie se encontra, Paper Moon não é sentimentalista. Pelo contrário, todo o filme é perpassado por uma recusa em vitimizar Addie. A Grande Depressão fizera os tempos difíceis para quase toda a gente. Outras crianças haviam perdido os pais ou, mantendo-os, sofriam maiores dificuldades. A própria Addie tem consciência disto. Sabe que, em termos puramente materiais, não se está a sair mal. Chega mesmo a propor-se ajudar pessoas em pior situação - enquanto simultaneamente cobra mais pelas bíblias àquelas que lhe parecem estar bem na vida (Moses detesta ambas as ideias, no primeiro caso por não querer dispensar dinheiro, no segundo por recear que o excesso de ganância faça com que sejam apanhados - e também por a ideia não ter sido dele). Esta falta de sentimentalismo estende-se a várias cenas politicamente incorrectas: a polícia dispara sem pejo sobre um veículo onde se encontra uma criança, Addie fuma (é verdade que, de início, contra a vontade de Moses) e viaja nos automóveis de um modo que só pode causar desconforto nestes tempos de cadeirinhas obrigatórias e sistemas Isofix. Ainda que também sirvam propósitos de comédia (mas a comédia é uma recusa do sentimentalismo), estas cenas contribuem para situar a acção numa época e para deixar no espectador uma imagem indelével de Addie Loggins. De certo modo, Addie (esplêndida Tatum O'Neal ainda com tudo pela frente) poderia ser uma personagem de Dickens: agreste, voluntariosa, manipuladora, sincera, indomável, carente. Uma criança orfã a fingir de adulto em tempo de dificuldades.

 

Uma das cenas mais difíceis de rodar. Filmada em contínuo numa estrada deserta, bastava um erro no diálogo para ter de voltar-se ao início.

 

_________

(*) Os dois últimos foram produtores executivos de Paper Moon.



publicado por José António Abreu às 10:25
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016
Eu discordo frequentemente do LA-C, mas há momentos em que só resta aplaudir...

Se a esquerda quer mesmo perceber como raio é possível alguém inteligente apoiar Trump, pode começar por perguntar a muita malta inteligente de esquerda por que raio gostava tanto de Hugo Chávez.

Luís Aguiar-Conraria, n'A Destreza das Dúvidas.


publicado por José António Abreu às 16:02
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Música recente (43)

 

Noiserv, álbum 00:00:00:00.

 

Piano, por vezes voz. Nas letras, o português substituiu o inglês. São oito temas breves, sempre delicados e bastante mais despidos do que era habitual.


publicado por José António Abreu às 12:22
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Cohen, a paz antes da partida

 

In his chair, Cohen waved away any sense of what might follow death. That was beyond understanding and language: “I don’t ask for information that I probably wouldn’t be able to process even if it were granted to me.” Persistence, living to the last, loose ends, work—that was the thing. A song from four years ago, “Going Home,” made clear his sense of limits: “He will speak these words of wisdom / Like a sage, a man of vision / Though he knows he’s really nothing / But the brief elaboration of a tube.”

The new record opens with the title track, “You Want It Darker,” and in the chorus, the singer declares:

Hineni Hineni

I’m ready my Lord.

Hineni is Hebrew for “Here I am,” Abraham’s answer to the summons of God to sacrifice his son Isaac; the song is clearly an announcement of readiness, a man at the end preparing for his service and devotion. Cohen asked Gideon Zelermyer, the cantor at Shaar Hashomayim, the synagogue of his youth in Montreal, to sing the backing vocals. And yet the man sitting in his medical chair was anything but haunted or defeated.

“I know there’s a spiritual aspect to everybody’s life, whether they want to cop to it or not,” Cohen said. “It’s there, you can feel it in people—there’s some recognition that there is a reality that they cannot penetrate but which influences their mood and activity. So that’s operating. That activity at certain points of your day or night insists on a certain kind of response. Sometimes it’s just like: ‘You are losing too much weight, Leonard. You’re dying, but you don’t have to coöperate enthusiastically with the process.’ Force yourself to have a sandwich.

“What I mean to say is that you hear the Bat Kol.” The divine voice. “You hear this other deep reality singing to you all the time, and much of the time you can’t decipher it. Even when I was healthy, I was sensitive to the process. At this stage of the game, I hear it saying, ‘Leonard, just get on with the things you have to do.’ It’s very compassionate at this stage. More than at any time of my life, I no longer have that voice that says, ‘You’re fucking up.’ That’s a tremendous blessing, really.”

 

O final de um excelente perfil de Leonard Cohen, surgido na The New Yorker de 17 de Outubro. A juventude, Marianne, outras mulheres, Dylan, a enganadora simplicidade da música, os concertos ao vivo, as drogas, a transcendência, a ideia da morte. E, a propósito desta, faz-me uma certa impressão - fica sempre a ideia do vatícinio - ter referido há exactamente duas semanas que ele se declarara pronto para morrer.

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publicado por José António Abreu às 10:02
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016
Coisas, pessoas, fronteiras

Ontem à noite, na SIC Notícias, Mariana Mortágua - estrela da «geringonça», ideóloga em formação - recusava comparações entre o proteccionismo do Bloco e o proteccionismo de Donald Trump. Explicava ela, com trejeitos de nojo, que Trump quer fechar fronteiras às pessoas enquanto o Bloco defende um mundo onde estas possam movimentar-se livremente. O proteccionismo do Bloco, a sua recusa da «globalização», aplica-se apenas à circulação de produtos e destina-se a proteger e a «dignificar» a produção local contra as «grandes multinacionais». Como de costume, a verve resulta ligeiramente encantatória - desde que não se reflicta muito sobre o assunto. Não parece ocorrer a Mortágua que várias das economias com maior crescimento nas últimas décadas, aquelas onde mais gente saiu da pobreza, dependem precisamente das exportações. Não parece ocorrer-lhe que fechar as fronteiras aos produtos originados nesses países (sejam de índole industrial, sejam de índole agrícola ou pecuária), representaria desemprego e regresso à pobreza. Não parece ocorrer-lhe que a pobreza reforçaria os fluxos de migração, nem que o excesso de imigração gera tensões sociais, custos para o erário público e fenómenos populistas como Trump, o Brexit ou Marine Le Pen. Ou então ela sabe-o perfeitamente - afinal, dizem-na inteligente - e, tal como os seus colegas do Bloco, é apenas muito mais revolucionária do que tenta parecer.



publicado por José António Abreu às 15:39
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016
A segunda edição é para quando?

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publicado por José António Abreu às 15:42
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O futuro é um lugar imprevisível

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1.

Será interessante ver se Donald Trump - claramente alguém que não se preocupa com o detalhe ou com a coerência - irá aplicar muitas das medidas que defendeu. Sendo certo que o Partido Republicano controlará Câmara dos Representantes e Senado, muitos dos seus elementos discordam de Trump; porém, o poder tende a atenuar divergências. E os eleitores estão à espera de mudança - em parte, a que Obama prometeu e não concretizou.

 

2.

Se Hillary Clinton perdeu, Obama é o outro grande derrotado da noite. A eleição de Trump permite verificar quão insatisfeitos estão os norte-americanos com a sua presidência. Tivesse Obama conseguido os resultados que muitos por cá - e por lá - lhe atribuem, Clinton teria vencido. Pessoas satisfeitas não querem mudança - ainda por cima, com elevadíssimo grau de risco.

 

3.

Algumas medidas parecem certas. Por exemplo, o fim do Obamacare e o adiamento de qualquer medida para controlar a venda e posse de armas. Do ponto de vista de um europeu, são questões irrelevantes, exclusivamente de política interna. Há, no entanto, três temas com alcance global: o eventual proteccionismo económico, a política externa e a política monetária. Em nenhum deles o comportamento de Trump pode ser dado como adquirido.

 

4.

No campo da Economia, depois de tudo o que disse e das expectativas que criou, Trump está forçado a fazer algo. O TTIP já morrera durante a presidência Obama, mas veremos o que sucede com o NAFTA, que muitos congressistas republicanos têm apoiado, e em que bases se estabelecerá a relação com a China. Seja como for, o comércio global irá quase certamente ressentir-se. Quem hoje celebra, poderá rapidamente constatar que fechar fronteiras não significa mais riqueza - especialmente no caso de países pequenos como Portugal, que apenas poderão crescer captando recursos no exterior.

 

5.

Vladimir Putin foi o outro grande vencedor do dia. Uns Estados Unidos focados na política interna e desinteressados da NATO abrem-lhe as portas para todos os impulsos. Resta saber em que moldes Trump procurará cumprir a promessa de acabar com o Daesh. E se, mais cedo ou mais tarde, como sucedeu a George W. Bush, não acabará arrastado para conflitos que deseja evitar. Para Israel (mas também para a Palestina), os riscos acabam de aumentar exponencialmente.

 

6.

Para o bem e para o mal, a acção dos Bancos Centrais tem sido decisiva no equilíbrio do castelo de cartas em que a Economia se transformou. Irá Trump permitir uma correcção dos mercados, que terá sempre reflexos violentos na vida diária das pessoas? Parece-me improvável. Trump anunciou investimento público; necessita de uma Economia capaz de lhe fornecer o dinheiro necessário (ainda que artificialmente). E mais: Trump é um especulador e um milionário; fará tudo para evitar prejuízos.

Evidentemente, os desejos dele podem mostrar-se irrelevantes. Ninguém segura um castelo de cartas depois de ele estar em queda.

 

7.

Nos países mais prósperos, onde as últimas décadas criaram a ilusão de que era possível manter os níveis de enriquecimento e protecção social sempre a subir, as pessoas andam insatisfeitas. É compreensível. Menos compreensível é que exprimam a insatisfação de forma irracional, votando para acabar com algo em vez de para construir uma alternativa coerente. Inevitavelmente, uma alternativa surgirá; contudo, numa época em que globalmente se vive muito melhor do que em qualquer outra na História, ela pode revelar-se bastante pior do que a situação de partida. Será então demasiado tarde para lamentos. Isto aplica-se à eleição de Trump, mas também à vitória do «sim» no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, à vitória do Syriza na Grécia, à quase-eleição de Norbert Hofer na Áustria (no dia 4 de Dezembro ver-se-á se o «quase» está a mais), à eventual vitória de Marine LePen em França, aos resultados do Podemos em Espanha ou do AfD na Alemanha, etc., etc., etc.. Quando se unem todos os pontos, a imagem final é assustadora. Mas é o que é, e não vale a pena cair em lamentos. Ou talvez apenas para constatar que a expressão «que possas viver em tempos interessantes» terá resultado da adulteração de uma mensagem defendendo exactamente o contrário.

 

(Foto recolhida na net; não consegui determinar o autor.)



publicado por José António Abreu às 12:41
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016
Música recente (42)

 

James Vincent McMorrow, álbum We Move.

 

Ao terceiro álbum, as fundações indie da música do irlandês McMorrow foram atingidas por uma onda de R&B. É como se Beyoncé tivesse substituído Jay-Z por Conor Oberst, levando este a descobrir um novo mundo.



publicado por José António Abreu às 12:22
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2016
Diário semifictício de insignificâncias (21)

Os canais de séries estão a repetir episódios pela centésima vigésima oitava vez. Nos canais de notícias debate-se a polémica do momento - política ou futebolística, nem quero saber. Eu devia ir para a cama, mas não tenho vontade. Também não tenho vontade de ler, nem de ouvir música, nem de arrumar os livros e os filmes que se amontoam na mesa existente entre mim e o televisor, nem de fazer qualquer outra coisa de que me consiga agora lembrar - mas decididamente não tenho vontade de ir para a cama.

Em nenhum outro instante fica a inutilidade do ciclo da vida tão exposto como nos momentos de deitar e levantar. É, aliás, irónico: a maioria das pessoas detesta ir para a cama e depois detesta sair dela. É como se a vida fosse um trajecto no vazio, a velocidade constante, e cada momento de deitar e levantar exigisse vencer a inércia.

Um dia destes hei-de procurar confirmar na internet uma ideia antiga: a de que os portugueses se deitam mais tarde do que a maioria dos outros povos. Fazem-no tardíssimo, chateando os vizinhos não apenas com o ruído das vozes e da televisão, mas com pancadas repentinas e arrastares estranhos, parecendo ter decidido mudar os móveis de sítio às duas da manhã - noite após noite após noite. Desconfio que, para os portugueses, ir cedo para a cama (ou ir para a cama, tout court) equivale a desistir de esperar pelo instante em que a vida se alteraria indelevelmente para muito melhor e a reconhecer o falhanço de ter decorrido mais um dia em que ela permaneceu igual. Depois, claro, andam irritadiços e à base de café.

É tarde. Eu devia mesmo ir para a cama.



publicado por José António Abreu às 23:58
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Domingo, 6 de Novembro de 2016
Das formas e cores: 33

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Pinhão, 2016.



publicado por José António Abreu às 19:42
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016
Benefícios tangíveis e benefícios colaterais

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Samuel Spade's jaw was long and boney, his chin a jutting v under the more flexible v of his mouth. His nostrils curved back to make another, smaller, v. His yellow-gray eyes were horizontal. The v motif was picked up again by thickish brows rising outward from twin creases above a hooked nose, and his pale brown hair grew down - from high flat temples - in a point of his forehead. He looked rather pleasantly like a blond satan.

 

A tradução (de Baptista de Carvalho, para o nº 34 da colecção Vampiro original) é fraquinha:

O rosto de Samuel Spade era longo e ossudo e o seu queixo formava um pronunciado V, sob o V mais suave da boca. As narinas abriam-se, também sob a forma de um V mais pequeno. Os seus olhos verde-claros rasgavam-se horizontalmente, em forma de amêndoa. Sobranceiras a um nariz aquilino, viam-se duas rugas paralelas donde emergiam espessas sobrancelhas cuja configuração era, uma vez mais, a de um V bem vincado, caprichosamente invertido. O cabelo castanho-claro tinha como fronteira uma testa alta e despida de rugas sobre a qual avançara, como um istmo original, uma porção de cabelo que formava, assim, no centro, um «bico de viúva». À primeira vista, Spade tinha o aspecto agradável de um demónio saxão. Naquele momento, inquiria de Effie Perine:

- Que se passa, meu amor?

 

Na primeira vez que li O Falcão de Malta, de Dashiell Hammett, o início não me chamou a atenção. Poucos adolescentes gostam de descrições, excepto se forem de partes anatómicas mais sugestivas do que a face das personagens. Lembro-me, porém, de ficar fascinado - e horrorizado - com a frieza de Sam Spade, o detective privado no centro do enredo. James Ellroy, que muitos consideram herdeiro de Hammett - começando talvez pelo próprio, pouco dado a demonstrações de modéstia -, afirmou numa entrevista à The Paris Review preferir Hammett a Chandler por este ter escrito do ponto de vista do homem que gostaria de ser enquanto Hammett escrevera do ponto de vista do homem que temia ser(*). Eu admito que Chandler era globalmente melhor escritor do que Hammett mas, ainda assim, compreendo Ellroy. E, pegando novamente há uns anos n'O Falcão de Malta, descobri com surpresa que o jogo estava claro desde o primeiro parágrafo. Sam Spade é o diabo. Ou, vá, um diabo. Uma versão refinada do Continental Op dos livros anteriores, no sentido em que é fisicamente atraente, como qualquer verdadeiro diabo terá de ser (representá-lo com formas grotescas não passa de um truque para tornar mais fácil resistir-lhe). Nenhum humano normal, passível de compromissos, distracções, hesitações, ingenuidades e emoções, chega a ter qualquer hipótese de enganar Spade. A mulher fatal, que Hammett praticamente inventara em Red Harvest e que, pelo menos ao nível psicológico, desgraça o detective em tantos outros livros e filmes, está condenada desde o início(**). No momento-chave, Spade é-lhe imune e, pouco depois, parece já nem se lembrar da sua existência. Não é impossível que as garantias de amor dela fossem verdadeiras. Mas é irrelevante. Ao contrário de Philip Marlowe, o alter ego de Chandler, Spade não é homem para permitir-se actos sentimentais. Não é homem para arriscar o pescoço sem que exista algo tangível a ganhar. Para Spade, o amor seria sempre - e apenas - um benefício colateral.

 

P.S.: O carácter pouco heróico de Sam Spade está bem presente na adaptação cinematográfica de 1941, realizada por John Huston, com Humphrey Bogart no papel principal. De resto, Huston poucas vezes mostrou heróis tradicionais nos seus filmes e o próprio Bogart - em 1941, ainda longe do nível de estrelato que viria a atingir - desempenhou frequentemente personagens antipáticas (recorde-se outra colaboração com Huston: O Tesouro de Sierra Madre). Se alguém vir um herói no Spade do filme, tal dever-se-á provavelmente ao charme que o cinismo possui e ao peso que, não obstante a carreira variada, o nome Bogart adquiriu.

 

 

Aviso: o texto da edição actual, cuja capa se reproduz acima, está em «acordês».

_______

 

(*) Chandler wrote the kind of guy that he wanted to be, Hammett wrote the kind of guy that he was afraid he was. Chandler’s books are incoherent. Hammett’s are coherent. Chandler is all about the wisecracks, the similes, the constant satire, the construction of the knight. Hammett writes about the all-male world of mendacity and greed. The Paris Review, nº 201.

 

(**) Segundo algumas opiniões, o destino da mulher fatal é precisamente ser punida pelo herói, que castigaria assim o uso de comportamentos pouco consentâneos com o tradicional papel feminino. Pode haver nesta interpretação algum fundo de verdade (um dos receios - mas também uma das fontes de excitação - dos homens sempre foi a possibilidade de as mulheres usarem o sexo como elemento manipulador) mas a generalização - e a inerente acusação de misoginia - parece-me um pouco abusiva.

 

(Este é mais um texto inserido numa série sobre princípios e finais de livros, em curso no Delito de Opinião.)


publicado por José António Abreu às 15:37
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Música recente (41)

 

Teresa Salgueiro, álbum O Horizonte.

 

Apontamentos e sensações apoiados em música apenas pontualmente escapando a um onirismo que, associado à voz quase demasiado límpida de Teresa Salgueiro, por vezes se me torna cansativo. Talvez por isso acabo preferindo os temas mais percussivos, com "Desencontro" à cabeça. Mas em doses moderadas é sublime.

 

(Note to self: ouvir nas colunas ou experimentar outros auscultadores.)



publicado por José António Abreu às 12:22
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Terça-feira, 1 de Novembro de 2016
Música recente (40)

 

Lisa Hannigan, álbum At Swim.

 

O terceiro álbum da irlandesa que Neil Jordan me permitiu descobrir não foge muito ao registo presente nos outros dois. Será talvez um pouco mais ambiental, mais líquido (swim in your current, flow on every word you say, canta ela em Undertow), mas não deixa de incluir, de forma quase displicente, frases como hang the rich and spare the young (oh, Lisa...). Foi produzido por Aaron Dessner, dos The National, mas, ao contrário do sucedido noutras produções dele (ver último trabalho dos Frightened Rabbit), a sonoridade dos The National não fica evidente. Dessner terá mesmo desempenhado um papel crucial na realização do álbum, ajudando Lisa a vencer o bloqueio criativo em que estava mergulhada.



publicado por José António Abreu às 12:22
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